junho 30, 2020

TEATRO OCIDENTAL


Falar do teatro ocidental e em tão pouco tempo, não é uma tarefa tão fácil, o ocidente é o berço de boa parte da história do teatro, desde do teatro grego e romano  acompanhando as várias fases do desenvolvimento artístico e cultural da humanidade,  até os dias de hoje.

Desde de seu surgimento no século 4 antes de Cristo, o  teatro ao longo de sua evolução acompanhou momentos importantes para cenário cultural mundial, passando por vários períodos medieval,  renascimento, romantismo, realismo, naturalismo, e por tantos outros até os dias de hoje.

o teatro faz parte da evolução humana e até hoje não sabemos  a resposta, se avida imita a arte ou a arte imita a vida, ficando uma incógnita que nos acompanha por gerações.

Procurar conhecer a trajetória do teatro ocidental implica, num primeiro momento, em buscar as suas origens, o que nos leva ao Mar Mediterrâneo, em cujas margens, na Antiguidade, desenvolveram-se diversas civilizações às quais podemos relacionar a existência de representações teatrais, e estou falando de quase 2000 ac , com os cultos realizados em datas comemorativas dedicadas as várias divindades.

Após a queda do Império Romano, tem início um período na história ocidental, mais tarde batizado de Idade Média, que compreendeu o século V ao XV da era cristã. Nesse período, coexistiram três culturas diferentes no continente europeu: a árabe, a bizantina e a feudal.

Teatro Medieval, se destaca na Europa Feudal: França, Itália, Alemanha, Suíça, Inglaterra, Holanda, Bélgica, e, paulatinamente, Portugal e Espanha (denominações atuais). Esse teatro perdurou por mil anos

Na Alta Idade Média, o teatro herdado do período clássico greco-romano, já em franco declínio, foi abertamente combatido pela Igreja Católica, tornando-se objeto de discussões em concílios papais, que impuseram crescentes ordens proibitivas, restringindo assim, o fazer teatral. As atrizes passaram a ser equiparadas às prostitutas e os atores, em geral, sofriam perseguições de todo o tipo.

Com essas perseguições, os espetáculos foram reduzidos às proezas dos saltimbancos e aos cantores e malabaristas ambulantes que realizavam pantomimas e palhaçadas em circos e feiras populares.
No entanto, em Plena Idade Média, o teatro começa a ressurgir, florescendo na Baixa Idade Média, quando justamente a Igreja se aproxima dele para educar os fiéis, a grande maioria analfabeta na doutrina cristã. Surgindo deste o teatro religioso e o teatro profano.

O Teatro religioso Surge antes do teatro profano e compreende o mistério, o milagre e a moralidade. Com destaque á  Gil Vicente (1465 – 1536), que na corte medieval portuguesa, em pleno Renascimento Europeu se destaca  sob o patrocínio de D. João III, alcançou fama e prestígio.

com suas peças denominadas Autos e Farsas, com personagens, muitos deles inspirados nos moradores e frequentadores da mesma corte.
O Renascimento, se estendeu por duzentos anos entre os séculos XVI e XVII, nesse período algumas cidades da Europa vivenciaram intensas mudanças culturais, sociais e econômicas.

No teatro, há uma profunda mutação com a criação e recriação de várias modalidades dramáticas. A vida cultural e palaciana europeia é centralizada em cidades como Paris, Londres, Madrid e Florença, o que servia de incentivo para a formação de companhias regulares de teatro.

De modo geral, as Artes louvaram e cultuaram a cultura clássica greco-romana, emancipando-se dos dogmas religiosos para se ligar à filosofia humanista, que preconizava o homem como centro de todas as coisas – o antropocentrismo.

Destaque para as seguintes manifestações teatrais: o Siglo de oro (Espanha), a Commedia dell’Arte (Itália e França), o Teatro Elizabetano (Inglaterra), e, por fim, o Classicismo Francês.
Os autores do período elisabetano trouxeram para as suas peças teatrais as tradições religiosas e populares medievais,/ Assim, as novelas de cavalaria, com seus bravos e aventureiros heróis, a mescla de mitologias e crenças religiosas, o aos estilos de tragédias e comédias que se tornaram clássicos do teatro mundial.
Outro fator de importância para o sucesso de teatro elisabetano foi a presença maciça do público em teatros que comportava de 1.500 a 2.000 pessoas, em cidades como Londres. E não tinha privilegio para burguesia não, era tudo junto misturado. Em representações duravam horas a fio.

Na Inglaterra, Shakespeare foi ator e empresário da própria companhia de espetáculos. Sua produção escrita é impressionante, como também o é a velocidade com que escrevia suas peças teatrais que são revelenciada até os dias atuais.
Na França de Luís XIV, sob o comando de Richelieu e da Academia Francesa, fundada em 1629, o extremo cuidado para criar uma obra que chegasse à perfeição formal levou os teóricos a estabelecerem regras precisas para a escrita de uma peça teatral. Dessa maneira, os autores necessitavam segui-las à risca, sob pena de serem alvos de contundentes e desastrosas críticas, e que poderiam, inclusive, pôr fim a uma carreira artística. 

Na comédia, o grande nome do classicismo francês foi Jean-Baptiste Poquelin, o Molière (1622-1673), aplaudido por todas as camadas da população e prestigiado, sobretudo, pela aristocracia e pelo próprio Luís XIV com sua Commédia dell’Arte.

Durante a segunda metade do século XIX, na França, contra o Realismo surge Romantismo no teatro.
 Acredita-se que o dramaturgo deve olhar para o mundo e para a sociedade que o compõe, analiticamente, transpondo os para o palco sem distorções ou retóricas.

A dramaturgia se enriquece com o surgimento dessa palavrinha que aparece aqui “piéce bien faite” Pis Bian Fiete, que significa peça bem feita de Eugene Scribe  IUDINI ISQUIBA (1791-1861),
que trás ao teatro a lógica e causal por meio da exposição clara das situações e dos personagens. Onde se destacam-se, a preparação cuidadosa dos acontecimentos futuros da ação dramática.

Muitos atores e dramaturgos a séculos tem deixado contribuições para a formação do teatro ocidental como o norueguês Henrik Ibsen (1828 - 1906), com suas obras de linguagem cotidiana, personagens semelhantes às pessoas reais, e não temos como deixar de citar  o russo Constantin Stanislavski mestre na arte da interpretação seguido por seu método revolucionário seguido por gerações.
Quando a gente pensa no teatro de vanguarda, estamos pensando em um teatro de resistência, que vai muito além da coisa mais poética, daquela coisa mais romantica,

é um olhar sobre a desigualdade, um desabafo, uma crítica social, que vem para expor o sentimento humano, em sua condição de fragilidade.

O teatro tem esse papel social, de nos remeter a repensar na humanidade, no contexto que estamos vivendo, / de onde viemos, pra onde vamos e principalmente onde estamos, e o teatro tem mesmo essas questões levado de forma reflexiva, o teatro esse lado social e filosófico.

O tempo não para e o teatro foi se reinventando puxando novas tendências como O EXISTENCIALISMO, TEATRO DO ABSURDO, teatro da crueldade, TEATRO ÉPICO de Brecht, 1950 O teatro este que buscava pelo o senso crítico do espectador, o teatro da crueldade Antonin Artaut (1986-1948), Figura controvertida na esfera teatral, O TEATRO POBRE DE GROTOWSKI que era o teatro que se utilizava da criatividade e da transformação a partir daquilo que se tem disponível.

VANGUARDAS NORTE-AMERICANAS surge nos anos 60 com o surgimentos de novas companhias teatrais com seu estilo próprio que mescla interpretação, dança e canto. No Brasil surge nos anos 30 uma grande revolução no cenário teatral com apresentação da peça Deus lhe pague de Camargo, representada por Procópio Ferreira e posteriormente “O Rei da Vela” de Oswald de Andrade, mas, esse é um assunto para um próximo programa.


Referências:

INTRODUÇÃO À HISTÓRIA DO TEATRO NO OCIDENTE DOS GREGOS AOS NOSSOS DIAS - MÁRCIA CRISTINA CEBULSKI


TEATRO GREGO


TEATRO GREGO
O teatro teve sua origem no século VI a.C., na Grécia, surgindo das festas dionisíacas realizadas em homenagem ao deus Dionísio, deus do vinho, do teatro e da fertilidade. Essas festas, que eram rituais sagrados, procissões e recitais que duravam dias seguidos, aconteciam uma vez por ano na primavera, períodos em que se fazia a colheita do vinho naquela região.

O teatro grego que hoje conhecemos surgiu, segundo historiadores, vem de um acontecimento inusitado. Quando um participante desse ritual sagrado resolve vestir uma máscara humana, ornada com cachos de uvas, sobe em seu tablado em praça pública e diz: “Eu sou Dionísio!”. 

Todos ficam espantados com a coragem desde ser humano colocar-se no lugar de um deus, ou melhor, fingir ser um deus, coisa que até então não havia acontecido, pois um deus era para ser louvado, era um ser intocável. Este homem chamava-se Téspis, considerado o primeiro ator da história do teatro ocidental.

Ele arriscou transformar o sagrado em profano, a verdade em faz-de-conta, o ritual em teatro, pela primeira vez, diante de outros, mostrou que poderíamos representar o outro. Este acontecimento é o marco inicial da ação dramática.

Paralelos a este acontecimento sociocultural, vão surgindo os prédios teatrais gregos, que eram construções ao ar livre, formadas em encostas para facilitar o escalonamento das arquibancadas. 

O prédio teatral grego era formado, basicamente, da seguinte estrutura: arquibancada, orquestra, thumelê, proscênio e palco.

A arquibancada era feita de pedras e sua utilização pelos cidadãos gregos era democrática, dali todos podiam assistir com a mesma qualidade de visão as tragédia, comédias e sátiras. A orquestra era o espaço central circular onde o coro, formado por dançarinos, se apresentava. 

O thumelê era uma pedra fincada no centro da orquestra destinada as oferendas para o deus Dionísio. 

O proscênio destinava-se ao corifeu, líder do coro, era o espaço entra o palco e a orquestra, e o palco, construído inicialmente de madeira e mais tarde em pedra, era o espaço destinado à exposição dos cenários e para troca de figurinos e máscaras. 

Podemos encontrar diferentes vestígios desta cultura artística em nosso teatro contemporâneo, bastando um estudo aprofundado por diferentes olhares estéticos.

Teatro de Epidauro (Argólida, Grécia). Foto: PitK / Shutterstock.com
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
BERTHOLD. Margot. História mundial do teatro. São Paulo: Perspectiva, 2004.
PEIXOTO, Fernando. O que é teatro. São Paulo: brasiliense, 1998.
PIGNARRE, Robert. História do teatro. Lisboa, PT: Publicações Europa-América, S/D.

A comedia e o Drama


A comedia e o Drama
Atenas é considerada a terra natal do teatro antigo, e, sendo assim, também do teatro ocidental. "Fazer teatro" significava respeitar e seguir o culto a Dionisio.
Conhecido como o “século de ouro” Atenas tornou-se o centro dessas manifestações culturais e reuniu autores de toda a Grécia, cujos textos eram apresentados em festas de veneração a Dioniso.
O teatro grego pode ser dividido em três partes: tragédia, comédia antiga e comédia nova.
A tragédia
Do grego "tragoidía" ("tragos" = bode e "oidé" = canto). Canto ao bode é uma manifestação ao deus Dioniso, que se transformava em bode para fugir da perseguição da deusa Hera. Em alguns rituais se sacrificavam esses animais em homenagem ao deus.
A tragédia apresentava como principais características o terror e a piedade que despertava no público. Tinha cinco atos que além dos atores contavam com um coro.
Ao contrário do drama, na tragédia o herói sofre sem culpa. Ele teve o destino traçado e seu sofrimento é irrefutável. Por exemplo, Édipo nasce com o destino de matar o pai, Laio, e se casar com a mãe. É um dos exemplos de histórias da mitologia grega que serviram de base para o teatro.
Como Autores trágicos podemos citar aqui três tragediógrafos que conhecemos, Ésquilo, Sófocles e Eurípedes escreveram cerca de 300 peças, das quais apenas 10% chegaram até nós.
Ésquilo (cerca de 525 a.C. a 456 a.C.)
Considerado o fundador do gênero, sete peças suas sobreviveram à destruição do tempo: Entra elas "Prometeu Acorrentado", e "Agamêmnon",
 Sófocles (496 a.C. a 406 .a.C.)
Importante tragediógrafo, também trabalhava como ator. Entre suas peças estão a trilogia "Édipo Rei", "Édipo em Colona" e "Antígona".
Eurípides (485 a.C. a 406 a.C.)
Pouco se sabe sobre sua vida. Ainda assim, é dele o maior número de peças que chegaram até nós. São 18 no total, entre elas: "Medéia" "As Bacantes" e "Electra"
A comédia antiga
A origem da comédia é a mesma da tragédia: as festas ao deus Dioniso. A palavra comédia vem do grego "komoidía" ("komos" remete ao sentido de procissão).
Na Grécia havia dois tipos de procissão que eram denominadas "komoi". Numa, os jovens saiam às ruas, fantasiados de animais, batendo de porta em porta pedindo prendas, brincando com os habitantes da cidade. No segundo tipo, era celebrada a fertilidade da natureza.
Apesar de também ser representada nas festas dionisíacas, a comédia era considerada um gênero literário menor. É que o júri que apreciava a tragédia era nobre, enquanto o da comédia era escolhido entre as pessoas da plateia. A comédia falava de homens comuns.
A mais forte característica do ator grego, estava na máscara cujas relações com os ritos primitivos, eram evidentes.
Nos ritos primitivos a máscara ritual não é um objeto qualquer. é um objeto sagrado.
Na tragédia, a veste principal era o quiton (chitón), diferente do cotidiano por ter mangas largas e cores variadas e pela cintura muito alta, disposta logo abaixo do busto.
O coturno (kóthornos), sapato de solas grossas e pintadas e o onkos (alto adorno da cabeça acima da máscara) davam ao intérprete dimensões fora do normal.
Alguns truques para melhor caracterização das personagens:
Visualmente, as máscaras primitivas são abstratas. Elas partem do real (formas geométricas, linhas, triângulos, indicando nariz, olhos, etc), mas expressam o não real, As máscaras primitivas ao representarem o espírito do homem ou do animal, um ser mutuante, algo entre homem e animal, são como que uma ligação entre um e outro. Esses rituais apresentam fragmentos da vida terrena, insinuando uma outra realidade.
Máscaras especiais eram exigidas por personagens mitológicas e alegóricas como Io, de chifres, Argos de muitos olhos, as Fúrias, cujos cabelos eram serpentes, e figuras alegóricas como a Morte, a Forca, a Loucura.

TEATRO BRASILEIRO


Antes da invasão dos Portugueses no Brasil, tínhamos nessas terras aproximadamente em torno 3.000.000 habitantes divididos entre 1.000 povos diferentes, sendo que aproximadamente 2.000.000 estavam estabelecidos no litoral do país e 1.000.000 no interior.

Esses povos indíginas exibiam uma rica cultura, apesar de terem pertencido a vários grupos diferentes com pontuais diferenças de comportamento e cultura, tinham  tinham religião, hábitos, costumes e comportamentos similares,  Elementos esses que influenciou muito nossa cultura por suas danças, batuques, pinturas, vestes e toda sua diversidade!

A história do teatro no Brasil teve início em meados de 1500, quando os portugueses chegaram às nossas terras e nos tornamos colônia de Portugal.

Em um primeiro momento, essa forma de arte foi utilizada pelos padres jesuítas comandado por José de Anchieta com o intuito de catequização dos índios, uma vez que estes já apresentavam simpatia por música e dança e impactava muito mais que um sermão. Para isso representava suas peças conhecidas como autos que consagrava a vida dos santos, em praças, colégios e igrejas.

No entanto, foi só com a chegada do Romantismo, no século 19, que a prática teatral se desenvolveu no país e grandes nomes começaram a surgir.

A preocupação inicial da prática teatral no Brasil era movida por interesses religiosos e não havia tanto cuidado com o aspecto artístico, mas sim com o pedagógico. 

No século XVII começaram a surgir peças teatrais que celebravam acontecimentos políticos e algumas festas populares — muitas delas parecidas com o carnaval, pois as pessoas desfilavam com adereços e tocavam instrumentos enquanto dançavam pelas ruas.

No século XVII, com o declínio do teatro jesuítico, houve escassas manifestações teatrais, surgissem alguns autores, com marcada influência do teatro europeu. Nesse mesmo período surgem as primeiras casas de espetáculos com elencos estáveis. Destaque para Antônio José, O Judeu (1705-1739) com grande contribuição ao teatro com suas comédias e tragicomédias.

O primeiro teatro do Brasil CONHECIDO COMO O TEATRO DO PADRE VENTURA (1830 a 1833) Ficava no Rio de Janeiro conhecido como Casa da Ópera. Não que esta casa apresentasse óperas, mas por conta do nome ópera remeter as artes envolvidas numa obra, como dança, canto, música e representação. A Casa da Ópera abrigava, acrobacias, mágicas, lanternas, danças, teatro de prosa, solos instrumentais, trechos de óperas, e muita coisa mais.

O Teatro do Padre Ventura pegou fogo em 1769 e tudo indica que, tiveram início as atividades do Teatro Régio,  muito mais desenvolvido e bem aparelhado, situado ao lado do Palácio dos Governadores, chamado de “Paço Imperial”, cujas atividades perduraram até 1813, ano da inauguração do Teatro São João, hoje conhecido como Teatro João Caetano.

Há relato de um o almirante francês Bougainville que lá esteve e deixou relato escrito, no qual diz que lá um elenco “de mulatos”, em uma sala “muito bela”, executava e representava trechos dos mestres italianos, com uma orquestra dirigida por um “padre corcunda”.

O carioca, João Caetano, é um dos grandes nomes do teatro brasileiro do século 19 de empresário e ensaiador, era autodidata na arte dramática. Referência na reforma do cenário teatral brasileiro com suas ideias. Nos deixa duas grandes obras que serve de referências as novas gerações: “Reflexões Dramáticas” (1837) e “Lições Dramáticas” (1862). Teve a preocupação em abriu uma escola de teatro com ensino gratuito e também criou um júri para avaliar e premiar as produções teatrais no país.

Mas foi com a chegada da família real no século XIX que o país vivenciou um marco no desenvolvimento de seu cenário teatral,. Isso se deu pelo Decreto de 28 de maio de 1810, assinado por D. João VI, que visava à construção de teatros de qualidade para a nobreza. Porém, as peças encenadas vinham da Europa, principalmente da França, e em nada traduziam a cultura brasileira.

Em busca da nacionalidade iniciou-se a transição a um teatro nacional, impulsionada pelos sucessos políticos da Independência (1822) e da abdicação de D. Pedro I (1831). Organizou-se o primeiro elenco dramático brasileiro (1833) e a primeira regulamentação do teatro; mas também foram dados os primeiros passos para censura teatral, que veio com a implantação do Conservatório Dramático, em 1843.

Com o romantismo (1838-1870), o Brasil vive um teatro acentuadamente nacionalista, iniciado com a tragédia Antônio José (1838), de Gonçalves de Magalhães, e também com um dos maiores representantes do teatro brasileiro Matins (1815-1848) considerado o Molieère brasileiro. O Juiz de Paz na Roça É a primeira comédia de costumes brasileiro, tem 23 atos e foi escrita por Martins Pena em 1838 (1815-1848) — é considerada uma das melhores obras dramáticas do Brasil, com críticas sociais aos costumes do Rio de Janeiro. Sua primeira encenação nos palcos aconteceu em outubro de 1838.

De 1850 em diante, os autores românticos mais importantes, que se destacaram no Brasil nomes como José de Alencar (1829-1877) e Joaquim Manuel de Macedo (1820-18820), QUE passaram a escrever também para teatro, disputando cada vez mais a concorrência estrangeira o gosto do público.

Os gêneros se diversificaram: tragédia, comédia, drama – no qual sobressaía Gonçalves Dias. trazendo renovações nos processos cênicos com a nacionalização, eliminando a fala portuguesa na cena. E para esse feito contou com o apoio do ator João Caetano.

Nos primeiros anos do século XX surgiu, a experiência realista, com os chamados “dramas de casaca” e a preocupação com a “verdade” na arte. Foi fundada a Ópera Lírica Nacional (1857) e a primeira Escola de Arte Dramática (1861, no Rio de Janeiro). A comédia de costumes permaneceu com força, tendo em França Júnior (1838 - 1890).  um novo e significativo autor.

Multiplicaram-se autores , obras também em outros gêneros, e destacando outros autores como: Coelho Neto (1864-1934), Artur Azevedo (1837-1913) que criador da estética brasileira, com o desenvolvimento da comédia e do gênero “revista”,
absolutamente original e adiante de seu tempo, José Joaquim de Campos Leão (1829-1883), cognome Qorpo-Santo, deixaria uma obra pela qual seria taxado de louco por seus contemporâneos e só quase um século depois reconhecido.

Machado de Assis (1839- 1908), esse grande escritor brasileiro também teve uma importante participação no desenvolvimento da dramaturgia nacional. Assim como Azevedo, traduziu diversas peças de teatro francesas e foi crítico atuante no Conservatório Dramático. Também deixou algumas peças de teatro.

A partir de SÉCULO XX, o teatro se consagrou e sobreviveu a todas as crises políticas que o país enfrentou, inclusive a ditadura de 1937 a 1945 e o Golpe Militar de 1964.

À medida que o século avançava foram surgindo tentativas desenvolvimento da linguagem dramática e cênica, como as de Álvaro Moreyra (Teatro de Brinquedo – 1927), Renato Viana (Caverna Mágica – 1928 – e Teatro de Arte – 1929). Crescia a preocupação com um teatro infantil com formas específicas de texto e montagem.

Fundavam-se e desenvolviam-se associações de classe, como a Sociedade Brasileira de Autores Teatrais (SBAT – 1917), a Casa dos Artistas (1914), ou entidades culturais como a Academia Brasileira de Teatro (1931) e a Associação Brasileira de Críticos Teatrais (1937).

Expandia-se cada vez mais por todo o país a atividade teatral, através de grupos amadores e formas de teatro experimental. Criou-se um órgão governamental, o Serviço Nacional de Teatro (1937). Crescia, em outros pontos do país, o número de escolas de arte dramática.

Tentativas individuais de renovação, pelo menos temática, surgiram com Deus lhe pague, de Joracy Camargo, incorporando ideias marxistas, ou Sexo, de Renato Viana, aportando teses freudianas, ou ainda Amor, de Oduvaldo Vianna, trazendo o tema-tabu do divórcio em uma estrutura dramática já ligeiramente modificada.
Uma iniciativa pioneira digna de registro foi a de Flávio de Carvalho (1899-1977), em seu Teatro de Experiência montou O baile do deus morto (1933), PEÇA ESSA QUE FOI CONSIDERADA UM ATENTADO, à moral e à religião, foi fechado pela polícia em sua terceira apresentação. Mas suas sementes frutificaram em A morta e O rei da vela (1937), de Oswald de Andrade.

No Estado Novo Getúlio Vargas, um grupo amador formado por profissionais liberais e personalidades da sociedade, sob direção de Brutus Pedreira e Santa Rosa, realizou a encenação que seria considerada o início da modernidade: a de Vestido de noiva (1943), de Nelson Rodrigues (1912-1980), com direção de Ziembinski (1908-1978) Zbigniew Marian Ziembiński.

De Ariano Suassuna, O Auto da Compadecida foi encenada para primeira vez em 1956, em Pernambuco, e dirigida por João Cândido. Seu sucesso se deu ao misturar de maneira inteligente elementos do barroco católico e da cultura popular, passando pelo cordel e pela comédia. Em 1999 virou filme e é celebrado até hoje.

Mas foi com o Teatro de Arena (1953) que surgiu realmente uma nova estética, dando novos ares a Dramaturgia, e lançou também inúmeros autores: Flávio Migliaccio Eva Wilma Sérgio Britto José Renato, Vianninha (1936-19740, Roberto Freire (1927-2008), Guarnieri (1934-2006), Benedito Rui Barbosa, Chico de Assis (1933-2015), que transformaram o teatro num Laboratório de Interpretação, com as características brasileiras dos personagens na cena e até incluso as possibilidades de uma leitura nacionalizada dos clássicos.
Segundo esse exemplo, um grupo amador de estudantes da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP) surgiu o Teatro Oficina (1958), preocupado em estudar a formação cultural do país e investigar a estrutura do capitalismo e suas repercussões socioculturais.

O Pagador de Promessas, Escrita por Dias Gomes, teve sua estreia em 1960, no Teatro Brasileiro de Comédia, em São Paulo.

Tempos tenebrosos! O palco amordaçado, isso o corre na década de 60 a implantação da ditadura militar e o golpe que derrubou o presidente do Brasil João Gular em 64. Tornando a vida dos artistas e produtores de teatro um inferno, não só pela severa censura, como pelo fechamento de teatros, prisões, torturas e “desaparecimento” de autores, atores e diretores.

Com a década de 1980, após a chamada “abertura política”, o experimentalismo e a investigação fizeram surgir uma nova onda de diretores, Essa nova onda que invadia o cenário teatral tem na diversidade o principal aspecto do teatro dos anos 80.
O período é caracterizado pela influência do pós- modernismo movimento marcado pela união da estética tradicional à moderna. Como  expoente dessa linha Temos o diretor e dramaturgo Gerald Thomas.
Na dramaturgia chama a atenção o predominio do besteirol – comédia de costumes que explora situações absurdas.

Temos também teatro essencial com a atriz performática Denise Stoklos que desponta internacionalmente em carreira solo. O espetáculo Mary Stuart, apresentado em Nova York, nos Estados Unidos, Com esse novo gênero que utiliza o mínimo de recursos materiais e o máximo dos próprios meios do ator, como o corpo, a voz e o pensamento.

A Década de 90, no campo da encenação, a tendência à visualidade convive com um retorno gradativo à palavra por meio da montagem de clássicos. 

Com experimentalismo o teartro alcança sucesso de público e crítica. O diretor realiza suas encenações em espaços cênicos não - convencionais.

E nomes como Bia Lessa, Gabriel Villela, Sérgio de Carvalho, com sua Companhia do Latão, Marcos Caruso, que leva mais de vinte cinco milhões de espectadores ao teatro com sua peça trair e coçar é só começar.

Miguel Falabella em 1991. Com a Partilha, comédia dramática, ficou 6 anos em cartaz e foi encenada em 12 países.

Anos 90 é um período onde há abertura teatro para grandiosas montagens e os grandes musicais e as óperas. chegam ao Brasil e caem no gosto refinado dos frequentadores de teatro. 

Como pudemos perceber, o cenário teatral brasileiro possui uma história muito rica e diversa, com opções que agradam todos os gostos e idades. Apesar da forte influência europeia, principalmente francesa, aos poucos os dramaturgos encontraram sua voz e transformaram o teatro em uma arte bastante democrática.

O Teatro Brasileiro de Comédia (TBC) inaugurado em 1948 por iniciativa do industrial italiano Franco Zampari, com o apoio financeiro de parte da elite paulistana.
 o TBC foi a sede de uma companhia teatral homônima, que nasceu com o objetivo de ser um espaço para o teatro amador da cidade de São Paulo Teatro, Se destacam nesse cenário atores de grande importacia para o tetro nacional como:  Sérgio Cardoso,  Paulo Autran, Tônia Carrero,  Cleyde Yáconis,  Cacilda Becker,  Walmor Chagas,  Nydia Licia,  Fernanda Montenegro  e  Fernando Torres (ator), entre outros.
Augusto Boal (1931-2009) foi um dos dramaturgos que mais contribuiu para a criação de um teatro genuinamente brasileiro e latino americano.

Desde do início de sua carreira, no teatro de Arena, Defensor do Teatro do Oprimido, técnica que o tornou mundialmente conhecido, passando, sua preocupação em criar uma linguagem que pudesse traduzir a realidade do seu país, uma maneira brasileira de falar, sentir e pensar.

A intensificação da censura, nos anos 70, atingiu bastante o teatro brasileiro, e ideológica, exercendo uma repressão moralista, puritana, que investia contra sinais de uma liberdade no palco.
 Que se tornava cada vez mais comum nos centros desenvolvidos, como a liberdade de linguagem – o escandaloso palavrão – e a mais escandalosa ainda moda da nudez.

Mas o principal alvo da censura ditatorial era, como seria de esperar, o teatro político, especialmente se ele ousava referir-se diretamente à realidade brasileira.

Commedia Dell'Arte


Commedia Dell'Arte
Surgida na Itália entre os séculos XV e XVI, a “Commedia dell’arte” vem em oposição  à “Comédia Erudita”, se afirmando plenamente até o século XVII.

a “Commedia dell’arte” também é conhecida como “Commedia All’improviso” e “Commedia a Soggetto”. Suas apresentações eram feitas pelas ruas e praças públicas, A trupe ao chegar em uma cidade pediam permissão para se apresentar, em suas carroças ou praticáveis, pois eram raras as possibilidades de conseguir um espaço cênico adequado para suas apresentações.
 As companhias de commedia dell’arte eram itinerantes e possuíam uma estrutura de esquema familiar, excepcionalmente contratando um profissional.

A  ação cênica, ocorria no improviso dos atores, que passavam a ser os autores dos diálogos apresentados, seguiam apenas um roteiro, que se denominava “canovacci”, possuindo total liberdade de criação; os personagens eram fixos, e muitos atores desta estética de teatro viviam seus papéis até a morte.

Os personagens pertenciam a três categorias sociais: Os zanni (zani) criados de classe social baixa, Os vecci (vequi) Velhos de alta classe, e inamorati, os amantes que não usam mácaras. Os pesonagens mais importantes commedia dell’arte  eram: Arlequim, Pantaleão, Capitão, Polichinelo e a Colombina.

O Arlequim possuía habilidades acrobáticas, era um servo astuto e ignorante, um pouco ingênuo, e estava sempre envolvendo as pessoas em confusões.

O Pantaleão era um comerciante idoso e mesmo com a idade avançada costumava se apaixonar facilmente, no entanto era avarento.
O Capitão era um militar que gostava de festa, fanfarrão, mas com uma enorme insegurança, própria dos covardes.

O Polichinelo era um criado simples e gracioso, que gostava de uma boa macarronada.

Pierrô, um palhaço triste e apaixonado por colombina.
 Já a Colombina era uma criada com extrema agilidade, esperta e inteligente, ela costumava tirar proveito de todas as situações. Apaixonada por Arlequim, tentava transformá-lo em uma pessoa mais sofisticada, coisa impossível. Só lhe restava, amá-lo como éra.

Scaramuccia (Scaramuchi) pilantra contador de mentiras e covarde.

Dottore, Homem intelectual e avarento, podia ser médico ou advogado.

Brighella, um criado briguento, trapaceiro e egoísta.

Inamorat – Inamorata, Jovens e apaixonados, a Inamorata geralmente conhecida como Isabela.

Sua dramaturgia era toda baseada em improviso conhecidas como lazzi (latchi) com ações  ensaiadas e estruturadas.  Mesmo não é dado valor literário para a commedia dell’arte por não ter numa fonte de origem dessa manifestação artística.

Os temas mais abordados era o adultério, a velhice e o amor. Os personagens englobavam o ancestral do palhaço moderno. O diálogo e a ação poderiam facilmente ser atualizados e ajustados para satirizar escândalos locais, misturados com piadas e bordões.
As máscaras utilizadas pelos atores em cena deixava parte do rosto livre para facilitar a dicção.

Com figurinos coloridos, alegria e espontaneidade nas cenas, e ainda o domínio dos personagens, cada ator e atriz emprestar sua própria vida a arte. A commedia dell’arte esbarra, de forma paradoxal à liberdade de criação, com a limitação de interpretação, pois quando um ator fica especialista em sua personagem, fazendo apenas um determinado papel, se torna repetitivo e “pobre” em relação a maior característica da Arte: a inovação.

Mas, foi no século XVIII a commedia dell’arte entrou em declínio, tornando-se vulgar e licenciosa, então alguns autores tentaram resgatá-la criando textos baseados em situações tradicionais deste estilo de teatro, mas a espontaneidade e a improvisação textual era a essência desta arte, então a commedia dell’arte não tardou a desaparecer.

Um dos autores que muito trabalhou para este resgate foi o dramaturgo italiano Carlo Goldoni (1707-1793).

As companhias itinerantes levaram as suas peças a todas as grandes cidades da Europa renascentista, deixando sua marca França, Espanha, Inglaterra, entre outros. Mais tarde, dramaturgos como Bem Jonson, Molière, Gozzi vão inspirar-se nas personagens da commedia dell'arte para manter viva uma arte que escreveu seu estilo na história do teatro mundial.

O MELODRAMA


O MELODRAMA
Melodrama tem sua origem no século XVII associada à ópera e Também à opereta italiana unindo música e texto, que posteriormente ajuda a compor o estilo que tratará da melodia do drama.
A palavra “melodrama” é originária do francês “mélodrame”. Etimologimamente é formada pelos termos “melos” (grego), que significa som, e “drame” (latim antigo), que significa drama.
Esse movimento estético aparece com força na Alemanha e França, nas últimas décadas do século XVIII. Mas se impõe como estilo artístico no XIX, através da forma final francesa - caracterizada pelas encenações populares dos Boulevards (du Crime) - e ao lado do drama romântico.
Mas é em “O Mercador de Londres” de Lillo (1732), em que a peça aborda assassinato, amor e vida cotidiana, começa a aparecer os primeiros tons do “Melodrama”. Foi neste mesmo período que Diderot lançou sua teoria sobre o Drama Burguês.
O francês René-Charles Guilbert de Pixerécourt (1773-1844) foi um dos autores mais importantes de melodramas de sua época, escrevendo um número aproximado de cem peças. É considerado o criador do Melodrama, em 1800 com sua obra Coeline, onde utilizou diversas máquinas, cenas de combate e danças para construção de suas cenas, alternando elementos estéticos da tragédia e da comédia. Outros grandes representantes desta forma de teatro são: o inglês Thomas Holcroft (1745-1809), o alemão August Friederich Von Kotzebue (1761-1819) e, nos Estados Unidos Dion Boucicault (1822-1890).
No Melodrama os problemas do povo são argumento dramatúrgico principal, e não apenas suporte das histórias da classe dominante. Trás aos palcos  operariado que vem de um passado de desilusões, onde a Revolução Francesa - e seus ideais de Liberdade, Igualdade e Fraternidade – abria uma fleta apoio à plebe, que vê a burguesia ocupar o lugar da corte e influenciar na cultura local.
 As Companhias de Melodrama faziam parte da mesma classe social que as personagens do seu drama. Os atores melodramáticos atuavam para a massa miserável e honesta que amavam, e não para a burguesia e corte, e tratavam em suas peças personagens, expondo na trama os seus conflitos cotidianos.
No Melodrama aparece temática do povo numa forma que lhe é estranha – a aristocrática: a escola melodramática é ingênua no seu propósito ideológico de representar o pensamento do povo, pois imita a estética do patrão como a ideal.
 O operário está em cena numa troca de papéis com aristocracia, expondo de forma sentimental e óbvia seus problemas diários, sem uma leitura crítica e consciente deles. Baseando-se passado de submissão e servilismo, identifica-se cegamente com as formas aristocráticas, e parece desejar mais desbancar seus representantes e tomar o seu lugar, do que necessariamente destruir este universo para construir um novo.
As personagens recebem um tratamento moralista e maniqueísta - existe o grupo dos bons e dos maus, dos heróis e dos vilões – e o senso de justiça é exacerbado – o vício será punido e a virtude recompensada. A antiga aristocracia e os poderosos em geral são colocados no grupo negativo, e a plebe no positivo. Não existe leitura humana destas figuras: ou são malvadas, ou são bondosas. Se porventura algum poderoso é apresentado de forma favorável, é porque irá se apaixonar pela pobre donzela e carregá-la – junto com sua família – para o conforto do seu palácio.
As matrizes temáticas preponderantes são a pobre mulher que é obrigada a prostituir-se e abandonar seu filho; a velha senhora doente que é despejada por não poder pagar a sua renda; os dois gêmeos deixados na porta da Igreja numa noite fria de Natal e separados, reencontrando-se depois de vinte anos... Os conflitos são encenados até as últimas consequências, tudo sobre o fato ali em cena é dito, não sobrando um centímetro de suposição para a imaginação do espectador.
Apesar da tão comentada fragilidade do argumento e texto melodramático, sua permanência explica-se provavelmente por ter nascido de um desejo genuíno de valorização de uma classe. O ator e sua performance, o domínio técnico do seu corpo e da sua voz, honrava indiretamente a audiência que o assistia, ao se ver representada com glamour e profissionalismo no palco. O contato efetivo e a identificação com a platéia eram inquestionáveis.
Se a dramaturgia é pobre, os espetáculos são vivos, com roteiros onde o ritmo é estabelecido pelo contraste entre momentos de desespero ou tristeza seguidos por ápices de euforia ou contentamento.
As Companhias de Melodrama eram geralmente pobres, e quando são transferidas do boulevard para o prédio teatral, não têm recursos para investir nos aspectos materiais da encenação.
No melodrama tudo é muito, muito exagerado. Os atores destacam-se pelas suas virtuosas atuações, não constroem personagem e sim atitudes padrão para os tipos elaborados através de uma ótica dual: o conde explorador, a enfermeira bondosa, etc. Começam a desenvolver habilidades para identificação da personalidade, preocupando-se em mostrar como a florista rega suas flores, de que forma o malvado estrala seu chicote, etc.
O melodrama apresentado no circo brasileiro é uma forma constante de manifestação teatral circense que pode ocorrer entre as atrações do circo. De certa forma segue algo do estilo do melodrama teatral do final do século XIX, desenhado em ações, com conflitos polarizados, através de uma dramaturgia simples, baseada em conflitos familiares, atuado de uma forma grandiosa ou exagerada, tendo em vista os padrões de interpretação atuais que sublinham o natural.
Fernando Neves, autor, dramaturgo, ator e pesquisador, descendente de  família circense, se dedicou a estudar gênero e traçar sua história no circo teatro através do tempo por meio de suas experiências com melodrama como uma herança cultural adquirida e passada por gerações por seus familiares circenses.
Em função da popularidade e habilidade interpretativa, o Melodrama começa gradativamente a sair dos boulevards e a ser apresentado nos grandes teatros, incorporando-se ao ambiente da encenação principal. Ao colocar o oprimido como protagonista da peça oficial, afasta por os grandes heróis, deuses e reis do palco - com suas questões abstratas e existenciais - e aproxima o homem comum e mundano, com seus motivos sentimentais e concretos, embora ainda obedecendo na forma exterior a estética dominante.
A atuação melodramática pode ser abordada a partir de um caminho sensível, fazendo o ator acreditar na sua técnica e trabalhar seu virtuosismo de forma sincera, evitando o deboche e a paródia ao estilo, a “canastrice” - que não deixa de ser uma avaliação crítica a ele. Deve procurar um ponto de identificação com a narrativa. Com a ação bem construída e a pausa sugerida por pontos fixos - que é o momento onde o ator dialoga corporalmente com a audiência e pela sua resposta pode medir o nível de comunicação com ela. É um teatro de muita ação e pouco texto; atenção ao silêncio e respeito ao tempo das palavras. Não há construção naturalista de personagem e sim elaboração de atitudes para figuras específicas.
O ator desenvolve um trabalho pedagógico cujo eixo é a cena convencional que considera a especialização em determinado tipo de papel - suspendendo, entretanto, a poética do teatro de convenção - para tomá-la como meio de manifestação de um temperamento artístico do ator.
Na construção do corpo melodramático, observa-se: suspensão e sustentação corporal; habilidade em manusear diversos pontos fixos para estabelecer o contínuo comentário mudo com a platéia (olhar o vilão –o suspiro da mocinha)
O melodrama teatral surgiu com grande sucesso de público em temporadas que, pela primeira vez na história do teatro, ultrapassaram as mil representações, isto o fez o primeiro gênero teatral de características internacionais. Seu fundador é o dramaturgo frances René-Charles Guilbert de Pixérécourt (1773-1844) e os principais representantes em outros países são: o inglês Thomas Holcroft (1745-1809) seu introdutor na Grã Bretanha, o alemão August Friederich von Kotzebue (1761-1819) e, nos Estados Unidos, Dion Boucicault (1822-1890).
Seu sucesso duradouro o tornou no principal gênero teatral e literário do século XIX e, posteriormente, fez com que o melodrama teatral fosse absorvendo e exportando elementos a todos os estilos, formas e gêneros artísticos que surgiram durante este período, principalmente o folhetim.
Ao final do século XIX, as novas propostas estéticas que surgiam, entre elas o naturalismo, acabaram negando muitas das formas super utilizadas de interpretação do melodrama, que foram consideradas anti-naturais, o que disseminou um excessivo valor negativo a tudo que fosse considerado melodramático, que se tornou sinônimo de uma interpretação exagerada, anti-natural, assim como de efeitos de apelo fácil à platéia. O início da cultura de massas no século XX veio trazer mais confusão a este gênero de sucesso

TEATRO ORIENTAL


TEATRO ORIENTAL
O teatro oriental, que é originário de cerimônias religiosas, se desenvolveu desde o ano 2000 a.C. Vamos falar um pouco desse teatro desenvolvido pela china, Índia e Japão.
O teatro chinês evoluiu ao longo de seis séculos de espetáculos, acontecia ao ar livre na porta dos templos, era muito literário e tinha conversões rígidas, até que no século 19 se torna uma forma artística bastante sofisticada e passou a ser dominado pela Ópera de Pequim.
Nela se dá importância primordial à interpretação, ao canto, à dança e às acrobacias, mais que ao texto literário. Sob o governo comunista a temática se modificou, mas o estilo e representação foi mantido.
O teatro japonês surgiu sob duas formas, o refinado conhecida como Nô; e um teatro mais popular, chamado kabuki.
O teatro japonês é talvez o mais complexo do Oriente. Seus dois gêneros mais conhecidos são o Teatro Nô e o kabuki.  Sendo Nô, o teatro clássico japonês, é estilizado, uma síntese de dança-música-teatro.
Tem estreita relação com o budismo zen. Outros gêneros dramáticos são o bugaku, um sofisticado teatro dançado e um teatro de bonecos ou marionetes chamado bunraku.
Na Ásia, o teatro de títeres continua sendo uma forma artística popular, sobretudo na Indonésia, em que se utilizam enormes bonecos, sobre um palco elevado, para contar histórias.
Uma representação pode ser valorizada por meio dos figurinos, da maquiagem, dos cenários, dos acessórios, da iluminação, da música e de efeitos especiais, que podem servir para criar a ilusão de lugares.
Quanto aos atores é preciso que haja domínio dança, expressão e agilidade corporal e às habilidades vocais mais que à interpretação psicológica.
Olha só que curioso, Em relação ao público, é um teatro de participação. As representações costumam ser demoradas e os espectadores se movimentam, comem, conversam e até interagir com o espetáculo em momentos que mais o chama a atenção.
Um dos exemplos que devemos aprender com os orientais é de como eles valorizam e preservam seus costumes, sua história e cultura, passando de geração a geração, e o teatro não fica de fora sendo representado repassando suas lendas, crenças e tradições.

O teatro indiano, floresceu nos séculos IV e V. Baseava-se em histórias tiradas da épica hindu, como o MahabHarata e o Ramayana. O palco apresentava decoração trabalhosa, mas não se usavam técnicas de representação.
Os movimentos de cada parte do corpo, a recitação e a canção eram rigidamente codificados. As marionetes e o teatro dançado, sobretudo o kathakali, também foram grandemente apreciados em vários momentos da história da Índia.
Bom, como dar pra perceber, apesar de muitas referencias em comum, cada um tem desses lugares aqui citados tem suas especificidades e importância na construção da cultura de seus povos. E é lógico que não dá pra falar tudo sobre o teatro oriental em tão pouco tempo, sendo preciso algo muito além de uma pincelada na historia do teatro oriental.

TEATRO AFRICANO

Na origem, o teatro não é arte, é função social. Serve para transmitir conhecimento, para passar tradições, para costurar a História, que na África se construiu da fala, da tradição oral.
O conceito do drama grego chega centenas de anos depois para incitar uma explosão química entre as duas formas, tornando-as inextricáveis. O mundo da tradição oral e toda sua carga cultural passam a permear o espaço do palco grego, recheando suas veias. As mensagens de antes acham novos meios e os conhecimentos ancestrais continuam a ser transmitidos, porém de uma nova plataforma.

A arte na África representa os usos e costumes das tribos africanas. O objeto de arte é funcional e expressam muita sensibilidade. A figura humana nas representações artísticas, como na pinturas e esculturas já revelam a preocupação com os valores morais, étnicos e religiosos.

Suas representações para incorporações de espíritos acreditando nas forças mágicas e na comunicação com o sobrenatural.
As máscaras tem significado místico e de suma importância na arte africana, muito utilizada em rituais e funerais. Mascaras estas que são confeccionada de metais, marfim, barro ou madeira, estabelece a conexão com o divino ou profano para a purificação e a ligação com o entidade sagrada.

Esse teatro que é muito colorido, com figurinos chamativos e completamente alegres, uma intensificação sensível a figura humana.
Os recitais dos vilarejos acham espaço nas apresentações contemporâneas, abrindo caminho nas estradas do teatro moderno. O modo multidisciplinar de narrar histórias incide também sobre as peças que tornam música, dança e contos indissociáveis da arte africana.
O roteiro vem sempre banhado de vitalidade, implícitos e explícitos de lições de vida e de ética e de conclusões morais. Nasce um teatro político e engajado, que sabe rir do desastre sem deixar de denunciá-lo.

O teatro africano contemporâneo tem seu desenvolvimento influenciado pelas raízes europeias, lembrando que, boa parte dos africanos, lutaram na segunda guerra mundial, tanto na frente de batalha pela Inglaterra, França ou Portugal. Isso de certa forma iria influenciar na cultura local.

De um paradoxo criado por um teatro que perdoa e não esquece, começam a se formar grandes escolas de pensamento do drama e apreciados intelectuais da área como Cont Mlhanga no Zimbábue, Sidiki Bakana na Costa do Marfim, Falaba Issa Traoré no Mali e Hubert Ogunde, considerado o pai do teatro moderno na Nigéria.

Com eles, surgem: o teatro de sensibilização, teatro fórum, teatro da verdade, teatro para ação comunitária ganham força nas comunidades rurais e urbanas destacando os temas de preocupação e desenvolvimento social e formando uma espécie de arte funcional contemporânea. Um contexto que promove no continente o surgimento de grandes festivais de teatro, revelando e incitando o melhor do drama africano.
Trata-se de um teatro comprometido, inclusive militante, feito para defender a identidade de um povo que tem conseguido sua independência.

Didático é o teatro que pretende instruir o seu público, convidando-o a refletir sobre um determinado problema. Um exemplo é a sociedade Africana, que sentiu a necessidade do teatro didático, no sentido de contribuir para a valorização do homem africano, pelo fato do teatro ser a forma mas viva e direta, ele poderá ser útil na formação do homem africano
Existem duas tradições teatrais estabelecidas na África do Sul: a africana, desenvolvida com o passar dos séculos e a europeia, introduzida na cultura da África há dois séculos e meio. 

Recentemente, uma nova tradição híbrida desenvolveu elementos contidos nas duas antigas.
Mesmo com tanta pobreza que existe na África eles continuam lutando para ter um bom teatro, a força e as possibilidades do teatro negro resistiram e ainda conservam suas especificidades. A África independente está tomando forma de um novo teatro, cada vez melhor.

Os principais grupos de teatro africanos são: ArtScape, The Shout African State Theatre, Theatre on Ths Bay, Teatro Baxter decape Towe, Civic Teatre, The Soude Stage entre outros.

O TEATRO INFANTIL


No século XVI, o teatro religioso didático, moralizador e de catequese do padre jesuíta Anchieta, contava não só com atores, mas também com público infantil. No entanto, esta participação ativa de crianças nos seus autos religiosos se dava, por Anchieta acreditar no impacto que essas  crianças teriam na formação e conversão religiosa e moral dos nossos índios.
É período medieval, no final do século XIII, que se percebe, a falta de sentimento para com a infância, onde a criança está inserida no contexto da vida adulta, ou seja, a criança era vista como uma miniatura, replica do adulto.
Não havia uma visão especifica que beneficiasse esses seres, acreditava-se que a criança, era uma página em branco, e cabia aos adultos, seus tutores, preencherem esta página em branco, com seus costumes, morais e crenças, sem respeitar quais quer diferenças de pensamentos ou individualidade.
Foram preciso mais de um século para que a criança fosse vista como um ser, autônomo, único e com suas especificidades. Mas, este é, um outro, assunto, que nos serve para introduzir o nosso tema de hoje: o teatro infantil.
Em meados do século XVII e XVIII, havia os teatros de marionetes e fantoches que se apresentavam ao ar livre, portanto eram assistidos por crianças também. No entanto, podemos dizer que apesar do estreito laço que este gênero sempre manteve com o teatro infantil, seus temas e formas de representação estavam mais próximos do público adulto do que do infantil.
O Teatro Infantil no Brasil chega a seis décadas de historia, E tema em resistir ao tempo, as dificuldades em busca de levar ao seu público, neste caso, infantil, uma experiência mágica revisitando os mais diversos tipos de histórias e contos infantis, envolvendo os pequenos, em um mundo mágico, cheios de aventuras e muita criatividade.
Mas a primeira dramaturgia brasileira infantil: O Casaco Encantado, de Lúcia Benedetti, em 1948, revelou uma dramaturgia dotada de valor artístico e sem cunho pedagógico ou moralizante. O espetáculo fez muito sucesso.
E foi a partir do sucesso desta peça, que artistas de renome começaram a fazer teatro infantil, além de grupos jovens. E deste o teatro infantil conseguiu desvincular-se de mero apoio didático e alcançou destaque de obra artística.
No contexto da infância, o teatro é uma atividade que tem tomado grande espaço não somente nas escolas, como também entre as alternativas de lazer e entretenimento. Mesmo assim, o teatro como a literatura, recebe, muitas vezes, um tratamento que o relega ao segundo plano, sendo considerado como “teatrinho”, ou seja uma atividade menor.
No fim do século XVIII e início do XIX, o que se via com frequência no Brasil eram crianças representando para adultos, isto é, companhias infantis formadas por jovens estrelas de 9 a 14 anos que brilhavam nos palcos, cantando, dançando e representando peças do repertório clássico de teatro.
No século XIX, o teatro infantil, surgirá com o Teatro Escolar, que se constituía de monólogos escritos por autores famosos da época para serem representados em datas comemorativas nas casas ou escolas. E estes monólogos tinham um cunho moralizador e deveriam ser recitados por crianças.
Em 12 de junho de 1905 do jornal carioca Correio da Manhã trazia, à terceira página, a resenha de um livro destinado ao público infantil: Theatro Infantil, de Olavo Bilac e Coelho Netto. O resenhista afirmava que o livro continha a qualidade de recrear as crianças de forma inteligente, contribuiria de forma decisiva para que as crianças brasileiras descansassem do francês das já batidas comédias estrangeiras.
Assim, o ator e embaixador brasileiro Paschoal Carlos Magno veio a público 1944, no jornal O Globo, fazer um apelo à sociedade: que os brasileiros se unissem em favor da criação de espetáculos teatrais para o público infantil. Suas justificativas fundavam-se na inadiável necessidade de educação das crianças, no fomento do interesse destas pela arte
No Brasil, o teatro infantil passou a despertar o interesse de um número maior de pessoas a partir da década de 1970. O teatro trabalha com uma linguagem múltipla. Não é mais somente a palavra presa ao papel, mas outros recursos também passam a ser explorados nesse gênero textual.

Cenário, figurino, iluminação, música, expressão corporal, enfim, os recursos utilizados no teatro conseguem chamar a atenção das crianças. O lúdico encantava aos pequenos, mesmo aqueles que ainda não eram alfabetizados.
Há diferentes opções: peças adaptadas, seja de textos literários, sejam de programas de televisão; peças folclóricas, ou que buscam conscientização sobre o meio ambiente, entre outros temas; peças interativas, nas quais há participação direta do público.
Em 1938, é lançado o livro Teatro da Criança, de Henrique Pongetti e Joracy Camargo. A obra, além de reunir 18 histórias que, segundo seus autores, consistiriam em pequenas comédias juvenis e infantis para uso nas escolas, em clubes, em associações e em casas de família, é acompanhada de um manual com instruções de como se deveria preparar um espetáculo.
Em 1948, crianças assistiam aos espetáculos teatrais, crianças representavam, mas nunca se pensara numa dramaturgia para crianças, numa linguagem específica do universo infantil.
Pensando nesta dramaturgia e nesse universo, foram fundadas companhias de teatro infantil formadas por atores, diretores, autores e produtores profissionais.
No Rio de Janeiro, Pernambuco de Oliveira e Pedro Veiga fundam o Teatro da Carochinha e, no mesmo ano, Tatiana Belinky e Júlio Gouveia fundam O Teatro Escola de São Paulo (TESP), e estreiam com Peter Pan a série de espetáculos teatrais para crianças baseados em contos clássicos.
Em 1950, Maria Clara Machado conseguiu uma bolsa para estudar teatro em Paris. Permaneceu por um ano na capital francesa, chegando a estudar improvisação com o grande mestre Charles Dullin.
E voltar para o Brasil, cheia de entusiasmo e vontade de estar em cena, Maria Clara se deu conta de que não podia esperar por convites. Numa sala do Patronato, que ela utilizava para entreter crianças da região, havia um palco, olhou para esse palco com outros olhos e isso mudaria a história de sua vida e consequentemente da historia do teatro infantil e juvenil brasileiro.
Em 1951, juntou-se a alguns jovens amigos e fundaram o grupo de Teatro Amador O Tablado e o teatro infantil dá a grande largada
Desde de primeiro espetáculo para crianças, O Boi e o Burro a Caminho de Belém (53), um auto de natal originalmente escrito para o teatro de bonecos, foi só o começo da carreira de grandes sucessos da autora.
Que nos suas obras, clássicos da dramaturgia infantil textos como: Pluft, o Fantasminha, O Rapto das Cebolinhas, Tribobó City, A Bruxinha que era Boa, A menina e o vento, dentre muitas outras.
Nos anos 70, em meio a ditadura militar, Ilo Krugli apresenta seu teatro para crianças com a peça Histórias de Lenços e Ventos, considerada um divisor de águas pelos especialistas do gênero. 
Mas foi partir dos anos 80, o que se vê é uma grande variedade de estilos, dramaturgias e linguagens que continuam se diversificando com o passar dos anos.
O teatro infantil, apesar de aparentemente definido enquanto estrutura, temática e manifestação artística desde o ano de 1948, continua a passar por profundas transformações, graças à inquietação dos profissionais competentes que a ele se dedicam. Hoje podemos apreciar espetáculos tão incríveis que encantam não somente as crianças como também a muitos adultos.

MEL LISBOA AGITA SÃO PAULO COM O MUSICAL "RITA LEE, UMA BIOGRAFIA MUSICAL".

O espetáculo "Rita Lee, uma autobiografia musical" (estrelado por Mel Lisboa), i nspirado no livro autobiográfico de R...