fevereiro 05, 2013

LIÇÃO DE VIDA - TEATRO (CENA IX E X)


CENA IX
NERISSA: - Vão se atrasar.
LEANDRO: - Que importa?
NERISSA: - Hei?! Cuidado como fala comigo. Ainda sou sua mãe.
LEANDRO: - Belo exemplo!
NERISSA: - Do que esta falando?
LEANDRO: - De como se tratar um idoso.
LISANDRA: - Me espanta meu pai ter concordado...
NERISSA: - Escutem aqui... Fizemos o que achamos melhor para seu avô. E no mais tudo que fiz foi pelo bem de vocês.
LISANDRA: - Bem de quem? Há, fala sério! Bem pra você.
NERISSA: - Mas respeito mocinha. Ainda vai agradecer.
LEANDRO: - me admira meu pai concordar com esse absurdo.
LISANDRA: - Parabéns mãe! Conseguiu o que queria. Nunca vou lhe perdoar por isso.
NERISSA: - Vocês estão sendo injustos comigo.
LISANDRA: - Vamos... O ar aqui esta muito pesado.
LEANDRO: - Vamos. (Saem)
VALTER: - Já foram?
NERISSA: - Já.
VALTER: - E ai? Como estão reagindo?
NERISSA: - Logo irão se conformar. Perceberam que fizemos o melhor.
VALTER: - Não estou muito certo disso.
NERISSA: - Não seja tolo. Sabe que podem visitar seu pai quando quiserem.
VALTER: - Mas tarde darei uma passada... Quero saber como está.
NERISSA: - Pela fortuna que estamos pagando, tenho certeza que está ótimo.
VALTER: - Mesmo assim... Quero ter certeza. Bom, agora vou para o escritório.
NERISSA: - Vai assim? Sem me dá...
VALTER: - Bom dia (Seco. Sai)
NERISSA: - Bom dia. (Com raiva) Nem longe esse velho nos deixa em paz! (Sai)
CENA X
ARIELE: - Senhor Oberon?
OBERON: - Sem cerimonias... Oberon.
ARIELE: - Oberon... Bom dia?!
OBERON: - Bom dia moça bonita.
ARIELE: - Como passou a noite?          
OBERON: - Bem.
ARIELE: - Que bom. Temos visitas.
OBERON: - É? Quem?
ARIELE: - Entrem...
LISANDRA: - Vovô! Que saudade.
LEANDRO: - Benção!
OBERON: - Deus os abençoem meu queridos. Que visita boa.
ARIELE: - Vou deixa-los. Se precisarem de mim... Estarei na sala ao lado. (sai)
OBERON: - Não deviam está na escola?
LISANDRA: - Matamos aula...
OBERON: - Isso não é bom.
LISANDRA: - Aquela casa não é a mesma coisa sem o senhor...
LEANDRO: - E ai? Como está?
OBERON: - Como lhe pareço?
LEANDRO: - Aparentemente bem.
OBERON: - E estou. Viram? Tenho uma ótima vista.
LISANDRA: - Estamos sentindo sua falta.
OBERON: - Podem vir me vê.
LEANDRO: - Tem certeza que está bem?
OBERON: - Me sinto ótimo.
LEANDRO: - Como pode se sentir ótimo? É um asilo.
OBERON: - Não. Aqui, agora é minha casa. Olhem ao seu redor... Parece um asilo?
LISANDRA: - Não.
LEANDRO: - Até que é bacana.
OBERON: - E tem um jardim maravilhoso.
ARIELE: - Com licença... Tem mais visita.
VALTER: - Pai...
OBERON: - Entre filho.
VALTER: - Posso saber o que estão fazendo aqui?
LEANDRO: - O mesmo que o senhor.
VALTER: - Não deviam está na escola?
LISANDRA: - Estávamos preocupados com o vovô.
OBERON: - Não se zangue com eles meu filho... Agora sabem que estou bem, e vão ficar mais tranquilos.
VALTER: - Está bem. Por hoje passa. Só espero que sua mãe nem sonhe que vocês faltaram aula.
LEANDRO: - Deus nos livre!
VALTER: - Pai... Só passei pra vê como está.
OBERON: - Como vê... Estou bem.
VALTER: - Me promete que não se sentir bem aqui, me avisa...
OBERON: - Prometo.
ARIELE: - Com licença... Sei que a conversa esta boa... Mas, o senhor lembra da aquele passeio?
OBERON: - Claro. Viram... Tenho como não me sentir bem ao lado de uma jovem tão bonita?
LEANDRO: - Pô! Se deu bem vô.
VALTER: - Bom pai. Vamos deixa-lo com essa ótima companhia. E vocês, já pra escola... Vamos dou uma carona. Benção pai.
OBERON: - Deus o abençoe.
LEANDRO: - Benção vô.
LISANDRA: - Benção vovô.
OBERON: - Deus os abençoem meus queridos. Vão em paz. (Saem)
ARIELE: - Vamos... (Dá o braço)
OBERON: - Vamos.

LIÇÃO DE VIDA - TEATRO (CENA VII E VIII)


CENA VII
VALTER: - Bom dia.
ARIELE: - Bom dia!
VALTER: - Em que possa ajuda-la?
ARIELE: - Ah, sou Ariele. Sou assistente social do Lar Melhor Idade.
VALTER: - Assistente social?
ARIELE: - Sim. O senhor deve ser o senhor Valter.
VALTER: - Perfeitamente.
ARIELE: - Dona Nerissa esta?
VALTER: - Claro.
ARIELE: - É que sua esposa marcou comigo... Oh, perdão! O senhor não sabia.
VALTER: - Não.
ARIELE: - Sinto muito.
NERISSA: - Como vai?
ARIELE: - Bem. Perdão... Não sabia que...
NERISSA: - Tudo bem. Por favor, sente-se.
ARIELE: - Obrigada. Bom, acho que mais ou menos o senhor deva ter uma ideia sobre nosso lar...
VALTER: - Nerissa me falou. Mas sinto muito, não estamos interessados. Não vou colocar meu pai num asilo.
NERISSA: - Por que tem ser tão cabeça dura?
OBERON: - Mas eu estou interessado.
NERISSA: - Enfim, alguém sensato.
VALTER: - Pai...
OBERON: - Filho... Me escuta. Só estamos bem quando encontramos equilíbrio entre corpo e mente...
VALTER: - Não se sente bem conosco?
OBERON: - Não me sinto confortável com essa situação. E no mais vocês poderão me visitar, não é mesmo senhorita?
ARIELE: - Claro!
VALTER: - Não...
NERISSA: - Prefere o que? Que seu pai seja infeliz aqui?
OBERON: - Meu filho, eu ficarei bem. E quando quiser, poderá ir lá me ver. Estou mesmo precisando de novos ares... Senhorita, prepare os papeis.
VALTER: - Tem certeza papai?
OBERON: - Tenho. Já me decidi. (Sai)
VALTER: - Satisfeita?
NERISSA: - Quase.
ARIELE: - Aqui está o contrato.
NERISSA: - Ótimo.
ARIELE: - Amanhã poderemos vir busca-lo.
VALTER: - Não. Faço questão de leva-lo.
ARIELE: - Como preferi. Então, espero o senhor Oberon amanha... Com licença.
VALTER: - Satisfeita?
NERISSA: - Se é para o bem de todos? Estou. (Sai)
VALTER: - Ah, Nerissa! (Sai)
CENA VIII
(No lar. Oberon com a mala)
ARIELE: - Seja bem vindo senhor Oberon.
OBERON: - Obrigado linda moça.
ARIELE: - Como se sente?
OBERON: - Em paz. É um belo lugar.
ARIELE: - Ah, eu gosto daqui.
OBERON: - Imagino que sim.
ARIELE: - Também moro aqui.
OBERON: - E sua família?
ARIELE: - Perdi muito cedo. Fui criada em um orfanato.
OBERON: - Sinto muito.
ARIELE: - Já superei. Sabe seu Oberon... Estas pessoas são a minha família. Aqui fui recebida de braços abertos por todos.
OBERON: - Tem sorte de gostar do que faz.
ARIELE: - Não faço apenas por necessidade, dinheiro... Faço por amor.
OBERON: - Percebe-se.
ARIELE: - Conversei com seus netos...
OBERON: - São joias raras.
ARIELE: - Amam muito o senhor.
OBERON: - Sei disso.
ARIELE: - Seu filho também lhe ama muito.
OBERON: - É um bom homem.
ARIELE: - Teve um bom exemplo. Fala do pai com muito orgulho.
OBERON: - Não me perdoaria causar desarmonia em seu lar.
ARIELE: - Dona Nerissa?
OBERON: - É uma mulher difícil. Mas com o tempo, tenho fé, que Deus irá quebrantar o seu coração.
ARIELE: - Não tem raiva?
OBERON: - Não. Apenas sinto pena. Mas compreendo. Teve uma infância difícil, e uma adolescia complicada. Quando se é criada numa família desestruturada, não muito o que se esperar.
ARIELE: - É. A família é base de tudo. Mas acho que é hora de descansar um pouco.
OBERON: - Na minha idade se vive cada momento como se fosse único. Quero explorar um pouco deste lugar.
ARIELE: - Claro. Tem todo direito. Bom, é ótimo conversar com o senhor. Mas tenho que voltar ao trabalho.
OBERON: - Não quero lhe incomodar.
ARIELE: - Incomodo algum. Mas podemos dar um volata mais tarde. Temos aqui um jardim lindo.
OBERON: - Um encontro?
ARIELE: - Exatamente!
OBERON: - Senhorita, aguardarei ansiosamente...
ARIELE: - Então, até mais tarde.
OBERON: - Até. (Ela sai. Ele olha ao redor e sai).

LIÇÃO DE VIDA - TEATRO (CENA V E VI)


CENA V
NERISSA: - Querido! Que bom que chegou.
VALTER: - Aconteceu alguma coisa?
NERISSA: - A assistente esteve aqui...
VALTER: - Quem?
NERISSA: - A assistente daquele lugar que lhe comentei...
VALTER: - Lá vem você com essa história novamente.
NERISSA: - Valter...
VALTER: - Pensei ter deixado bem claro...
NERISSA: - Dá pra parar só um pouquinho e tentar me ouvi?
VALTER: - Esquece.
NERISSA: - Veja... é maravilhoso. Um lugar perfeito.
VALTER: - Já lhe disse que desta casa meu pai não sai.
NERISSA: - Ah... Já que é assim... então sai eu.
OBERON: - Não será preciso.
VALTER: - Pai?
OBERON: - Sua esposa tem razão. Estou incomodando... Já fiquei tempo demais. Não tem cabimento continuar nesta casa entre vocês, abusando de sua hospedagem.
VALTER: - Que isso papai... Esta é sua casa.
OBERON: - Não. Esta é sua casa, da sua família.
VALTER: - Você faz parte desta família.
OBERON: - Meu filho... Seja prudente. Sou apenas um velho, já vivi muito, já vivi tudo que tinha pra viver... e agora só me resta espera a morte.
VALTER: - Não diga bobagens. Ainda tem muito que viver. Não posso permitir que saia desta casa.
OBERON: - Mesmo que esta seja minha vontade? Nerissa?
NERISSA: - Senhor?
OBERON: - Convide essa moça, a assistente social para conversar conosco.
VALTER: - Não. Negativo.
NERISSA: - Respeite a vontade do seu pai.
VALTER: - estou decepcionado com você.
NERISSA: - E eu com você.
OBERON: - Não quero que briguem por minha causa. Não desejo ser um estorvo na vida de vocês. Chame a assistente social...
VALTER: - Não.
OBERON: - Filho, respeite meu desejo.
VALTER: - Mas papai?
OBERON: - Por favor. Seja razoável.
NERISSA: - Amanhã ligo e peço que venha aqui conversar conosco.
VALTER: - Não posso concordar com isso. É absurdo!
OBERON: - Filho, se me ama, faça o que tem que ser feito. (Sai)
VALTER: - Satisfeita?
NERISSA: - Quase. É fácil me criticar. Não é você que passa o dia em casa tendo que suportar o incomodo e o transtorno de se ter um velho em casa.
VALTER: - Mas respeito. Velho não. Idoso. E você está falando do meu pai.
NERISSA: - Velho, idoso, tudo a mesma coisa. O incomodo é o mesmo.
VALTER: - Você não tem coração.
NERISSA: - Ainda bem. Se tivesse já teria enfartado. (Sai)
CENA VI
(Entra Oberon pensativo)
LISANDRA: - Vovô...
LEANDRO: - Oi vô?!
OBERON: - Meus queridos!
LISANDRA: - Tudo bem vovô?
OBERON: - Tudo na mais perfeita paz.
LISANDRA: - Estou lhe achando um tanto quanto pensativo.
OBERON: - Quando se chega a minha idade, as lembranças nos atormentam.
LEANDRO: - Então isso não é bom.
OBERON: - Depende... Quando é uma saudade que dói, machuca...
LISANDRA: - Saudades da vovó, né?
OBERON: - Não só. A juventude também me faz falta. Quando se é jovem, é bem mais fácil recomeçar.
LISANDRA: - Mas não bom chegar a sua idade com tantas histórias...
OBERON: - Foi-se o tempo que cabelos brancos era sinal de sabedoria e respeito.
LEANDRO: - Verdade. As pessoas já não respeitam mais os mais velhos.
OBERON: - Sou de uma época em que os idosos não precisavam de uma lei para serem respeitados. Já se educava os jovens desde muito cedo a respeitar os mais velhos.
LISANDRA: - Sempre gostei de ouvi-lo... Sempre nos contavam belas histórias, sabe vovô, ao ouvi-lo contar sempre tive impressão que o senhor viveu todas, ali, presenciando todos os fatos.
OBERON: - Sou de um tempo que nos reuníamos para ouvir... ouvir! Ouvir o que os outros tinham pra nos contar. Mas hoje, as pessoas com essa vida louca, sempre apressadas, não tem tempo nem mesmo pra ouvir os que estão ao seu lado.
LEANDRO: - É. Temos a impressão que o tempo passa tão depressa.
OBERON: - Os tempos são outros... Os valores também. Isto é, já não são mais importantes. Estão todos tão focados no dinheiro, em se dar bem na vida, que atropelam a todos e muitas vezes não enxergam as pessoas importantes que deixaram para trás.
LISANDRA: - E quando se dar conta, tarde demais.
OBERON: - Exatamente.
LEANDRO: - Mas agora contamos com a tecnologia...
OBERON: - A tecnologia deveria ser um mecanismo para facilitar a vida e de certo modo facilitou...
LEANDRO: - E isso não é bom?
OBERON: - Não a parti do momento que pos uma barreira entre as pessoas.
LISANDRA: - Não entendi.
OBERON: - Quantos amigos você tem nas suas redes sociais?
LISANDRA: - Uns quinhentos...
OBERON: - E quantos você realmente conhece de verdade?
LISANDRA: - Como assim?
OBERON: - De ter uma relação próxima, de amizade, de sentar, bater um papo, contar segredos, dividir alegrias, angustias, trocar confidencias...
LISANDRA: - Sei lá... Na rede, nenhum...
OBERON: - Então há uma ilusão no qual o numero de amigos que se tem na rede os torna populares.
LEANDRO: - Entendi. Estamos tão conectados ao mundo virtual que passamos a desvalorizar o mundo real.
OBERON: - Isso mesmo. Precisamos amar mais as pessoas.
NERISSA: - Há... Estão aqui.
LISANDRA: - Estamos.
NERISSA: - Vão lavar as mãos... Logo servirei o jantar. (Saem) Seu Oberon, amanhã a assistente social virá aqui.
OBERON: - Tudo bem. Será bem vinda.
LISANDRA: - E será. Assim como o senhor será bem, ido. (Sai)
OBERON: - Que Deus tenha misericórdia de você Nerissa! (Sai)

LIÇÃO DE VIDA - TEATRO (CENA III E IV)


CENA III
LISANDRA: - O clima aqui tá pesado.
LEANDRO: - Olha, depois da discursão de ontem, sei não...
LISANDRA: - Mamãe tá pegado pesado.
LEANDRO: - Novidade!
LISANDRA: - Enquanto não despejar vovô Oberon, não sossega.
LEANDRO: - Só resta saber se nosso pai vai aceitar esse capricho.
LISANDRA: - Não duvido nada. Sempre consegue o quer. Nosso pai sempre cede.
LEANDRO: - temos que fazer alguma coisa...
LISANDRA: - Que podemos fazer?
LEANDRO: - Não podemos deixar que jogue o vovô num asilo.
LISANDRA: - Não sei que fazer...
LEANDRO: - Bater de frente. Fazemos parte desta família e temos e não fomos consultados. E nossa opinião tem que ter algum peso.
LISANDRA: - Quer saber? Não.
NERISSA: - Ainda estão aqui? Andem... Vão se atrasar para a escola. (Filhos saindo) Hei? É assim?
LISANDRA: - Benção.
LEANDRO: - Benção...
NERISSA: - Deus os abençoem. (Saem)         
ARIELE: - Bom dia...
NERISSA: - Bom dia.
ARIELE: - Sou Ariele...
NERISSA: - Ah, sei. Assistente social... Por favor, entre... Sente-se.
ARIELE: - Obrigado. (Senta)
NERISSA: - Uma água, um suco?
ARIELE: - Aceito uma água.
NERISSA: - Só um momento... (Pega) Aqui.
ARIELE: - Obrigada.
NERISSA: - Estava a sua espera.
ARIELE: - Bom, Como já lhe adiantei por telefones, vim exclusivamente para apresentar a senhora a nossa instituição... Nesse prospecto posso reforçar as informações prestadas, apresentando todos os benefícios que diferencia nossa instituição das outras.
NERISSA: - Sei... Me interessou muito.
ARIELE: - Nosso espaço é pensado para o bem estar das pessoas que hospedamos, com espaço amplo com várias áreas de lazer e com profissionais qualificados para lidar tanto com questões emocionais quanto físicas.
NERISSA: - Isso é bom... fica mais fácil para convencer meu marido...
ARIELE: - Sem contar que também damos importância a higiene física e mental através de estímulos apropriado a cada necessidade. Se perceber nesta parte lateral, temos duas opções de leito, que é o individual ou o coletivo, isso vai conforme o perfil do cliente,
NERISSA: - Nossa! Parece até um hotel cinco estrelas.
ARIELE: - Nosso desejo é proporcionar o maior conforto a nossos hospedes assim como trazer tranquilidade a seus familiares.
NERISSA: - E o custo?
ARIELE: - Neste outro prospecto temos os preços conforme cada perfil.
NERISSA: - Nossa! Bem salgadinho.
ARIELE: - Conosco seu...
NERISSA: - Sogro.
ARIELE: - Seu sogro estará em boas mãos.
NERISSA: - Por esse preço, tem que ser tratado como rei. Embora ache um exagero. Bem... Vou conversar com meu marido, e logo que possível entro em contato.
ARIELE: - Claro. Então, aguardo sua ligação e espero que nossa instituição possa prestar serviço para sua família.
NERISSA: - Pode deixar...
ARIELE: - Também aguardamos a visita em nossa intuição para que possam confirmar as informações que estão neste prospecto.
NERISSA: - Pode deixar. Assim que conversar com meu marido, ligo para marcar uma visita.
ARIELE: - Então... Prazer... E até breve.
NERISSA: - Até. (Ariele sai) Por mim jogava esse velho rabugento em qualquer muquifo. Atraso de vida! (Sai)
CENA IV
(Entra Oberon)
LISANDRA: - Vovô...
OBERON: - Oi minha querida.
LISANDRA: - Que faz aqui tão solitário?
OBERON: - Nem sempre está cercado de pessoas nos faz sentir acompanhados. Já ouviu falar em solidão a dois?
LISANDRA: - Já.
OBERON: - É um tipo de solidão e muitas vezes mais doloridas que existe. Solidão é como felicidade, um estado de espírito, esta muito ligado a sua satisfação
LISANDRA: - Não está se sentindo assim, esta?
OBERON: - Não minha querida, claro que não. As vezes precisamos nos isolar um pouco para ouvir a voz que vem de dentro do nosso coração.
LISANDRA: - Que está tentando dizer?
OBERON: - Que na vida somos pego por cada surpresa.
LISANDRA: - As vezes a vida é tão cruel...
OBERON: - Não minha queria. A vida, nunca é cruel, é perfeita, as pessoas com sua ignorância, é que são cruéis.
LISANDRA: - Refere-se a mamãe?
OBERON: - Não. Meu bem, sua mãe é uma vítima do próprio egoísmo... Mas essa mesma vida ainda dá outras chances de se modificar, de aprender com os erros.
LISANDRA: - Não concordo com que deseja fazer.
OBERON: - Não se preocupe minha menina... Não cai uma só folha se não for da vontade de Deus. Como dizia o poeta desconhecido: Tudo fica bem quando se termina bem... E se não terminar bem? É por que não terminou.
LISANDRA: - Não pode fazer isso. O senhor é meu avô, faz parte dessa família.
OBERON: - Não importa onde eu esteja. Nunca deixarei de ser teu avô, ou de fazer parte dessa família. (Mão no peito) Por que perto está quem aqui está. (Se abraçam)
LISANDRA: - Papai não deixará.
OBERON: - Que tem que ser, será. Me acompanha a um passeio?
LISANDRA: - Claro. É sempre uma honra.
OBERON: - Senhorita... (Saem)

MEL LISBOA AGITA SÃO PAULO COM O MUSICAL "RITA LEE, UMA BIOGRAFIA MUSICAL".

O espetáculo "Rita Lee, uma autobiografia musical" (estrelado por Mel Lisboa), i nspirado no livro autobiográfico de R...