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julho 13, 2023

EX INTEGRANTE DO BALÃO MAGICO REVELA QUE USOU DROGA ILÍCITA AOS 11 ANOS DE IDADE AINDA QUANDO DAZIA O PROGRAMA.

Quem viveu os anos 80 não esquece do grande sucesso que foi o programa Balão Mágico exibido pela Tv Globo de 1983 a 1986. Composto por Simony, Tobi, Mike e Baixinho a Turma do Balão Mágico ganhou o cenário artístico nacional e arrastou milhares de fãs por todo Brasil. 
O documentário história do Balão do Mágico estreou nesta quarta-feira (12) na plataforma Star+, em três episódios. Integrante do grupo infantil, Mike revelou que quando tinha 12 anos fumou maconha com os Menudos dentro do Hotel Glória, zona sul no Rio, e no mesmo período perdeu a virgindade.

"Não sei quanto politicamente correto isso é. Hotel Glória, Rio de Janeiro, Menudo e Balão Mágico no mesmo hotel. Eu tinha recebido, de um amigo nosso da Inglaterra, uma fita do Dire Straits e quando eu esbarrei com os malucos do Menudo eu vi que eles tinham uma cassete do Led Zeppelin e foi aquela história do tipo: ‘Vamos trocar? Pera aí, tu curte Led Zeppelin, cara? Tu curte Dire Straits? Tu dá um 2?’. Isso eu tinha 12 aninhos de idade”, contou Mike Michael, hoje com 48 anos. 

No doc A Superfantástica História do Balão, o integrante também narra que descobriu o sexo aos 11 anos, no auge do grupo e do programa na Globo. "Aos 11 anos de idade perdi a virgindade. Aos 11 anos de idade eu fumei pela primeira vez o legal e o ilegal. Eu estava num mundo um pouco à frente dos meus amigos do Balão por não ter muitos amigos crianças, eu gostava dos amigos do meu pai”. Afirmou ele revelando ter vivido tudo isso aí lado do grupo portoriquinho Menudos outo grande sucesso no Brasil.

fevereiro 02, 2011

ENTRANDO NUMA FRIA (Texto de Teatro)

ENTRANDO NUMA FRIA
De: Marcondys França

PERSONAGENS:
PAI
FILHO
LOBINHO (Amigo)
POLICIAL 1
POLICIAL 2

PEÇA EM 1 ATO

CENA 1
PAI: - Acorda! Escola...
FILHO: - Ah, pai!
PAI: - Vai se atrasar.
FILHO: - Só mais um pouco, vai...
PAI: - Filho...
FILHO: - Tá bom pai.
PAI: - Joga uma água nesse rosto que esta horrível.
FILHO: - Também... Que queria? Acabo de acordar.
PAI: - Fiz um café reforçado.
FILHO: - Belê.
PAI: - Que isso... Belê? Dá pra usar o português correto? Sabe que detesto gírias. Basta pedir: Obrigado, por exemplo.
FILHO: - Brigado.
PAI: - Obrigado.
FILHO: - obrigado!
PAI: - Está vendo? Assim é bem melhor, e não dói nada. Agora é melhor se apressar.
FILHO: - Tô indo.
PAI: - Estou indo. Hei? Não toma mais a benção?
FILHO: - Benção.
PAI: - Que Deus abençoe.
FILHO: - Fui. (Sai)
PAI: - E te proteja.

CENA II
LOBINHO: - Tô ligado que cê é novo na escola.
FILHO: - É.
LOBINHO: - Tô ligado truta. Cê vem de buzão?
FILHO: - Não. Na caminhada.
LOBINHO: - Maneiro. Ah, já ia me esqueceno... Sou Lobinho.
FILHO: - Legal. Eu sou Robson.
LOBINHO: - Que vai fazê depois da aula?
FILHO: - Vou pra casa.
LOBINHO: - Nem pensá.
FILHO: - Se eu não chegar, meu pai me mata.
LOBINHO: - Oh, camarada! Tá comigo, tá com Deus! Esquenta a cuca não. O mano aqui tem um esquema da hora...
FILHO: - Esquema?
LOBINHO: - Num vai me dizê que é de dá pra trás...
FILHO: - Que isso!
LOBINHO: - Tu tá veno aquela loja ali?
FILHO: - Tô
LOBINHO: - E lá que será teu batismo. Só quero vê se tu passa no teste.
FILHO: - Teste?
LOBINHO: - É. Teste. Pra fazê parte da turma tem que passá no teste.
FILHO: - E como é esse teste?
LOBINHO: - Hei, calma! No tempo certo vai sabê.

CENA III
FILHO: - Pai... Cheguei.
PAI: - Que bom filho. Como foi a aula?
FILHO: - Normal.
PAI: - Hei, que boné é esse?
FILHO: - Essa bombeta? Achei...
PAI: - Procurou o dono?
FILHO: - Ta brincano, né pai?
PAI: - Não.
FILHO: - Se eu perguntasse de que é, sabe quantos donos apareceria?
PAI: - Se metem o problema é deles. Você tem que fazer a sua parte. Esse boné é novo. Olha só... Está até com a etiqueta.
FILHO: - Pega leve pai. Alguém perdeu, e eu achei, pronto... O senhor tem que complicar sempre.
PAI: - Escuta aqui... Amanha você vai devolver esse boné, não é seu, e não o quero aqui. (Campanhia)
LOBINHO: - E ai coroa?!
FILHO: - Ah, pai... Esse é o Lobinho.
PAI: - Lobinho?
LOBINHO: - A seu dispô!
FILHO: - Meu colega de escola.
LOBINHO: - Caraça! Cheguei na hora boa... Rango! Dá pra descolar um suco pra nós?
FILHO: - Pai...
PAI: - Vou pegar. (Sai)
LOBINHO: - Ai carinha, tenho um esquema pra manhã.
FILHO: - Depois agente fala sobre isso... Aqui é sujeira.
LOBINHO: - É teu velho?
FILHO: - É. Ta desconfiado.
LOBINHO: - A parada é quente...
FILHO: - Sujou...
LOBINHO: - Foi mal.
PAI: - Suco...
LOBINHO: - Valeu coroa. Hum! Muito bom. Agora tenho que ir... Te vejo amanha, lá na escola. Falô coroa. (Sai)
PAI: - Não te quero na compania desse garoto.
FILHO: - Por que não?
PAI: - Não me parece boa influencia pra você.
FILHO: - O senhor tem que parar com essa mania de achar que sou melhor que os outros. (Sai)
PAI: - Tem algo de errado com esse moleque. (Sai)

CENA IV
LOBINHO: - E ai mano, belê?
FILHO: - Belê.
LOBINHO: - Está pronto?
FILHO: - Se meu velho descobrir que cabulei aula...
LOBINHO: - Esquece teu veio. Hoje tu vai sabê o que é adrenalina.
FILHO: - Qual é a parada?
LOBINHO: - Tá veno aquela loja?
FILHO: - To. E daí?
LOBINHO: - Artigos de primeira.
FILHO: - E a segurança?
LOBINHO: - Vai medrar meu irmão?
FILHO: - Claro que não.
LOBINHO: - Trouxe a bombeta?
FILHO: - Trouxe.
LOBINHO: - Põe. E evita olhar pras câmeras.
FILHO: - Então vamos...
LOBINHO: - Hei... Calma ai. Relaxa! Trouxe uma coisinha pra nós.
FILHO: - Como conseguiu?
LOBINHO: - Eu sou o cara. Esse é teu. (Passa um bazeado)
(Acendem e saem fumando)

CENA V
PAI: - De onde veio esse casaco?
FILHO: - Ah, é do meu amigo. É do Lobinho. Ele me emprestou.
PAI: - Já conversamos sobre isso.
FILHO: - Ta pai. Vou pro quarto. Tenho que estudar.
PAI: - Hei, espera ai. Escuta aqui rapazinho... Estou falando com você.
FILHO: - Dá pra me deixar em paz só por um minuto? Que saco! (Sai)
PAI: - Tem algo de errado com esse garoto. (Sai. Entra o filho falando no celular)
FILHO: - Belê... Vou dá um perdido velho e daqui a mais ou menos uns vinte minutos to ai. Mas me diz uma coisa... A parada é quente? Então ta. Falo. (Escreve um bilhete e sai) Pai, fui pra casa de uns amigos fazer um trabalho de escola e já volto.
PAI: - Pra onde foi esse moleque? (Encontra o bilhete) Pai fui pra casa de uns amigos fazer um trabalho de escola e já volto. (Pega o celular e liga) Fora de área. Esse menino está aprontando alguma. Não sei por que, mas sinto isso. Queira Deus que eu esteja enganado. (Telefone) Alô... O que? Não... Não pode ser. Polícia? Há algum engano. Sim. É meu filho. Está bem, já estou indo para aí. (Sai)

CENA VI
POLICIAL: - Senhor posso ajudar?
PAI: - Estou procurando meu filho... Recebi uma ligação...
POLICIAL: - Há, o senhor deve ser pai de uns dos moleques que furtavam uma loja de departamentos aqui no centro...
PAI: - Furto?
POLICIAL: - É... Furto. E como não é difícil de imaginar... Um dia a casa cai e a dele caiu. Oh, Juarez... Trás o elemento. (O policial trás Robson)
FILHO: - Não fiz nada pai. Foi tudo um engano. Eu juro que ia pagar.
PAI: - Estou decepcionado com você Robson.
POLICIAL: - O senhor conhece isto?
FILHO: - É meu pai.
PAI: - Não.
POLICIAL: - E isto?
PAI: - Também não.
POLICIAL: - E isto?
PAI: - Não identifico nada dessas coisas. Não são do meu filho.
POLICIAL: - É que imaginei. Dá pra vê que o senhor é uma pessoa honesta e não compartilhar com as coisas erradas que seu filho anda fazendo. Mas sinto muito em dizer-
lo, seu filho foi pego em flagrante ao lado de um já velho conhecido nosso e será encaminhado a Fundação Casa.
FILHO: - Pai... Por favor, me tira daqui, pai...
PAI: - Por favor...
POLICIAL: - Infelizmente, há uma queixa formal... Seu filho foi pego em flagrante e há imagens das câmeras de segurança que comprovam o delito.
FILHO: -
PAI: - Há Robson...
POLICIAL: - Leve-no.
FILHO: -
PAI: - Pai... Pai...
POLICIAL: - Sinto muito senhor. O que tem a fazer é procurar um bom advogado, o quanto antes melhor. De preferência antes que o transferimos para Fundação Casa. (O pai sai desnorteado)

F I M

O JOVEM E A FAMÍLIA (TEXTO DE TEATRO)

O JOVEM E A FAMÍLIA
De: Marcondys França

Personagens: Elenco:
Elenco:.............................ERIKA MADRUGA
Pedro:..............................MARCONDYS FRANÇA
Renato:.............................IVAN DELLON
Renner:.............................CÍCERA MARINS
Padre José..........................HELENILTON VIGÁRIO

(Entra Renato com uma seringa para se drogar)
RENATO: - Vamos vê se isso dá mesmo certo. Meus amigos me disseram que eu iria me sentir leve e que todos meus problemas sumiriam. Ah! O paraíso... Liberdade, é isso! Só uma injetada... só uma... (entra Eloísa).
ELOÍSA: - Renato... (ele esconde a seringa)
RENATO: - Ma-mãe!? (tenta disfarçar a tensão)
ELOÍSA: - O que é isso, o que você está fazendo?
RENATO: - Eu...estou fazendo a barba...
ELOÍSA: - Fazendo a barba? Na sala! O que você está escondendo?
RENATO: - Nada... (saindo) Nada mamãe.
ELOÍSA: - Renato, volte aqui! (entra Renner)
RENNER: - Mamãe eu não consigo entender. Oh, meu Deus, será que sou a única adolescente nesta cidade que não pode ir ao clube, cinema, ou danceteria?!
ELOÍSA: - Minha filha, pelo amor de Deus! Você sabe como é seu pai.
RENNER: - Papai...Papai! Será possível mamãe?! Eu sou a única moça desta cidade que os pais a impedem de ser feliz.? Será que a senhora e papai não percebem que sou jovem e cheia de vida, que preciso me divertir, curtir a minha vida? Vivo aqui dentro desta casa trancada a sete chaves feito uma prisioneira, só está faltando agora e a senhora e meu pai construírem uma torre e me prenderem lá no alto, longe dos olhos e de todos.
ELOÍSA: - Minha filha, você ouve o que falam das outras moças que vivem soltas...
RENNER: - Pouco me interessa o que falam das outras moças ou que possam falar de mim. Só não posso deixar de viver a minha vida para ouvir o que os outros dizem!
ELOÍSA: - Mas eu me importo. Prezo por você e teu irmão.
RENNER: - Sabe o que eu mais queria mamãe? Era morrer!
ELOÍSA: - Filha pelo amor de Deus, não diga uma coisa dessa, isso é pecado!
RENNER: - Pecado?! Pecado é vocês tentarem me embalsamar viva, isto sim é pecado! Mas se eu morresse, aí sim todos diriam: Morreu uma boa moça! (sai)
ELOÍSA: - Meu Deus! Me ajude. O que está acontecendo com meus filhos?!
(entra Renato meio desorientado)
ELOÍSA: - Renato, espere. Onde vai? Você está bem meu filho?
RENATO: - Vou alí... Tô ótimo Dna Elô!
ELOÍSA: - Seu pai já está qualse chegando, melhor não sair, sabe como é seu pai...
RENATO: - Tô pouco me lichando... (sai)
ELOÍSA: - Renato... (Vira-se p/outro lado e flagra Rener) Rener!
RENER: - Mamãe! (surpresa)
ELOÍSA: - O que você está fazendo aqui?
RENER: - Eu?! (confusa) Esperando papai... Ele está demorando não acha mamãe?
ELOÍSA: - Não, não acho! Acho que você está tentando me embromar, disto eu tenho certeza!
RENER: - Eu mamãe... Imagina! Boa Noite?! (saíndo)
ELOÍSA: - Rener...
RENER: - (Vira-se) Sim mamãe?
ELOÍSA: - Não tente sair escondido...
RENER: - Eu mamãe?! Imagina!!!
ELOÍSA: - Não pense que me engana mocinha, já tive sua idade.
RENER: - Jura?
ELOÍSA: - Conversarei com seu pai.
RENER: - Não, não precisa! Já sei qual será a resposta. O que não consigo entender como em pleno século vinte possa existir um pai tão trogodita...
ELOÍSA: - Filha!...
RENER: - E uma mãe tão submissa!
ELOÍSA: - Rener, me respeite! Sou sua mãe. E Não admito que fale assim do seu pai.
RENER: - Ah! É?
ELOÍSA: -É. E enquanto estiver nesta casa debaixo deste teto exijo respeito. (Rener sai) Por Deus! Onde esse mundo vai parar?! Até parece que está se cumprindo à biblía... Pais contra filhos, filhos contra pai. Oh, meu Deus! Só espero que isto não aconteça com minha família. (sai, entra Pedro tirando à gravata)
PEDRO: -(percebe Renato entrar) Onde estava?
RENATO: - Lá fora.
PEDRO: - Renato lhe fiz uma pergunta, e quero uma resposta.
RENATO: - Já lhe disse que estava lá fora.
PEDRO: - Lá fora, sei... Com quem, fazendo o que?
RENATO: - trocando umas idéias com uns amigos...
PEDRO: - Com uns amigos? Conversando. Conversando! Por que gíria fica lá fora. Então você estava conversando, não é?
RENATO: -É.
PEDRO: - Quer que eu acredite?
RENATO: - Acredite se quiser!
PEDRO: - Veja como fala comigo seu moleque! Você andou bebendo.
RENATO: - Não, eu não estava bebendo. Não bebi!
PEDRO: - Como ousa?
ELOÍSA: -Renato, é hora de dormir. Seu pai está cansado. (Renato sai)
PEDRO: - Nossa conversa não termina aqui... (irritado) Por que fez isso, o que deu em você? Sabe que detesto que me interrompa.
ELOÍSA: - Pedro... Amanhã é sua folga, você estará mais descansado. Prolongar está discussão só iria piorar as coisas. Amanhã com mais calma, você senta e conversa com ele.
PEDRO: - Você está querendo dizer que eu não tenho capacidade de dirigir esta família, minha própria família, é isto?!
ELOÍSA: - Não, Pedro Não é isso...
PEDRO: - Cale-se. Eu sou o chefe desta família, Sei o que estou fazendo! Não quero que se meta quando estiver falando com um dos nossos filhos. Renato desorientado, creio que está bebendo... Sabe o que você fez? Mesmo involuntariamente, Você o protegeu, apoiou o erro dele. Deixou que saísse impune! Pense bem nisso. Agora suba e vá dormir. Mas antes ouça bem: se algum dia ele chegar nesta casa bebado, quebrando tudo na sua frente, você Eloísa, será única e exclusiva culpada. (Eloísa sai)
RENER: - Papai! (se assusta)
PEDRO: - Que roupas são essas?
RENER: - Minhas roupas. O que tem elas?
PEDRO: - Suas roupas! Filha minha não usa isto. Suba já para seu quarto e trate de tirar isto do corpo.
RENER: - E se eu não obedecer o que vai fizer papai?
PEDRO: - (pega Rener com violência) Nesta casa você faz o que eu ordeno. Agora suba, coloque algo decente e jogue esta porcaria no lixo, ouviu?!
(Pedro sai, Rener fica caída no chão chorando, entra Renato)
RENATO: - foi ele, não foi?
RENER: - É.
RENATO: - Eu não suporto mais, vou acabar cometendo uma loucura...
RENER: - Será que não percebem que somos jovens, que precisamos viver?!
RENATO: - Por que será que eles vêem maldades em tudo que fazemos?
RENER: - Se converso com um rapaz já acham que estou me jogando nos braços dele.
RENATO: - Se chego mais tarde, ou converso com meus amigos, acham que estou fazendo algo errado.
RENER: - Renato. Precisamos fazer alguma coisa.
RENATO: - É precisamos mesmo!
RENER: - Renato... eu quero lhe contar um segredo... eu não suporto mais este silêncio. Eu preciso falar... colocar tudo isto que está aqui... engasgado... aqui ó!
Na garganta. E se eu não falar, vou explodir... Renato, eu só confio em você, meu irmão.
RENATO: - Rener, é o que eu estou pensando? (ela afirma com a cabeça) Não, não pode ser.
RENER: - É... aconteceu. Não houve aula, eu e o Mário...
RENATO: - Rener?!...
RENER: - Fui fraca. (chora) Meu Deus como fui tonta, ingênua, imatura...
RENATO: - Aquele filho da...
RENER: - Para Renato. Ouve-me! Eu quis.
RENATO: - E agora minha irmã, que vamos fazer?
RENER: - Você está do meu lado, não está ? Estou com medo, não sei o que fazer.
RENATO: - A casa vai cair quando descobrirem. Precisamos de ajuda! (saíndo)
RENER: - Renato, onde você vai? (ele sai, entra Eloísa)
ELOÍSA: - Onde foi seu irmão, ele quer acabar comigo, já não chega o que ouví de seu pai ontem? (Rener fica calada observando a mãe) Rener, o que há com você? Não está me ouvindo?
RENER: - Estou lhe ouvindo! (irônica) Claro mamãe que estou lhe ouvindo! A senhora quer mesmo saber o que há comigo? Quer?! Vamos responda mamãe!
ELOÍSA: - Claro que quero!
RENER: - E por que dona Eloísa, por que se daria esse trabalho?
ELOÍSA: - Você é minha filha.
RENER: - Quantas vezes você parou para me perguntar, se eu precisava conversar sobre amor, quantas vezes me perguntou sobre sexo, se eu sou feliz, o que eu quero e o que penso sobre o mundo? Quanta vezes, eu olhava pra você e sentia vontade de desabafar minhas dúvidas, angustia e inseguranças, quantas vezes lhe olhava com carência, com uma enorme vontade de lhe abraçar e chorar no seu ombro todas minhas incertezas e decepções. Eu não precisava apenas de uma mãe, mas também de uma amiga. Amiga esta que nunca tive.
ELOÍSA: - Como pode dizer isto, eu sou sua amiga.
RENER: - Amiga é aquela que podemos confiar, desabafar...
ELOÍSA: - Você sempre pode contar comigo...
RENER: - Não mamãe, você sempre foi dona Eloísa, escrava das opiniões alheias para ser feliz.
ELOÍSA: - Isto não é verdade. Sempre fiz tudo por sua felicidade, ainda que da minha maneira eu sou sua amiga. E não diga que você não é feliz, Não é verdade.
RENER: - Como pode me julgar tão feliz, como?
ELOÍSA: - Você tem tudo aqui que lhe é necessário...
RENER: - Tudo?
ELOÍSA: - Conforto, alimentação, educação, roupas, um bom plano de saúde... você tem uma família...
RENER: - Grande coisa! Grande família!... Eu só precisava de carinho, amor,compreensão... isso vocês nunca souberam me dar.
ELOÍSA: - Não diga isso minha filha. Não seja injusta!
RENER: - Aqui nesta casa eu não passo de uma prisioneira. Amor, carinho, compreenção são coisas que nunca existiu nesta casa, nesta família. Então não me venha falar de justiça.
ELOÍSA: - Como você pode dizer uma coisa dessas!
RENER: - Estou grávida. (friamente)
ELOÍSA: - O que? (Não areditando)
RENER: - Grávida...
ELOÍSA: - Não, não pode ser. Não você, a minha filha!
RENER: -(desabafando) É, dona Eloísa, a santidade de sua filha acabou, você falhou. Sua santa filha está grávida! (grita) Por sua culpa, por culpa do papai. Me reprimiram tanto... de que adiantou, vamos me diga? (Frenética) De nada. Nada! (silêncio) Só conseguiram criar uma jovem indefesa, alvo fácil para os mais vividos. Toda ignorância de vocês me levaram a isto. Agora conte a ele, e quem sabe ele não salve a honra da família me matando antes que todos percebam o filho bastado que carrego em meu ventre. (Rener sai, Eloísa chora desconsoladamente)
(Pedro flagra Renato se drogando)
RENATO: - Não há como fugir... Eu não suporto mais!
PEDRO: - O que você está fazendo?
RENATO: - Tá vendo isto, é uma seringa. Estou me drogando!
PEDRO: - Como você se atreve seu fedelho, moleque...
RENATO: - Vamos papai, não vai me bater! Não... não vai adiantar, assim que terminar, tomarei uma dose maior e me encontrará morto.
PEDRO: - Prefiro a sua morte do que lhe vê um marginal se drogando, jogado a sarjeta!
RENATO: - Se sou um marginal, é por sua culpa.
PEDRO: - Não jogue a culpa da sua irresponsabilidade em mim. Se tens escolhido este caminho é por que quer, é bem mais fácil não é Renato? É muito fácil jogar a culpa dos seu fracasso nos outros...
RENATO: - Seu fracasso. Eu sou o seu fracasso papai!
PEDRO: - Vou te bater seu fedelho até não mais suportar...
RENER: - (Entra Rener) Vamos papai bata em mim também. Não es o soberano, o perfeito? É o fim de sua tirania, seu reino ruiu!
PEDRO: - Sai da minha frente. (a empurra)
RENATO: - Vem papai me bata! Vamos vem, bata!
PEDRO: - Seu marginal... (puxa o cinto)
RENER: - (segura o cinto) Não... não você não vai mais bater na gente. Chega. Chega!
PEDRO: - Solte o cinto, solte... sua... sua... (entra Eloísa)
ELOÍSA: - Pelo amor de Deus parem com isso! (aos prantos) Pedro, eu não suporto mais! Por favor pare. Porque Rener? Renato? Porque estão fazendo isto? Esperem ao menos que eu morra!
RENATO: - Será que vocês não percebem que vocês são os verdadeiros culpados por isto que está acontecendo.
ELOÍSA: - Chega! (grita) Chega. (qualse num silêncio, os filhos saem, breve silêncio)
PEDRO: - Por que? Não merecíamos isto. Sempre vivemos em função deles. Desafiaram minha autoridade de pai.
ELOÍSA: - Sinto muito. Não sei onde, mas falhamos...
PEDRO: - Como?
ELOÍSA: - É a pergunta que tenho me feito. Pedro precisamos ajudar nossos filhos...
PEDRO: - Renato está se drogando.
ELOÍSA: - Meu Deus, não!?
PEDRO: - Pra mim está morto.
ELOÍSA: - Não pedro, por favor não diga isto. É nosso filho!
PEDRO: - A partir de hoje não tenho filho.
ELOÍSA: - Não faz assim Pedro! Não vou perder meu filho pras drogas!
PEDRO: - Não o quero nesta casa.
ELOÍSA: - Nós erramos...
PEDRO: - Como pode dizer isto!
ELOÍSA: - Falhamos com nosso filhos, quando pensávamos que estávamos os protegendo entregamos nossos filhos de mão beijada a esse mundo cruel, de enganos e tentações. Pedro, não soubemos prepará-los...
PEDRO: - Ele escolheu o caminho que quis. (saíndo)
ELOÍSA: - Rener está grávida!
PEDRO: - (para) O que?! Grávida! Grávida, foi isto que ouvi?
ELOÍSA: (assente)
PEDRO: - Além de um filho viciado em drogas, também tenho uma prostituta em minha casa?
ELOÍSA: Não fale assim. São nossos filhos!
PEDRO: - Não os quero em minha casa.
ELOÍSA: - São nossos filhos e vão ficar.
PEDRO: - Seus filhos. Agora percebo onde está o erro...
ELOÍSA: - Essa também é a casa deles.
PEDRO: - Se ficam eu saio.
ELOÍSA: - Pedro por favor... não faz assim. Não faz isso comigo!
PEDRO: - A escolha é sua.
ELOÍSA: -Não me peça para escolher entre você e meus filhos... não posso! (ele sai)

(acende as luzes padre José está diante ao altar rezando)
RENER: - Padre José... padre José... Benção!
RENATO: - Benção!
PADRE: - Deus os abençõem meus filhos. Que angustia é essa?
RENER: - Padre. Nós pecamos!
RENATO: - Desafiamos nossos pais.
RENER: - Estou cercada de angústia! Não sabemos o que fazer padre! Fiz uma burrada. Estou grávida, o que eu mais queria era ser livre, e acabei prisioneira da minha própria irresponsabilidade. A insegurança, o medo de colocar no mundo um filho fruto de um ato impensado, com um futuro duvidoso... Nunca pude pensar que as coisas chegassem a este ponto padre. (chora)
PADRE: - Calma filha, Deus proverá!
RENATO: - A culpa foi dele, ele nos obrigou a chegar a este ponto. Para fugir dos problemas das repressões me entreguei as drogas. Pô, meus amigos me disseram que eu me sentiria livre, que meus problemas sumiriam, que eu seria uma outra pessoa... Mais agora que sinto, que sei, é que as drogas aumentaram meus problemas, e que, o vazio que invade meu peito é muito maior.
RENER: - Nossas vidas se tornaram um deserto padre! O que devemos fazer? Nos ajude.
PADRE: - Meus jovens... Este ano a igreja adotou um tema bem parecido o que vocês estão vivendo. Juventude caminho certo! São tantos jovens que andam neste mundo sem direção , disgarrado de suas famílias, muita vezes por falta de orientação e principalmente compreenção. Na maior parte dos casos a falta de diálogo entre pais e filhos resulta na ruína de muitas famílias. Muitos jovens infelizmente se perdem nas drogas, bebidas, prostituição, e muitas vezes acreditam estarem no caminho certo e o que fazem é a única solução. Mas é aí que estão enganados por que Deus meus filhos, é piedoso, e abre outros caminhos, só ele pode preencher este vazio, dar entendimento, e ajudar a encontrar uma solução.
RENER: - Não temos pra onde ir...
PADRE: - Vocês não estão desamparados meus filhos, confiem em Deus...
ELOÍSA: - Não estão. São meus filhos, e não vou virar as costas pra vocês.
PADRE: - Deus lhe abençoe filha!
ELOÍSA: - Como isso foi acontecer? Eu não consigo entender.
PADRE: - JÁ aconteceu. Agora só resta tentamos concertar. Filha este jovens precisam de ajuda, nada melhor do que a própria família para os ajudar.
ELOÍSA: - Fiz o possível... Falhei, não sei como, mas falhei...
PADRE: - Não vamos agora tentar encontrar culpados. É hora de recomeçar!
ELOÍSA: - Vou reconstruir minha família.
PADRE: - Ouçam bem, não será fácil, mas o primeiro passo já foi dado, reconhecem seus erros. Perdoem uns aos outros e recomecem uma vida nova. Será uma dura batalha, mas vamos vencer. É uma situação difícil, mas você e o pedro já foram jovens, já passaram por várias experiências boas e ruins, só resta agora se permitirem a uma Segunda chance. Quanto ao Pedro deixe comigo eu converso com ele. Rener, Renato o que está acontecendo com sua família pode acontecer com qualquer outra família .
RENER: - Mãe, me perdoe.
ELOÍSA: - Claro minha filha, eu amo vocês, e não quero que nada de mau lhes aconteça.
RENER: - Confesso que em certos casos a senhora tinha razão!
PADRE: - Filho, vou lhe encaminha para um tratamento de desintoxicação!
ELOÍSA: - Obrigada padre.
PADRE: - Só vai depender de você.
RENATO: - Eu sei, eu quero!
PADRE: - Quanto a você cuide bem dessa criança que você carrega em seu ventre...
ELOÍSA: - Cuidaremos.
PADRE: - Meus jovens, todos os domingos a tarde temos encontro marcado, sejam bem vindos está igreja precisa de vocês.
RENATO: - Obrigado padre. O senhor pode contar conosco.
PADRE: - Acho que vocês têem muito que conversar. Só peço que avisem a todos os jovens que vocês conhecem que a porta desta igreja está aberta para todos, que Deus se encontra de braços abertos a espera de todos que dele necessita. Nosso Senhor Jesus mesmo disse: "vinde a mim vos que estão cansados e oprimidos que eu vou aliviarei!" Vão com Deus meus filhos.
(Eloísa abre os braços para os filhos que os abraça)

F I M

O JOVEM E AS DROGAS (Texto de Teatro)

O JOVEM E AS DROGAS
De: Marcondys França

PERSONAGENS:
Pai
Filho
Amigo

CENA I
PAI: - Filho acorda... É hora de se aprontar para escola.
FILHO: - Tá bom pai.
PAI: - Não vai se atrasar...
FILHO: - Tô indo pai...
PAI: - O café tá pronto.
FILHO: - Vou nessa...
PAI: - Te dou uma carona.
FILHO: - Não pai. Pega mau.
PAI: - Não sei por que.
FILHO: - Vão pensar que sou o filhinho do papai.
PAI: - Que mal há nisso?
FILHO: - Todos. Tô indo.
PAI: - Vai com Deus filho. (Filho sai)

CENA II
AMIGO: - Ai mano! Belê?!
FILHO: - Belê!
AMIGO: - Todo mundo me conhece como Rato.
FILHO: - Rato?
AMIGO: - É. Ligeiro e indesejado, mas amigo dos amigos. É teu primeiro dia na escola...
FILHO: - É.
AMIGO: - Vem de onde?
FILHO: - Makenze
AMIGO: - Ê! Boyzinho! Só nos pano... (Passa um pacote)
FILHO: - Que isso?
AMIGO: - Um cigarrinho.
FILHO: - Sai fora! Tô de boa.
AMIGO: - Vai vacilar?
FILHO: - Curto não...
AMIGO: - Pega ai... Presente. Cortesia! Experimenta...
FILHO: - Sei não truta...
AMIGO: - Vai dá o maior barato.
FILHO: - Bacana. Depois eu...
AMIGO: - Pra que deixá pra depois se pode fazê isso agora. Vai... Te dou cobertura.
FILHO: - Valeu... Mais não tenho grana não. Tô durão! (Experimenta)
AMIGO: - Esse é por minha conta. É pra batizar! (Saem)

CENA III
PAI: - Não se sentiu bem durante a madrugada filho?
FILHO: - Indisposição.
PAI: - O café ta pronto.
FILHO: - Tô sem fome.
PAI: - Não vai sair sem comer...
FILHO: - Tô enjoado.
PAI: - Quer que eu te leve ao pronto socorro.
FILHO: - Não. É só uma indisposição. Logo passa! Tô indo...
PAI: - Que que te deixe...
FILHO: - Pai!
PAI: - Tá bom. Se não melhorar, me liga. (Filho sai deixando cair uma bituca) Estranho.

CENA IV
FILHO: -
AMIGO: - E ai mano... Cadê a grana?
FILHO: - Que grana?
AMIGO: - Tem um bagulho... Dos bons!
FILHO: - Quanto custa a parada?
AMIGO: - Dezinho! Só dez pernas!
FILHO: - Num dá pra liberar uma cortesia?
AMIGO: - Ai me complica. Sabe como é... Tenho que prestar conta da parada.
FILHO: - Falô. Dez? Aqui.
AMIGO: - Tá na mão. Se quiser te arrumo mais...
FILHO: - Tô de boa.
AMIGO: - Falô!
FILHO: - Falô. (Saem)

CENA V
PAI: - Senta ai filho.
FILHO: - Que?
PAI: - Vamos ter uma conversa.
FILHO: - Conversa?
PAI: - É.
FILHO: - Tem que ser agora?
PAI: - Positivo.
FILHO: - É que...
PAI: - E esse olho vermelho?
FILHO: - É... Irritação.
PAI: - De que?
FILHO: - Poluição...
PAI: - Por que anda tão agitado?
FILHO: - Ansiedade.
PAI: - Cadê seu mp7?
FILHO: - Emprestei pra um amigo.
PAI: - E o aparelho de DVD do teu quarto?
FILHO: - Quebrou e eu mandei consertar.
PAI: - Cadê a nota de serviço?
FILHO: - Tá por ai. Pai... Quando eu voltar eu procuro e te mostro.
PAI: - Está bem.
FILHO: - Posso ir agora?
PAI: - Claro. (Filho sai) Dessa vez eu sigo ele.

CENA VI
AMIGO: - Ai truta... Tô precisando de um favo... Tem a moral?
FILHO: - Que favor?
AMIGO: - Tem uma entrega grande e não dá pra fazê sozinho...
FILHO: - Ih, cara... É sujeira...
AMIGO: - Tá de onda... Num leva fé sangue bom?
FILHO: - Meu velho...
AMIGO: - Se quiser posso dá um corretivo no coroa.
FILHO: - Não...
AMIGO: - Tu é ou num é responsá?
FILHO: - Sou... Mais...
AMIGO: - Num tem cão. Tá aqui... O endereço ta ai junto.
FILHO: - Sei não.
AMIGO: - Vai dar uma de vacilão agora?
PAI: - Filho...
AMIGO: - (Se assusta e atira) Merda!
FILHO: - Que você fez cara? Pai! Pai... Não... Meus Deus! Não... Pai...
AMIGO: - Sujou! A casa caiu... (Foge)
PAI: - Meu filho...
FILHO: - Agüenta... Vou chamar uma ambu... (O pai não resiste) Pai.. Meu Deus! Que foi que eu fiz? Pai! Pai... Fala comigo, pai...
F I M

janeiro 23, 2011

ENTRANDO NUMA FRIA (TEXTO DE TEATRO)

ENTRANDO NUMA FRIADe: Marcondys França
PERSONAGENS:
PAI
FILHO
LOBINHO (Amigo)
POLICIAL 1
POLICIAL 2
PEÇA EM 1 ATO
CENA IPAI: - Acorda! Escola...
FILHO: - Ah, pai!
PAI: - Vai se atrasar.
FILHO: - Só mais um pouco, vai...
PAI: - Filho...
FILHO: - Tá bom pai.
PAI: - Joga uma água nesse rosto que esta horrível.
FILHO: - Também... Que queria? Acabo de acordar.
PAI: - Fiz um café reforçado.
FILHO: - Belê.
PAI: - Que isso... Belê? Dá pra usar o português correto? Sabe que detesto gírias. Basta pedir: Obrigado, por exemplo.
FILHO: - Brigado.
PAI: - Obrigado.
FILHO: - obrigado!
PAI: - Está vendo? Assim é bem melhor, e não dói nada. Agora é melhor se apressar.
FILHO: - Tô indo.
PAI: - Estou indo. Hei? Não toma mais a benção?
FILHO: - Benção.
PAI: - Que Deus abençoe.
FILHO: - Fui. (Sai)
PAI: - E te proteja.
CENA IILOBINHO: - Tô ligado que cê é novo na escola.
FILHO: - É.
LOBINHO: - Tô ligado truta. Cê vem de buzão?
FILHO: - Não. Na caminhada.
LOBINHO: - Maneiro. Ah, já ia me esqueceno... Sou Lobinho.
FILHO: - Legal. Eu sou Robson.
LOBINHO: - Que vai fazê depois da aula?
FILHO: - Vou pra casa.
LOBINHO: - Nem pensá.
FILHO: - Se eu não chegar, meu pai me mata.
LOBINHO: - Oh, camarada! Tá comigo, tá com Deus! Esquenta a cuca não. O mano aqui tem um esquema da hora...
FILHO: - Esquema?
LOBINHO: - Num vai me dizê que é de dá pra trás...
FILHO: - Que isso!
LOBINHO: - Tu tá veno aquela loja ali?
FILHO: - Tô
LOBINHO: - E lá que será teu batismo. Só quero vê se tu passa no teste.
FILHO: - Teste?
LOBINHO: - É. Teste. Pra fazê parte da turma tem que passá no teste.
FILHO: - E como é esse teste?
LOBINHO: - Hei, calma! No tempo certo vai sabê.
CENA IIIFILHO: - Pai... Cheguei.
PAI: - Que bom filho. Como foi a aula?
FILHO: - Normal.
PAI: - Hei, que boné é esse?
FILHO: - Essa bombeta? Achei...
PAI: - Procurou o dono?
FILHO: - Ta brincano, né pai?
PAI: - Não.
FILHO: - Se eu perguntasse de que é, sabe quantos donos apareceria?
PAI: - Se metem o problema é deles. Você tem que fazer a sua parte. Esse boné é novo. Olha só... Está até com a etiqueta.
FILHO: - Pega leve pai. Alguém perdeu, e eu achei, pronto... O senhor tem que complicar sempre.
PAI: - Escuta aqui... Amanha você vai devolver esse boné, não é seu, e não o quero aqui. (Campanhia)
LOBINHO: - E ai coroa?!
FILHO: - Ah, pai... Esse é o Lobinho.
PAI: - Lobinho?
LOBINHO: - A seu dispô!
FILHO: - Meu colega de escola.
LOBINHO: - Caraça! Cheguei na hora boa... Rango! Dá pra descolar um suco pra nós?
FILHO: - Pai...
PAI: - Vou pegar. (Sai)
LOBINHO: - Ai carinha, tenho um esquema pra manhã.
FILHO: - Depois agente fala sobre isso... Aqui é sujeira.
LOBINHO: - É teu velho?
FILHO: - É. Ta desconfiado.
LOBINHO: - A parada é quente...
FILHO: - Sujou...
LOBINHO: - Foi mal.
PAI: - Suco...
LOBINHO: - Valeu coroa. Hum! Muito bom. Agora tenho que ir... Te vejo amanha, lá na escola. Falô coroa. (Sai)
PAI: - Não te quero na compania desse garoto.
FILHO: - Por que não?
PAI: - Não me parece boa influencia pra você.
FILHO: - O senhor tem que parar com essa mania de achar que sou melhor que os outros. (Sai)
PAI: - Tem algo de errado com esse moleque. (Sai)
CENA IVLOBINHO: - E ai mano, belê?
FILHO: - Belê.
LOBINHO: - Está pronto?
FILHO: - Se meu velho descobrir que cabulei aula...
LOBINHO: - Esquece teu veio. Hoje tu vai sabê o que é adrenalina.
FILHO: - Qual é a parada?
LOBINHO: - Tá veno aquela loja?
FILHO: - To. E daí?
LOBINHO: - Artigos de primeira.
FILHO: - E a segurança?
LOBINHO: - Vai medrar meu irmão?
FILHO: - Claro que não.
LOBINHO: - Trouxe a bombeta?
FILHO: - Trouxe.
LOBINHO: - Põe. E evita olhar pras câmeras.
FILHO: - Então vamos...
LOBINHO: - Hei... Calma ai. Relaxa! Trouxe uma coisinha pra nós.
FILHO: - Como conseguiu?
LOBINHO: - Eu sou o cara. Esse é teu. (Passa um bazeado)
(Acendem e saem fumando)
CENA VPAI: - De onde veio esse casaco?
FILHO: - Ah, é do meu amigo. É do Lobinho. Ele me emprestou.
PAI: - Já conversamos sobre isso.
FILHO: - Ta pai. Vou pro quarto. Tenho que estudar.
PAI: - Hei, espera ai. Escuta aqui rapazinho... Estou falando com você.
FILHO: - Dá pra me deixar em paz só por um minuto? Que saco! (Sai)
PAI: - Tem algo de errado com esse garoto. (Sai. Entra o filho falando no celular)
FILHO: - Belê... Vou dá um perdido velho e daqui a mais ou menos uns vinte minutos to ai. Mas me diz uma coisa... A parada é quente? Então ta. Falo. (Escreve um bilhete e sai) Pai, fui pra casa de uns amigos fazer um trabalho de escola e já volto.
PAI: - Pra onde foi esse moleque? (Encontra o bilhete) Pai fui pra casa de uns amigos fazer um trabalho de escola e já volto. (Pega o celular e liga) Fora de área. Esse menino está aprontando alguma. Não sei por que, mas sinto isso. Queira Deus que eu esteja enganado. (Telefone) Alô... O que? Não... Não pode ser. Polícia? Há algum engano. Sim. É meu filho. Está bem, já estou indo para aí. (Sai)
CENA VI
POLICIAL: - Senhor posso ajudar?
PAI: - Estou procurando meu filho... Recebi uma ligação...
POLICIAL: - Há, o senhor deve ser pai de uns dos moleques que furtavam uma loja de departamentos aqui no centro...
PAI: - Furto?
POLICIAL: - É... Furto. E como não é difícil de imaginar... Um dia a casa cai e a dele caiu. Oh, Juarez... Trás o elemento. (O policial trás Robson)
FILHO: - Não fiz nada pai. Foi tudo um engano. Eu juro que ia pagar.
PAI: - Estou decepcionado com você Robson.
POLICIAL: - O senhor conhece isto?
FILHO: - É meu pai.
PAI: - Não.
POLICIAL: - E isto?
PAI: - Também não.
POLICIAL: - E isto?
PAI: - Não identifico nada dessas coisas. Não são do meu filho.
POLICIAL: - É que imaginei. Dá pra vê que o senhor é uma pessoa honesta e não compartilhar com as coisas erradas que seu filho anda fazendo. Mas sinto muito em dizer-
lo, seu filho foi pego em flagrante ao lado de um já velho conhecido nosso e será encaminhado a Fundação Casa.
FILHO: - Pai... Por favor, me tira daqui, pai...
PAI: - Por favor...
POLICIAL: - Infelizmente, há uma queixa formal... Seu filho foi pego em flagrante e há imagens das câmeras de segurança que comprovam o delito.
FILHO: -
PAI: - Há Robson...
POLICIAL: - Leve-no.
FILHO: -
PAI: - Pai... Pai...
POLICIAL: - Sinto muito senhor. O que tem a fazer é procurar um bom advogado, o quanto antes melhor. De preferência antes que o transferimos para Fundação Casa. (O pai sai desnorteado)
F I M

MEL LISBOA AGITA SÃO PAULO COM O MUSICAL "RITA LEE, UMA BIOGRAFIA MUSICAL".

O espetáculo "Rita Lee, uma autobiografia musical" (estrelado por Mel Lisboa), i nspirado no livro autobiográfico de R...