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agosto 11, 2017

A ENCALHADA

De: Marcondys França

PERSONAGENS:
CORRINHO (Mãe)
SEBASTIÃO (Pai)
JANICE (Filha)
PAUMIRA (Amiga)

PEÇA EM UM ATO

JANICE:
- Meu Santo Antônio, vou te deixar assim de cabeça para baixo, até o senhor me arrumar um marido. Onde já se viu, já estou na idade de casar e até agora nada!

CORRINHO:
- Ocê que se aquete menina! Já disse que é bem mio ficar sorteira.

JANICE:
- Mainha... Per todos os santos do mundo. Num diga uma derrota dessa não. Vá que Santo Antônio escuta uma coisa dessa. Ai é que num caso mermo! No caritó num fico. De jeito maneira.

CORRINHO:
- Deixa de fuleragem menina! Te quebro os dentes. Ta achano o que? Que vou permiti pouca vergonha aqui em casa é? Quero morrer tesga se deixar ocê com quarquer um...
JANICE: - Que vida disgraçada é minha... Nem direito de mim casar eu tenho.

CORRINHO:
- Tu tá é com fogo na bacurinha. Sei be como acabar com isso. Um bom banho de água fria. (Janice sai)



SEBASTIÃO:
- Que gritaria é essa, Corrinho? Mai que diacho ta aconteceno aqui? Lá do fundo do quintá dá pra ouvi esse tereretetê!

CORRINHO:
- Ô, Tião... É nossa fia, que agora inventou quer casá.
SEBASTIÃO: - Uai! E isso num era já de se esperá? É bão... Mió assim, pelo meno, ela num pensa como muitas peldidas que tem poraí. Que vive correno atrás dos machos.

CORRINHO:
- Oschem, e desde de quando ocê aprova vê sua filha de chamego com desses cabras?

SEBASTIÃO:
- Prefiro ela namorando aqui nesta sala na nossa presença.

CORRINHO:
- Num tô acreditano no que tô ouvino...

SEBASTIÃO:
- O sonho de quarquer pai e vê sua fia bem casada.

CORRINHO:
- Vou inté sai daqui porque meus ouvidos não aguentam ouvi mais tantas asneiras. (Sai)

SEBASTIÃO:
- Mai quem tá bateno palma lá fora?

PAUMIRA:
- Bom dia, seu Tião?!

SEBASTIÃO:
- Bom dia, Parmira.

PAUMIRA:
- A Nicinha está?

SEBASTIÃO:
- Tá sim. Vou chamá. Janice! Janice!

JANICE:
- Oi!

SEBASTIÃO:
- Que oi o que cabrita. Sinhô!

JANICE:
- Tá bom pai. Discupa.

SEBASTIÃO:
- Num tá esqueceno nada?

JANICE:
- Benção. (Ele sai) Que cara é essa? Inté parece que comeu e num gostou.

PAUMIRA:
- Que cara é essa? Inté parece que comeu e num gostou.

JANICE:
- Tô quereno casá, mas mainha num quer que nem se toque no assunto.
PAUMIRA:
- E teu pai?

JANICE:
- Painho, é a favor...

PAUMIRA:
- Então é meio caminho andado. E ocê tem arguém em vista?

JANICE:
- É ai que ta probrema. Aqui, todo mundo conhece todo mundo... E arrajar um marido é difíci.

PAUMIRA:
- Os homis aqui de Cacimba de Dentro ou é casado ou já tem compromisso.

JANICE:
- Mais Santo Antônio tem que me ajudar. Ou me ajuda, ou afogo ele naquele copo. E em último caso, quebro o pescoço dele.

PAUMIRA:
- Vigi santíssima! Ai que num casa mermo.

JANICE:
- Ah, eu caso. Nem que eu tenha que embregar o padre.

PAUMIRA:
- Que desespero! Sorte sua... Hoje tem festa. A festa do Arraiá do Zé Perneta. Vem gente de todas as bandas.
JANICE: - Ah! Então, tenho que ficar linda. De hoje num passa.

PAUMIRA:
- Mai tua mãe?

JANICE:
- Vou escondida.

PAUMIRA:
- Isso vai dar confusão.

JANICE:
- E se encontrar um pretendente, fujo cum ele.

PAUMIRA:
- Ficou louca?

JANICE:
- Louca é ficá no caritó. Agora vamos.

PAUMIRA:
- pra onde?

JANICE:
- Pra tua casa. Acha mermo que vou correr o risco de mainha me prender pra num ir a festa. (Olha para Santo Antônio) Olha Santo Antõnio, vê se faz sua parte. (Saem)

CORRINHO:
- Oh, minha virgi santíssima, cadê minha fia? Onde se enfiou essa dismiolada?


SEBASTIÃO:
- Que disispero é esse mulé? Inté parece que morreu arguém.

CORRINHO:
- Se num morreu, vai morrê. Tua fia, num vortô pra casa. Passaou a noite fora. Sabe que isso quê dizê?

SEBASTIÃO:
- Que se divertiu...

CORRINHO:
- Sei bem qual a diversão de uma moça que passa a noite fora sem os oios atentos dos pais.

SEBASTIÃO:
- Ocia devia confiar mais na tua fia.
CORRINHO: - Confio, desconfiando. Ta pensano o que? Ninguém me engana, não. To ficano veia, mai num sou cega não, nem tão pouco lesada.

SEBASTIÃO:
- Teu mal é que vê mardade em tudo.

CORRINHO:
- Seio bem que to falando. Essa hora minha fia deve está disgraçada.

JANICE:
- Mainha... Painho...

CORRINHO:
- Onde tu tava até uma hora dessa sua desinfeliz.

JANICE:
- Ai que estresse! Tava na festa.

CORRINHO:
- Ai, num disse...

JANICE:
- E tenho novidades!

SEBASTIÃO:
- Que novidade é essa?

JANICE:
- Eu vô casá.

SEBASTIÃO:
- Mai que boa notícia fia minha!

CORRINHO:
- Casá? E por que um casamento tão avexado?

JANICE:
- Por que tô apaixonada.

CORRINHO:
- Tá perdida, né isso?

JANICE:
- Não. Estou encontrada.


CORRINHO:
- Pra se casá com esse cabra que nem seio quem, só se passar por cima de meu cadavé.
SEBASTIÃO: - deixa a menina em paz! Se ela quer casá, vai casa, e pronto.

JANICE:
- Quer saber mainha... Num foi ele que buliu comigo não. Fui eu que buli com ele.

CORRINHO:
- Sem vergonha! Num tem um pingo de bril nessa cara.

SEBASTIÃO:
- Que diacho é isso que ocê ta dizeno?

JANICE:
- Painho, ele e de confiança. É dono de uma pequena fazenda... Dispois que nóis casá vamo pra lá.

CORRINHO:
- Homi de Deus... Faça arguma coisa. Num vê que essa menina virou a cabeça de vez?

JANICE:
- Painho, ele vem aqui hoje conversar com o senhô. O Ademilso é uma boa pessoa.

SEBASTIÃO:
- O jeito que tem é marcar esse casamento logo... (Palmas)

JANICE:
- Deve ser ele.

SEBASTIÃO:
- Então atende. Num deixa o rapaz esperando.

JANICE:
- Paumira?

PAUMIRA:
- Posso falá com oscê?

JANICE:
- Claro...

PAUMIRA:
- Então vamo lá dentro?

CORRINHO:
- Por que esse segredinho?

SEBASTIÃO:
- Aqui não temos cerimônia...

JANICE:
- Pode falá...

PAUMIRA:
- Não sei...

CORRINHO:
- Fala Parmira. O que tanto quer falar com nossa fia...


JANICE:
- Pode falá.

PAUMIRA:
- É sobre o Ademilso.

JANICE:
- Fala.

PAUMIRA:
- Ele num é fazendeiro coisa nenhuma.

CORRINHO:
- Eu sabia.

JANICE:
- Mai vai casá comigo.

PAUMIRA:
- Vai não.

SEBASTIÃO:
- Como não?

JANICE:
- Que ta dizano?

PAUMIRA:
- Que ele já é casado.


CORRINHO:
- Um homi casado!

SEBASTIÃO:
- eu capo esse disgraçado.

JANICE:
- Não painho!

PAUMIRA:
- Num vai adiantá. Já se mandou. E ninguém sabe pra onde.

JANICE:
- Então, num vai me casá?

CORRINHO:
- Não. E ainda vai ficá falada em toda cidade.

JANICE:
- Isso foi agoro! Agoro! Agora estou encahada de vez! (Sai Chorando)

CORRINHO:
- Eu te disse, num disse... Eu te disse!

F I M

fevereiro 02, 2011

A ENCALHADA (Texto de Teatro)

A ENCALHADA
De: Marcondys França

PERSONAGENS:
CORRINHO (Mãe)
SEBASTIÃO (Pai)
JANICE (Filha)
PAUMIRA (Amiga)

PEÇA EM UM ATO

JANICE: - Meu Santo Antônio, vou te deixar assim de cabeça para baixo, até o senhor me arrumar um marido. Onde já se viu, já estou na idade de casar e até agora nada!
CORRINHO: - Ocê que se aquete menina! Já disse que é bem mio ficar sorteira.
JANICE: - Mainha... Per todos os santos do mundo. Num diga uma derrota dessa não. Vá que Santo Antônio escuta uma coisa dessa. Ai é que num caso mermo! No caritó num fico. De jeito maneira.
CORRINHO: - Deixa de fuleragem menina! Te quebro os dentes. Ta achano o que? Que vou permiti pouca vergonha aqui em casa é? Quero morrer tesga se deixar ocê com quarquer um...
JANICE: - Que vida disgraçada é minha... Nem direito de mim casar eu tenho.
CORRINHO: -Tu ta é com fogo na bacurinha. Sei be como acabar com isso. Um bom banho de água fria. (Janice sai)
SEBASTIÃO: - Que gritaria é essa, Corrinho? Mai que diacho ta aconteceno aqui? Lá do fundo do quintá dá pra ouvi esse teretetê!
CORRINHO: - Ô, Tião... É nossa fia, que agora inventou quer casá.
SEBASTIÃO: - Uai! E isso num era já de se esperá? È bão... Mió assim, pelo meno, ela num pensa como muitas peldidas que tem poraí. Que vive vive correno atrás dos machos.
CORRINHO: - Oschem, e desde de quando ocê aprova vê sua filha de chamego com desses cabras?
SEBASTIÃO: - Prefiro ela namorando aqui nesta sala na nossa presença.
CORRINHO: - Num to acreditano no que to ouvino...
SEBASTIÃO: - O sonho de quarquer pai e vê sua fia bem casada.
CORRINHO: - Vou inté sai daqui porque meus ouvidos não agüentam ouvi mais tantas asneiras. (Sai)
SEBASTIÃO: - Mai quem ta bateno palma lá fora?
PAUMIRA: - Bom dia, seu Tião?!
SEBASTIÃO: - Bom dia, Parmira.
PAUMIRA: - A Nicinha está?
SEBASTIÃO: - Ta sim. Vou chamá. Janice! Janice!
JANICE: - Oi!
SEBASTIÃO: - Que oi o que cabrita. Sinhô!
JANICE: - Ta bom pai. Discupa.
SEBASTIÃO: - Num ta esqueceno nada?
JANICE: - Benção. (Ele sai) Que cara é essa? Inté parece que comeu e num gostou.
PAUMIRA: - Que cara é essa? Inté parece que comeu e num gostou.
JANICE: - To quereno casá, mas mainha num quer que nem se toque no assunto.
PAUMIRA: - E teu pai?
JANICE: - Painho, é a favor...
PAUMIRA: - Então é meio caminho andado. E ocê tem argúem em vista?
JANICE: - É ai que ta probrema. Aqui, todo mundo conhece todo mundo... E arrajar um marido é difici.
PAUMIRA: - Os homis aqui de Cacimba de Dentro ou é casado ou já tem compromissô.
JANICE: - Mais Santo Antônio tem que me ajudar. Ou me ajuda, ou afogo ele naquele copo. E em último caso, quebro o pescoço dele.
PAUMIRA: - Vigi santíssima! Ai que num casa mermo.
JANICE: - Ah, eu caso. Nem que eu tenha que embregar o padre.
PAUMIRA: - Que desespero! Sorte sua... Hoje tem festa. A festa do Arraia do Zé Perneta. Vem gente de todas as bandas.
JANICE: - Ah! Então, tenho que ficar linda. De hoje num passa.
PAUMIRA: - Mai tua mãe?
JANICE: - Vou escondida.
PAUMIRA: - Isso vai dar confusão.
JANICE: - E se encontrar um pretendente, fujo cum ele.
PAUMIRA: - Ficou louca?
JANICE: - Louca é ficá no caritó. Agora vamos.
PAUMIRA: - pra onde?
JANICE: - Pra tua casa. Acha mermo que vou correr o risco de mainha me prender pra num ir a festa. (Olha para Santo Antônio) Olha Santo Antõnio, vê se faz sua parte. (Saem)
CORRINHO: - Oh, minha virgi santíssima, cadê minha fia? Onde se enfiou essa dismiolada?
SEBASTIÃO: - Que disispero é esse mulé? Inté parece que morreu argúem.
CORRINHO: - Se num morreu, vai morrê. Tua fia, num vortô pra casa. Passaou a noite fora. Sabe que isso quê dizê?
SEBASTIÃO: - Que se divertiu...
CORRINHO: - Sei bem qual a diversão de uma moça que passa a noite fora sem os oios atentos dos pais.
SEBASTIÃO: - Ocia devia confiar mais na tua fia.
CORRINHO: - Confio, desconfiando. Ta pensano o que? Ninguém me engana, não. To ficano veia, mai num sou cega não, nem tão pouco lesada.
SEBASTIÃO: - Teu mal é que vê mardade em tudo.
CORRINHO: - Seio bem que to falando. Essa hora minha fia deve está disgraçada.
JANICE: - Mainha... Painho...
CORRINHO: - Onde tu tava até uma hora dessa sua desinfeliz.
JANICE: - Ai que estresse! Tava na festa.
CORRINHO: - Ai, num disse...
JANICE: - E tenho novidades!
SEBASTIÃO: - Que novidade é essa?
JANICE: - Eu vô casá.
SEBASTIÃO: - Mai que boa notícia fia minha!
CORRINHO: - Casá? E por que um casamento tão avexado?
JANICE: - Por que to apaixonada.
CORRINHO: - Ta perdida, né isso?
JANICE: - Não. Estou encontrada.
CORRINHO: - Pra se casá com esse cabra que nem seio quem, só se passar por cima de meu cadavé.
SEBASTIÃO: - deixa a menina em paz! Se ela quer casá, vai casa, e pronto.
JANICE: - Quer aber mainha... Num foi ele que buliu comigo não. Fui eu que buli com ele.
CORRINHO: - Sem vergonha! Num tem um pingo de bril nessa cara.
SEBASTIÃO: - Que diacho é isso que ocê ta dizeno?
JANICE: - Painho, ele e de confiança. É dono de uma pequena fazenda... Dispois que nóis casá vamo pra lá.
CORRINHO: - Homi de Deus... Faça arguma coisa. Num vê que essa menina virou a cabeça de vez?
SEBASTIÃO: -
JANICE: - Painho, ele vem aqui hoje conversar com o senhô. O Ademilso é uma boa pessoa.
CORRINHO: -
SEBASTIÃO: - O jeito que tem é marcar esse casamento logo... (Palmas)
JANICE: - Deve ser ele.
SEBASTIÃO: - Então atende. Num deixa o rapaz esperando.
JANICE: - Paumira?
PAUMIRA: - Posso falá com oscê?
JANICE: - Claro...
PAUMIRA: - Então vamo lá dentro?
CORRINHO: - Por que esse segredinho?
SEBASTIÃO: - Aqui não temos cerimônia...
JANICE: - Pode falá...
PAUMIRA: - Não sei...
CORRINHO: - Fala Parmira. O que tanto quer falar com nossa fia...
JANICE: - Pode falá.
PAUMIRA: - É sobre o Ademilso.
JANICE: - Fala.
PAUMIRA: - Ele num é fazendeiro coisa nenhuma.
CORRINHO: - Eu sabia.
JANICE: - Mai vai casá comigo.
PAUMIRA: - Vai não.
SEBASTIÃO: - Como não?
JANICE: - Que ta dizano?
PAUMIRA: - Que ele já é casado.
CORRINHO: - Um homi casado!
SEBASTIÃO: - eu capo esse disgraçado.
JANICE: - Não painho!
PAUMIRA: - Num vai adiantá. Já se mandou. E ninguém sabe pra onde.
JANICE: - Então, num vai me casá?
CORRINHO: - Não. E ainda vai ficá falada em toda cidade.
JANICE: - Isso foi agoro! Agoro! Agora estou encahada de vez! (Sai Chorando)
CORRINHO: - Eu te disse, num disse... Eu te disse!
F I M

MEL LISBOA AGITA SÃO PAULO COM O MUSICAL "RITA LEE, UMA BIOGRAFIA MUSICAL".

O espetáculo "Rita Lee, uma autobiografia musical" (estrelado por Mel Lisboa), i nspirado no livro autobiográfico de R...