junho 18, 2018

Peça de teatro encenada no Centro de Convivência da Melhor Idade de Itaquá atrai público de 300 pessoas

Cerca de 300 pessoas foram ao Centro de Convivência da Melhor Idade de Itaquaquecetuba (CCMII), no sábado (16/06), para assistir a peça de teatro intitulada de ‘Drama de Outono’. O espaço da Prefeitura de Itaquá atende os idosos, carinhosamente chamados de ‘Melhor Idade’, com atividades físicas e de lazer.
De acordo com o coordenador do CCMII, Benny Tsugyiama, a peça veio acrescentar o calendário de eventos do Centro de Convivência e agradou os presentes. Ele também reforçou que além da Melhor Idade, outras pessoas também estiveram presentes,  pois o teatro foi aberto a todos, com idade a partir de 12 anos, e com a entrada franca.
Quem assistiu a peça pode acompanhar o drama de Vera, uma mulher casada, infeliz no casamento e apaixonada por um rapaz bem mais novo que ela, tendo que decidir entre manter-se casada e infeliz ou ir contra as regras e os padrões sociais da década de 50, e viver esse grande amor.
Drama de Outono tem adaptação e direção de Albino Ventura e texto de Pola Rezende. Elenco: Adriana Bataglia, Albino Ventura, Aline Silva, Cida Reis, Dill França, Kelly Cristine e Marcondys França.  Duração: 60 minutos.
CENTRO DE CONVIVÊNCIA O Centro de Convivência da Melhor Idade de Itaquaquecetuba – CCMII está localizado na região central do município, na Rua Manoel Garcia, 160. Atualmente mais de mil pessoas são atendidas no espaço, através dos projetos comandados pela Prefeitura, por meio da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social.

Peça de teatro com entrada franca será encenada no Centro de Convivência da Melhor Idade de Itaquá, no sábado (16/06)

O Centro de Convivência da Melhor Idade de Itaquaquecetuba (CCMII) receberá no sábado (16/06), a peça de teatro ‘Drama de Outono’, às 15 horas. A entrada é franca e os ingressos já podem ser retirados no CCMII, que está localizado na Rua Manoel Garcia, 160, no Centro, no horário comercial, das 8 às 17 horas.
A peça que tem classificação da faixa etária em 12 anos é ambientada na década de 50, e é dividida em três atos e conta o drama de Vera, uma mulher casada, infeliz no casamento e que está apaixonada por um rapaz bem mais novo que ela, tendo que decidir entre manter-se casada e infeliz ou ir contra as regras e os padrões sociais da época e viver esse grande amor. Para enfrentar esse grande dilema ela conta com o apoio da irmã, de uma amiga e de sua fiel empregada.
De acordo com o coordenador do Centro de Convivência da Melhor Idade de Itaquaquecetuba, Benny Tsugyiama, a peça vem acrescentar as atividades que são realizadas no CCMII. “É válido frisar que a peça de teatro é tanto para a Melhor Idade quanto para as demais pessoas, lembrando que a classificação etária é a partir de 12 anos”, disse o coordenador.
A peça Drama de Outono tem adaptação e direção de Albino Ventura e texto de Pola Rezende. No elenco estão: Adriana Bataglia, Albino Ventura, Aline Silva, Cida Reis, Dill França, Kelly Cristine e Marcondys França.  Duração: 60 minutos.
fonte: https://www.itaquaquecetuba.sp.gov.br/peca-de-teatro-com-entrada-franca-sera-encenada-no-centro-de-convivencia-da-melhor-idade-de-itaqua-no-sabado-16-06/

junho 04, 2018

AMOR EM TEMPO DE TECNOLOGIA

Bilhões de pessoas conectadas no mundo inteiro, e a sensação de não estamos mais sozinhos nesse universo, nos trás um novo paradigma, onde a auta exposição seja uma forma de demarcar um território perigoso, cheio de armadilhas e contradições.
Vivemos na era dos grupos formados pelas redes sociais, onde alguns defendem as mesmas ideias e com a falsa impressão que estão protegidos e seguros por compartilhar de tais assuntos, porém quando o pensamento divergem, o próprio grupo, até então defensor, torna-se um grande vilão, cruel e impiedoso.
São épocas do exibicionismo gratuito, forma física, status sociais, conquistas, é aquela felicidade editada por várias camadas de filtros para disfarçar as imperfeições cabíveis a qualquer ser humano, mortal. Mas, não fica só por aí não, há também o compartilhamento das desgraças alheias, dos vexames que humilhantes que virariam mais rápido que uma febre mortal.
Vivemos sim, uma nova geração de pessoas que buscam o amor, a paixão devastadora de autora, as relações mais consistentes e que dure enquanto a ilusão nos permita. Somos fruto desta geração tecnológica, que encontramos pessoas que se moldam as exigências do limite da aceitação por meio dos aplicativos e que não consegue enxergar e se identificar com o ser real, com suas imperfeições e defeitos. Não é atoa que se limite a um toque, "click" e se o perfil ali plantado não os agrada, passa-se para o próximo, alimentando cada vez mais a estatística desenfreada em número grau e gênero dos que compõe a extensa lista dos que vivem em angustiante solidão.

abril 19, 2018

NOVO JEITO DE SE RELACIONAR

Hoje parei para refletir, e ao olhar para meu aparelho celular, fiz uma viagem ao tempo, e  lembrei dos poucos amigos que tinha, que eram presentes e que por horas conversávamos, riamos, ou até mesmo chorávamos, porém, juntos. E hoje temos tantos amigos nas palmas de nossas mãos que mal sabemos seus nomes, ou algo sobre sua vida, que a cada dia , esse número aumenta igualmente a sensação de estarmos sozinhos, onde os amigos se fazem presentes em mensagens pré editadas, fotos motivacionais ou rostinhos que não nos dizem efetivamente nada. Será que já não é hora de pararmos para refletir, e resgatar a verdadeira essência?

Sonho, creio. Um dia, não sei quando, isso será realidade.

abril 12, 2018

TEUS LÁBIOS

Ah, teus lábios...
Esse teus lábios carnudos...
Tão doces, um convite que embrega
Nós entorpece,
Orna com um riso
Que ilumina, enlouquece
Nesta pele que nos encaixes se
Apenas em te olhar
Não, não precisa ter toques
Só de olhar, admirar...
É como parar no tempo, e se encantar.

abril 03, 2018

QUARTO DE PENSÃO



QUARTO DE PENSÃO
De: Marcondys França
PRIMEIRO ATO
LEA (Prostituta beirando os 40 anos de idade)
BIRA (Traficante e cafetão)
CRISTAL (Homossexual amigo e confidente de Lea)
Lea entra nervosa remexe nas gavetas, procura algo... Sua tensão só aumenta.
LEA: - Puta que pariu! Meda do caralho, essa é de foder. Agora estou lascada! O bicho vai pegar
CRISTAL: - Afe! Que está acontecendo aqui? Tá tudo revirado... Hei, que stress é esse mona?
LEA: - Tô fodida! Fodida bicha!
CRISTAL: - Fodida por quê?
LEA: - A porra da grana...
CRISTAL: - Que grana?
LEA: - Tinha certeza que tava aqui. Bem aqui.
CRISTAL: - Nem me fale. Se tem certeza que tava ai.... tem que tá ai.
LEA: - Mas não está, está? Tá vendo algo aqui? Tá?
CRISTAL: - Num sou cega! Claro que não.
LEA: - Então?! Hoje o bicho vai pegar. Daqui a pouco Vado chega pra pegar o que é dele.
CRISTAL: - É isso que não entendo... Dá o que é teu, pra sustentar vagabundo.
LEA: - É meu homem.
CRISTAL: - Eu que num quero homem pra sustentar.
LEA: - Agente precisa de alguém que nos dê segurança, entende?
CRISTAL: - Que segurança? Entra num carro com estranhos, vai pra qualquer moquifo, faz o diabo... E onde tá teu bofe? Só esperando o aqué.
LEA: - Você não entende. Não é mulher.
CRISTAL: - Não entendo mesmo. Ainda bem que sou viado. Tenho cabeça muito melhor que tua. As vezes tenho uma ligeira impressão que mulher é tudo burra.
LEA: - Vê se não enche! Não vê que tô uma pilha.
CRISTAL: - Cheirou pra caralho, ficou loucona e não sabe onde enfiou o a grana.
LEA: - Só um teco! Pensa que é fácil? Só eu sei o que é ter que sair com pra mais de dez numa noite... Passa a noite na virada.
CRISTAL: - C’est la vie! Já te disse. Podia ser bem diferente. Atendimento vip. Mas, prefere a ralé.
LEA: - Que saber Cristal, você não esta me ajudando em nada. Circulando, circulando, vai...
CRISTAL: - Vou sim...Mas, se eu fosse você amiga, não ficava aqui esperando não... Do jeito que teu macho é um brutamonte, vai te quebrar toda. Olha, se ele te bater, denuncia.
LEA: - Pra quê? Pra no dia seguinte ele me bater ainda mais...
CRISTAL: - Desisto!
LEA: - Tava aqui... Bem aqui...
Bira entra, fica observando Lea remexendo nas coisas. Ela leva um pouco de tempo para perceber Vado.
LEA: - Vado?! Faz tempo que tava ai?
BIRA: - O suficiente pra perceber que procura algo.
LEA: - É. Perdi uma coisa... Alias, perdi não... não sei onde enfei.
BIRA: - É o peso da idade.
LEA: - Sem graça.
BIRA: - É pó?
LEA: - Quem sabe?
BIRA:- Que é? Vai fica tirando onda, de caô? (A pega pelos cabelos)Qual é a tua sua vadia?
LEA: - Me solta! Tá me machucano...
BIRA:- Quem teu macho? Quem? Diz...
LEA: - É você.
BIRA:- (Solta) Boa menina.
LEA: - Tô cansada...
BIRA:- Percebe-se. Depois de uma certa idade é mesmo complicado...
LEA: - Pro seu governo, ainda dou de dez a zero em muitas piranhas por ai...
BIRA:- Mas, o mercado tá ficano complicado pra tu (rir)
LEA: - Se não me explorasse tanto!
BIRA:- Daqui há uns três anos, tá tu lá... na praça da Luz, a luz do dia, batendo ponto por qualquer ninharia...
LEA: - (Ela joga um objeto nele) Desgraçado!
BIRA:- (Desvia) Sua cadela!
LEA: - (Ela tenta correr. Ele a alcança)Me solta.
BIRA:- Assim, no chão... Jogada na sarjeta, (Torce o braço dela forçando o rosto dela chegar no chão)esse é teu lugar sua vaca velha.
LEA: - Tá me machucando. (Ele a solta)
BIRA:- Tenho pena de você, pena.
LEA: - Pena porra nenhuma... sabe que posso lhe render muito...
BIRA:- Tem esforçado. Mas, não é o suficiente. Sabe, tô até pensano em arrumar uma outra garota, uma novilha, com tudo em cima, tudo no lugar...
LEA: - Arruma Bira... Faz isso, faz. Que caio fora?
BIRA:- E vai para onde com mais de quarenta? Pro asilo? Vai satisfazer velhinhos?
LEA: - Trinta e três.
BIRA:- Nunca! Te conheço há mais de vinte...
LEA: - Comecei menina...
BIRA:- É... Sempre gostou da vida.
LEA: - Nunca tive a chance de fazer diferente...
BIRA:- historinha triste agora não. Cadê a grana dessa madrugada?
LEA: - Não sei, não sei...
BIRA:- Tá de brincadeira? Tá zombano com minha cara...
LEA: - Eu... Tinha colocado aqui... Aqui.
BIRA:- Então pega. Pega logo que não tô de brincadeira não. Anda logo com isso.
LEA: - Tava aqui Bira, tava. Eu juro.
BIRA:- então pega logo o caralho dessa grana e me dá. Sai dai...
LEA: - Ai! Estúpido.
BIRA:- Não tem merda nenhuma aqui. (revira tudo) cade a porra da grana?
LEA: - Não sei. Sumiu.
BIRA:- Como assim sumiu? Tá de caô... Tá quereno me passa a perna sua puta de merda...
LEA: - Não. (Grita) Por favor, não me bate. Eu juro que coloquei ai.
BIRA:- Merda! Se sumiu aqui... Só pode ser... aquela bicha do caralho, foi ele.
LEA: - Cristal?
BIRA:- Ou você trouxe outro macho aqui...
LEA: - Nunca.
BIRA:- Se você...
LEA: - Juro por Deus, por tudo que é mais sagrado. Nunca te trai, sexo, só profissionalmente.
BIRA:- Então foi ele.
LEA: - será?
BIRA:- Se não foi ele, tu tá me passano a perna sua piranha.
LEA: - Não.
BIRA:- Chama aquela bicha aqui.
LEA: - E se não foi ele?
BIRA:- Então cê tá mentino.
LEA: - Juro que não. Juro!
BIRA:- Então chama. |chama esse viado que vou encher o rabo de pimenta até confessar que fez com minha grana.
LEA: - Não vai machucar o...
BIRA:- Ou te cubro de porrada, vou te bater tanto, que nem vai se reconhecer ao se olhar no espelho.
LEA: - Tá bom. Eu chamo. Chamo. (Respira fundo)Cristal, Cristal...
CRISTAL:- (De fora) Que é?
LEA: - Vem cá...
CRISTAL:- Tem que ser agora?
LEA: - Sim. Agora.
CRISTAL:- Tô ocupada.
LEA: - É uma emergência. Tem que ser agora.
CRISTAL:- Tá bom, tô indo... (Entrando) Mas já vou avisando, não vou me intrometer na treta sua e do teu macho (Bira o pega dando-lhe uma gravata)Ai, minha Santa Achiropita, que diabo é isso?
BIRA:- Fala logo viado!
CRISTAL:- Cê tá me sufocando...
LEA: - Solta ele... Tá machucano...
BIRA:- Cadê?
CRISTAL:- O que?
BIRA:- Não vai falar? (Solta)
CRISTAL:- (Tenta correr)Ai meu deus do céu!
BIRA:- (Empurra ele na cama) calma ai viado, onde pensa que vai?
CRISTAL:- Lea, que isso?
LEA: - É melhor falar logo.
CRISTAL:- Falar o que?
BIRA:- Não vai falar?
CRISTAL:- Gente, o que?
BIRA:- (Dá um tapa na cara dele)Cadê?
CRISTAL:- O que, meu Deus, o que?
BIRA:- (Dá outro tapa) Fala bicha!
CRISTAL:- Pede pra ele parar. Eu não sei, não sei...
BIRA:- Não sabe?
CRISTAL:- Não. Fala pra ele Lea, fala...
LEA: - A grana?
CRISTAL:- Cê perde a grana e eu que pago o pato?
BIRA:- chega de conversa. Quero a grana, a grana.
CRISTAL:- Eu juro Bira, juro. Não vi nem a cor dessa grana.
BIRA:- Agora chega! Chega. (Parte pra cima de Cristal)
CRISTAL:- (Cristal pega uma navalha dentro da roupa) Vem... Vem? É só chegar... Tá pensano que sou ela? Sou não. Homem nenhum nunca encostou a mão em mim. E se tentar corto todinho de navalha. Experimenta machão, experimenta pra vê se não faço de você picadinho.
BIRA:- Viado caralho... Foi você... você não foi?
CRISTAL:- Não sou da sua laia. Cai fora daqui agora. Enconta a mão em mim... Paga pra vê, paga?
LEA: - Calma Cristal, calma...
CRISTAL:- Vou tá te fazeno um favor mapoa... recolhendo esse lixo daqui.
BIRA:- Eu vou embora, mas, volto. E quando eu voltar, o bicho vai pegar. Quero minha grana aqui ó, bem na minha mão. E isso seu viado do cacete, vai ter troco. (Sai)
LEA: - (Respira fundo)Cacete cara! Que porra foi essa? Puta que pariu! Bira é vingativo. Não vai deixar barato, não vai.
CRISTAL:- Sei me defender. Já fiz vida nas ruas... Que me preocupa é você. Lea, cai fora desse homem, ele vai acabar te matando.
LEA: - Amo esse homem!
CRISTAL:- Isso não é amor! É covardia. Você, se esconde nesse sentimento destrutivo, com medo de enfrentar a vida, de se sentir sozinha.
LEA: - Bira, é a única coisa que tenho nessa vida.
CRISTAL:- Tá enganada. Você é a fonte de renda dele. Quando não servir mais, vai te substituir por outra... E ai? Que vai fazer?
LEA: - Minha vida, sempre foi assim... só de abandonos... Quando fui violentada pelo meu próprio pai por anos, e minha mãe descobriu... Que fez? Me abandonou. Me jogou na rua, e ainda deu razão a ele, dizendo que eu era, safada, que seduzi o homem dela... Cristal, eu era uma criança, uma criança que por anos sofri a violência daquele que deveria me defender, por anos. E perambulei nessa vida por tantos anos, até encontrar Bira. Um homem bonito, forte, viril e que prometeu me proteger... Parecia amor. Amor! Dias depois me levou há um local, e lá estava um velho, imundo, nojento... E mais uma vez, me vi na mesma situação de antes... Traída pela pessoa que confiava. Só que dessa vez, não tinha ninguém pra me colocar pra fora, nem tão pouco que eu tivesse que esconder...
CRISTAL:- Mas, pode mudar. Seguir o teu rumo, se libertar. Não precisa dele. Você é uma sobrevivente... Uma guerreira! Olha pra você Lea, sobrevive e ainda carrega nas tuas costas, esse canalha, que há tantos anos tem te sugado.
LEA: - Não tenho tempo pra ficar aqui me lamentando...
CRISTAL:- Que vai fazer?
LEA: - Vou pra rua.
CRISTAL:- A essa hora?
LEA: - Ele vai voltar e vai me cobrar a grana da madrugada e desta noite...
CRISTAL:- Se ele te bater Lea, denuncia...
LEA: - Sou uma prostituta. Acha que me ouvirão? Levam ele pro xilindró, depois liberam, e ele vem atrás de mim, dá um cacete, fica tudo por isso mesmo. Não! Melhor fazer meus corres.(Pega a bolsa. Sai)
CRISTAL:- Que merda de vida!
FIM DO PRIMEIRO ATO
SEGUNDO ATO
Quarto pouco iluminado, pela janela há um reflexo de um luminoso de Neon, Bira está deitado, completamente a vontade, sem camisa, fuma um cigarro. Seu semblante é tranquilo, porém seu olhar é traiçoeiro. Lea entra em cena, aparenta cansaço, seu cabelos desalinhados e sua maquiagem borrada, parece que chorou.
LEA: - Taí é?
BIRA:- Tô.
LEA: - Táqui, ó... (Joga um bolo de dinheiro que tira do sutiã)
BIRA:- (Conta) Tu tá de brincadeira comigo...
LEA: - Tudo que consegui hoje.
BIRA:- Só pode tá querendo tirar uma com minha cara.
LEA: - Dá um tempo... Tô só o bagaço.
BIRA:- Novidade! Escuta aqui sua puta do caralho... (Pega ela pelo braço)
LEA: - Tá me machucano, porra!
BIRA:- è pra machucar mermo!
LEA: - Que que é? Me solta... Solta! (Tenta sair)
BIRA:- (Pega ela pelos cabelos fazendo-a joelhar)Tá querendo me enfrentar vagabunda de merda?
LEA: - Me deixa em paz! Porra, tô cansada. Ai... Isso foi tudo que consegui.
BIRA:- (Empurra ela) Tem que dá muito mais. Que é, tá perdendo o jeito, é?
LEA: - Pensa que é fácil?
BIRA:- Se fosse mais nova, não teria tanta dificuldade de agradar os machos...
LEA: - Agrado muito mais que muitas que essas periguetes que fazem ponto por ai...
BIRA:- A que preço? R$ 1,99? Liquidação, três em um? Foda, boquete, com direito a beijo na boca... (Rir) É o fim. Já vi muitas chegarem a esse ponto. Essa história sempre se repete. Quer saber, eu já esperava.
LEA: - Não tá satisfeito... Arruma uma novinha pra encher teus cornos.
BIRA:- Como é que é, vadia?
LEA: - É isso mermo... Se não sirvo mais, arrume outra pra explorar.
BIRA:- É isso mesmo que tô entendendo, sua piranha de merda, tu vai agora me desafiar a essa altura do campeonato?
LEA: - Tô cansada cara, cansada.
BIRA:- Nota-se. Nem essa massa corrida que passa em tua cara, consegue desfaçar que teu fim tá chegando. São as marcas do tempo, tuas rugas já não escondem sua idade...
LEA: - Tô fora, fora...
BIRA:- Só pode tá de brincadeira.
LEA: - Tô fora cara, acabou. (Ela pega a bolsa)
BIRA:- (Ele a segura pelo braço com violência) Acha mesmo que vai sair daqui assim?
LEA: - Tá me machucano... Porra, me solta. (Se solta)
BIRA:- Tem que ser muito burra mermo... Não sai daqui inteira sua piranha.
LEA: - Me encosta um dedo, e chamo a polícia.
BIRA:-chama é, sua piranha?
LEA: - Chamo.
BIRA:- Tô pagando pra ver
LEA: - Quer saber? Casei Bira, cansei. Cansei de ser tratada feito uma coisa qualquer, dessas que se encontra em qualquer buraco, ou num bueiro qualquer, e que se chuta como se não valesse nada.
BIRA:- E a princesa acha que é o que?
LEA: - Sou gente. Gente... Eu tenho sentimento, Bira.
BIRA:- Sentimento? (Rir) Fala sério, mulher! (Rir) Você não passa de apenas um depósito de porra. E tu, sua piranha,(Puxa a arma) só sai daqui, morta.
LEA: - Então, vai ter que puxar esse gatilho... Puxa, porra! Puxa... Que foi? Não te coragem Bira? Não é homem suficiente pra isso? Pois fique sabendo, que viva ou morta, hoje saio daqui.
BIRA:- Acha mesmo que vão dar falta de um estrume como você? Quantas já não foram encontradas na sarjeta, e depois jogadas numa gaveta, com uma etiqueta no dedão, como: indigente!
LEA: - Morta, já faz tempo que estou.
BIRA:- Não se iluda Lea... Ninguém vai dar falta de um lixo como você. Sabe o que é pra essa sociedade? Nada. Não é nada. No máximo, será apenas, um número a mais nessa estatística, um corpo de uma puta a mais sem identificação no IML.
LEA: - Que seja. Mas acabou cara. Não me importo... Um presunto? É... Um presunto! (Se dirige a porta. Ele a pega pelos cabelos)
BIRA:- Acabou, é? Não acabou nada. Pensa que esqueci aquela presepada que você é aquela bicha do caralho me aprontaram?
LEA: - Acaba logo com isso... (Se ajoelha) Me mata, me mata.
BIRA:- Não... Ainda não... Vai me pagar tudo que me deve. Tudo.
LEA: - Não te devo nada. Você que me explorou por todos esses anos...
BIRA:- Te dei proteção... Te fiz caridade, tendo que te satisfazer a cada vez que me procurava, e eu, por pena, te comia...
LEA: - Pena?
BIRA:- Pena. É o que sentia por você, pena.
LEA: - Pena? Satisfazer... (Rir) Quantas vezes tive que usar meu lado profissional, tendo que fingir... Fingir, sim, fingir... Tu nunca foi homem pra mim... Nunca soube o que é gozar ao teu lado.
BIRA:- Vadia!
LEA: - Qualquer Zé Mané que catava na esquina, me fazia chegar ao orgasmo... Mas você? (Rir)Menti, menti.
BIRA:- (Bate na cara dela)Sua vadia!
LEA: - Bate... Bate! Vamos bate... Bate mais, bate bastante... Que foi? Perdeu a mão? Já não é o mesmo, não é? O Bira da maloca... Aquele homem, que só de olhar, intimidava. (rir ao mesmo, tempo que chora) Bate, bate...
BIRA:- Então quer tua liberdade? (Silêncio)Tá certo, tá certo... É isso que quer? Terá. (Passa a arma pelo corpo dela) Mas, será de forma lenta, cruel...
LEA: - Atira... (Ele coloca a arma na boca dela. Engatilha, Cristal entra e se joga por cima dele, os dois caem na cama, numa briga corporal, a arma cai longe, Leia chuta para fora da cena)
BIRA:- Então o viado, salva a puta? Que cena deplorável! Acham que vão se sair bem dessa?
CRISTAL:- (Entra na frente de Lea) Deixe-a em paz, seu canalha!

BIRA:- Só saem daqui mortos. Acha que me intimida com essa merda de navalha?
CRISTAL:- Essa merda faz o maior estrago. Se afasta, cara!
BIRA:- Pago pra vê.
LEA: - Deixa a gente ir Bira...
CRISTAL:- Seu domínio sobre ela acabou... Sai fora, cara...
BIRA:- Isso é o que vamos ver.
CRISTAL:- Pensa que me intimida? Que tenho medo de um bosta como você? Igual a você já enfrentei muitos...
BIRA:- Pensa que tenho medo desse brinquedinho?
CRISTAL:- Experimenta... Vem, vem... Experimenta o estrago que esse brinquedinho pode fazer.
LEA: - Por favor Bira, libera a gente.
CRISTAL:- Experimenta machão... Vem... (Bira pega Cristal de surpresa, imobiliza-o fazendo soltar a navalha e lhe dá uma gravata)
BIRA:- Achou mesmo que esse viadinho do caralho podia comigo?
LEA: - Larga ele Bira, larga...
BIRA:- Vou largar...
LEA: - Tá ficando roxo... Vai matar o cara...
BIRA:- essa é a intenção
LEA: - Por favor, solta ele... Olha, eu faço tudo que você quiser... Eu juro, eu faço...
CRISTAL:- Não... Foge, vai embora.
BIRA:- Vou acabar contigo, sua bichinha do cacete.
LEA: - Não! (Grita) Não. Solte-o. Bira, voltamos tudo como era antes...
BIRA:- Nada será como antes...
LEA: - Por favor... Está machucando ele.
CRISTAL:- Aguento! Vaso ruim não quebra.
BIRA:- Vamos vê se não...
CRISTAL:- Ai caralho!
LEA: - Solta ele, por favor... Solta! (Cristal está quase desfalecendo. Lea num ato de desespero pega a  arma e dispara  acertando Bira, que cai se debatendo)- Meu Deus, que foi que eu fiz?!
CRISTAL:- Vamos Lea...
LEA: - Bira?
CRISTAL:- Temos que dá o fora...
LEA: - Não! (Há desespero em seu choro. Põe ele no colo)
CRISTAL:- Temos que ir agora...
LEA: - Matei Bira!
CRISTAL:- Não seja burra. A polícia logo vai cheger...
LEA: - Matei meu homem...
CRISTAL:- Mapoa, ninguém viu... Não tem como saber... Vamo logo mulher, vamos...
LEA: - Não, não... eu não queria matar meu homem... Meu homem, cara... (Grita desesperada)
CRISTAL:- Se vai ficar ai... Vou dá o fora... Não posso ficar aqui esperando a polícia chegar e me levar pro xilindró por causa de um verme como esse... (Sai)
BIRA:-
LEA: - É meu homem, cara... Meu homem. Bira?! Bira... Não, não... Matei meu homem. Meu Deus, meu homem! Bira, Bira... (Ouve-se ao longe os choros de Lea misturado com a Cilene da polícia. Aos poucos as luzes vão se apagando ficando apenas a luz de neon que entra pela janela)
F I M

março 10, 2018

BETH & LOW 3


Cena final do episódio Tudo Passa de BETH & LOW 3

SE TU SOUBESSES...

Ah, se tu soubesses como me sinto hoje...
Observarias meus olhos tão tristes,
Meu riso tímido, ornando esse silêncio intimidador.
Ouvirias meu coração 
latejante a ponto de explodir.
Não me jugarias pela aparência
cansada,
exausta.
Não criticarias minhas expressões 
De quem viveu um longo tempo
Suportando as alegrias e desventuras
De cada capítulo de livro
Chamado Vida.

março 07, 2018

Nova edição

A nova edição trás a atriz Cida Reis na capa.

Nesta edição a revista ATUAR VISION trás uma entrevista exclusiva com a atriz Cida Reis que fala sobre o prêmio de melhor atriz com a personagem Santinha Brasão da Web Novela Homem do Campo e dos novos desafios.

O ATOR E DIRETOR CAUE BONIFÁCIO RETORNA AOS PALCOS EM SÃO PAULO

Retornando aos palcos, o ator e diretor Cauê Bonifácio estreia 11/12 a peça  Hotel Lancaster Baseado na obra de Mário Bortoloto,...