fevereiro 02, 2011

ALGO EM COMUM (Texto de Teatro)

ALGO EM COMUM
De: Marcondys França
Personagens:
CAIO
SABRRINA

(ouve-se a campanhia, as luzes ascende-se. O público vê uma sala com decora moderna e de bom tom. Na parede central uma tela ilustrando um beijo entre duas pessoas do mesmo sexo)
CAIO: -Pois não?
SABRINA: -Boa noite?
CAIO: -Boa.
SABRINA: -Me desculpe, mas será que eu poderia falar com você?. (Há um certo nevosismo na voz dela)
CAIO: -Nos conhecemos?
SABRINA: -Acredito que não!
CAIO: -O que você deseja então?
SABRINA: -Ah, desculpe-me! É que estou tão, nervosa...
CAIO: (Ele não entende)
SABRINA: -Você é o Caio...
CAIO: -Como sabe meu nome?
SABRINA: -Ah,que falta de educação minha! Sou Sabrina.
CAIO: -Não estou entendendo.
SABRINA: -Posso entrar?
CAIO: -Talvez você esteja me confundindo com outra pessoa.
SABRINA: -Pode está certo que não.
CAIO: - Algum tipo de brincadeira?
SABRINA: -Esteja certo que não.
CAIO: -Me desculpe mas...
SABRINA: -Temos alguém em comum.
CAIO: -Como é que é?
SABRINA: -Posso entrar?
CAIO: -Acho melhor não!
SABRINA: -Não seria conveniente conversamos aqui na porta.
CAIO: -Acho que não temos o que conversar.
SABRINA: -Será que não mesmo? Você não tem nenhum interesse em saber quem sou?
CAIO: -Por que deveria?
SABRINA: -Sempre quis saber quem era.
CAIO: -Por favor. (mostra o caminho)
SABRINA: -Obrigada.
CAIO: -Bebe algo?
SABRINA: -Uma soda por gentileza.
CAIO: -Com gelo?
SABRINA: -Por favor.
CAIO: (prepara a soda e faz para si um uisque)
SABRINA: (observando a tela na parede) Um bonito quadro.
CAIO: -Gosto de arte.
SABRINA: -Este é diferente.
CAIO: -Gosto de coisas diferentes...
SABRINA: -Ousadas...
CAIO: -As vezes.
SABRINA: -Você que escolheu a decoração?
CAIO: -Tive ajuda.
SABRINA: -É um estilo inconfundívell.
CAIO: -Olha...
SABRINA: (Pega um porta retrato com a foto de Caio e seu amor) -Onde foi tirada essa foto?
CAIO: -Numa viagem a Natal.
SABRINA: -É um lugar encantador. Lua de Mel?
CAIO: -Talvez.
SABRINA: -Minha Lua de mel foi inclível. Você o ama?
CAIO: -No que mudaria?
SABRINA: -No que mudaria?! Seria tão mais fácil se as pessoas fossem honestas umas com as outras. Não acha?
CAIO: -Acredito que primeiro é preciso que sejamos honestos com n'ós mesmo.
SABRINA: -Uma questão de escolha?
CAIO: -Talvez de opinião...
SABRINA: -Nem sempre podemos escolher o que desejamos.
CAIO: -E isso causa sofrimento.
SABRINA: -Contentamento. Aprendemos a aceitar a vida como ela é...
CAIO: -Não seria como a fazemos?
SABRINA: -Medo da solidão...
CAIO: -Nem sempre está no meio da multidão é está acompanhado.
SABRINA: -Doi!
CAIO: -O que?
SABRINA: -A solidão a dois.
CAIO: -Acredito que sim.
SABRINA: -Não sente?
CAIO: -O que?
SABRINA: -Solidão...
CAIO: -Não quando tenho certesa que vai voltar.
SABRINA: -É constante?
CAIO: -O que?
SABRINA: -Esta certeza?
CAIO: -Acreidto no amor.
SABRINA: -Nas juras?
CAIO: -No olhar.
SABRINA: -O olhar é fogo que queima, arde, sem tocar.
CAIO: -Nos gestos simples, mais verdadeiros.
SABRINA: -E a velhice? Sabe algo sobre Amistedã?
CAIO: -Projetos!
SABRINA: -União?
CAIO: -Respeito.
ABRINA: - Sente-se inseguro.
CAIO: -Me previno.
SABRINA: -Da vida?
CAIO: -A vida é cheia de incertezas. Mesmo não sabendo quando, a única certeza que temos é que um dia temos que partir.
SABRINA: -Seguro?
CAIO: - Previdêncancia.
SABRINA: -Ah! Negócios...
CAIO: -Investimento.
SABRINA: -É sábio de sua parte.
CAIO: -Acordo comum.
SABRINA: -Sente-se amado?
CAIO: -O amor é uma renovação.
SABRINA: -Gostaria de me sentir como nos conhecemos.
CAIO: -Não podemos freiar o tempo.
SABRINA: -Eramos tão jovens.
CAIO: -O tempo passa.
SABRINA: -E com ele tudo mudou.
CAIO: -Você sabia.
SABRINA: -Nunca tive certeza! O amor me cegou.
CAIO: -Ou fechou os olhos para não enchergar o que via.
SABRINA: -Medo de perder.
CAIO: -É preciso recuar para permanecer.
SABRINA: -Faço isso todos os dias.
CAIO: - Um campo minado!
SABRINA: -Por isso não enfrento.
CAIO: -E sofre outros tipos de retalhações.
SABRINA: -Este é o preç'e que tenho que pagar. Precisa de ajuda.
CAIO: -Precisa de ajuda.
SABRINA: -Eu preciso de amor.
CAIO: -Não se é amado quando se omite...
SABRINA: -A omissão é uma forma de permanecer bem, diante de todos.
CAIO: -É pior...
SABRINA: -No começo falavamos de filhos...
CAIO: -E por que não tiveram?
SABRINA: -Medo.
CAIO: -Medo?
SABRINA: -Medo.
CAIO: -Do que?
SABRINA: -Queriamos um casal.
CAIO: -Talvez vocês não se sentissem preparados!
SABRINA: -Nunca soube dividir meus sentimentos com mais de uma pessoa.
CAIO: -Talvez sua vida tivesse outro sentido.
SABRINA: -O medo não deixou.
CAIO: -Se não enfrentamos nossos medos não sairemos do lugar.
SABRINA: -Me sinto imóvel!
CAIO: -É preciso estímulo para se chegar a algum lugar.
SABRINA: -É uma coisa interna.\par
CAIO: -Que precisa é de uma força interna.
SABRINA: -Tinha medo que meu filho fosse igual ao pai.
CAIO: -Seria íntegro.
SABRINA: -Mas faria alguém sofrer como sofro.
CAIO: -Nem todos agem da mesma forma.
SABRINA: -Questão de modelos.
CAIO: -Temos o livre arbítrio.
SABRINA: -Nem sempre. Escolhas trazem consequencias.
CAIO: -Comodismo também. É preciso tentar.
SABRINA: -Só sei o que é sofrer.
CAIO: -Então não seria a hora de saber o que é ser feliz.
SABRINA: Vê-lo voltando pra casa todas as noites.
CAIO: -Mesmo sabendo que é pela metade?
SABRINA: -Um gota de água no deserto faz milagres.
CAIO: -Quando não mata.
SABRINA: -É melhor morrer com a sensação de saciada, que esta sede que sinto.
CAIO: -Procure qjuda profissional.
SABRINA: -Nunca quiz uma filha. A rejeição é um sentimento que castiga nossa alma.
CAIO: -Medo de que passasse por isso?
SABRINA: -Ou que fosse mais feliz que eu...
CAIO: -Esse é o desejo de toda mãe.
SABRINA: -Não sei.
CAIO: -Ainda é tempo.
SABRINA: -Como ser m\'e3e se nem mesmo sabe-se o que \'e9 ser mulher.\par
CAIO: -Encontre alguém que lhe desperte esta sensação.
SABRINA: -Sexo...
CAIO: -Desculpe?...
SABRINA: -Tem uma vida ativa?
CAIO: -Fulgas.
SABRINA: -Quem é?...
CAIO: -Não entro em detalhes. Esta é minha intimidade.
SABRINA: -Desculpe-me. Você me acha interessante?
CAIO: -Um prato cheio pra quem tem fome.
SABRINA: -Isso responde a minha pergunta?
CAIO: -Acredito que sim.
SABRINA: -Se não... Você se sentiria atraíedo por mim.
CAIO: -Talves. Como posso saber!
SABRINA: -Ele tem um bom gosto.
CAIO: -Obrigado.
SABRINA: -Você também.
CAIO: -Acredito que sim.
SABRINA: -Ah meu Deus! O que há de errado comigo. (CHORA)
(Caio levanta-se e pegar um copo com água)
CAIO: -Beba.
SABRINA: -Obrigada. Desculpe-me. Me descontrolei.
CAIO: -Todos perdemos o controle de vez enquanto.
SABRINA: -Você parece uma boa pessoa.
CAIO: -Tento.
SABRINA: -É cheguei a te odiar.
CAIO: -Talvez em seu lugar me odiaria também.
SABRINA: -Que alívio! Pensei que fosse o começo da loucura.
CAIO: -Esta passando por um momento dificil.
SABRINA: -As vezes sinto que me ama.
CAIO: -Talvez não queirra magoa-la.
SABRINA: -Proteger?
CAIO: -Muitas vezes na tentativa de proteger acabamos ferindo, pessoas queridas.
SABRINA: -Mentir.
CAIO: -Omitir.
SABRINA: -A mentira passa a ser uma verdade quando a verdade é uma mentira.
CAIO: -Mas o sofrimento é real.
SABRINA: -Num mundo de lágrimas falsas.
CAIO: E o futuro?
SABRINA: -Então não pensa.
CAIO: -Vivo o presente. Projeto o fulturo. É algo tão longe que as vezes foge entre nossos dedos antes mesmo de chegar.
SABRINA: (Vê outra foto) -Posso?
CAIO: -Claro.
SABRINA: -É muito bonita!
CAIO: -Minha ex.
SABRINA: -Você a amava?
CAIO: -Sim...
SABRINA: -Então por que a deixou?
CAIO: -Foi preciso.
SABRINA: -Honestidade?
CAIO: -Carinho.
SABRINA: -Como soube?
CAIO: -Por mim.
SABRINA: -Soube sozinha.
CAIO: -Sofre?
SABRINA: -Tento compreeder.
CAIO: -Por isso se sente perdida.
SABRINA: -Talvez.
CAIO: -Não conseguiria salvar.
SABRINA: -Não quero salvar.Não é isso que me motiva.
CAIO: -Alta piedade?
SABRINA: -Amor.
CAIO: -Amor sem paixão é amizade.
SABRINA: -É contentamento.
CAIO: -Até quando?
SABRINA: -Até que volte.
CAIO: -E se não voltar?
SABRINA: -Irei junto.
CAIO: -Se o caminho não for o mesmo?
SABRINA: -Sempre voltou. Precisa de mim.
CAIO: -E você do que precisa?
SABRINA: -Da certeza.
CAIO: -Um contrato.
SABRINA: -É temos.
CAIO: -Pode ser recindido.
SABRINA: -A multa seria alta.
CAIO: -Consequencias.
SABRINA: -Sei a hora de avançar.
CAIO: -Sente dificuldades de recuar?
SABRINA: -Não sou mulher de desistir.
CAIO: -Por isso sofre.
SABRINA: -Todos sofremos. Até mesmo os mais fortes como você.
CAIO: -Como pode saber?
SABRINA: -Amor e egoismo andam lado-a-lado.
CAIO: -Existem situações que temos ceder.
SABRINA: -O medo de quem cede é o da perda total.
CAIO: -Muitas vezes depois de uma grande perda, reconstruimos nossas vidas com grande vitoria.
SABRINA: -As vezes as incertezas nos paraliza.
CAIO:-Bebe mais?
SABRINA: -Por favor. wisk.
CAIO: -Com gelo?
SABRINA: -Sim. (levanta e olha novamente o quadro.Caio se aproxima com o copo)
CAIO: -Tesão?
SABRINA: -Passa.
CAIO: -Sintonia. Quando se sabe sintonizar...
SABRINA: -Odeio...
CAIO: -Eu sei.
SABRINA: -Não sabe.
CAIO: -Odeia o amor que sente.
SABRINA: -Dizem que tem alma feminina.
CAIO: -Nem todos os lados opostos se atraem.
SABRINA: -O mau e o bem.
CAIO: -Controle.
SABRINA: -Nunca se descontrola?
CAIO: -Temos nosso dia ruim.
SABRINA: -Quando percebo o descontrole, me tranco no banheiro e passo horas me maquiando.
CAIO: -Máscara!
SABRINA: -E o que vejo é um estranho no banheiro.
CAIO: -Fuja.
SABRINA: -Fecho os olhos e penso. Éuma fase, assim como esta maquiagem, logo que lavada, some.
CAIO: -Some?
SABRINA: - Eu fico.
CAIO: -E por que não vai?
SABRINA: -Não sei o caminho.
CAIO: -Medo.
SABRINA: -Vingança.
CAIO: -Preferi sofrer ao deixar partir?
SABRINA: -O odio é alimentado pela presença.
CAIO: -A ausência pode ser a cura.
SABRINA: -Existem feridas que são incuráveis.
CAIO: -E o que quer?
SABRINA: -O que tem.
CAIO: -Não percebe a diferença.
SABRINA: -Não me importaria de ser igual.
CAIO: -É um mundo a parte.
SABRINA: -Dentro do meu.
CAIO: -Sinto muito.
SABRINA: -Deixe-o.
CAIO: -Para outro?
SABRINA: -Seria menos um.
CAIO: -E você teria mais um.
SABRINA: -Sou incansável.
CAIO: -Nem todas batalhas podemos vencer.
SABRINA: -Se não posso vencer posso ao menos me aliar.
CAIO: -É loucura.
SABRINA: -Todos somos.
CAIO: -Não te ama.
SABRINA: -Não importa.Eu o amo.
CAIO: -Isto é doença.
SABRINA: -É amor.
CAIO: -Ilusão.
SABRINA: -Somos felizes mesmo distantes!
CAIO: -A distância é um m protesto para manter a paz.
SABRINA: -O inferno esta aqui!
CAIO: -É por isso que há fogo. O paraíso te incomoda.
SABRINA: -É monotono.
CAIO: -Converse.
SABRINA: -Sei a resposta.
CAIO: -Por que foge?
SABRINA: -Pra não mais me ferir.
CAIO: -Prefiro o sonho. Surge sem programação.
SABRINA: -Pesadelos também.
CAIO: -A luz espanta a escuridão.
SABRINA: -A novidade expulsa o amor. ( Pega a bolsa, levanta-se)
CAIO: -O perdão reconstrói uma vida.
SABRINA: -Deixe-o.
CAIO: -Se quizer ficar...
SABRINA: -É meu.
CAIO: -Não é propriedade.
SABRINA: -Voccê é como o tempo...
CAIO: -Pretendo deixar boas marcas.
SABRINA: -Não te quero mau.
CAIO: -Nem eu a você. Por que veio?
SABRINA: -Pra pedir.
CAIO: -O que ha fez pensar que seria atendida.
SABRINA: -Mais de dois passos me motivaram.
CAIO: -Um só bastaria para entender que não há acordo.
SABRINA: -Negociações.
CAIO: -Não a vida não é um contrato.
SABRINA: -Passa.
CAIO: -O que é bom e real fica.
SABRINA: -Ruim e frustante também.
CAIO: -Procura não cultivar.
SABRINA: -É como mato, nasce sem permissão. (Sabrina saindo)
CAIO: -Por favor... (ela vira-se em direção a ele) Não volte mais aqui. (Ela sai, ele tranca a porta, respira fundo)

FIM

AMOR EM PRETO E BRANCO (Texto de Teatro)

AMOR EM PRETO E BRANCO
DE: MARCONDYS RAMOS

PERSONAGENS:
LIZA
LÚCIA: irmã de Liza
NORA: mãe de Liza
DENIS: marido de Lúcia
KLEBER: namorado de Liza
ATO I
CENA I
(numa sala bem mobiliada Nora faz tricô pacientemente, Liza entra feliz, como se estivesse flutuando).
NORA: - (num tom seco) Posso saber o motivo de tanta felicidade?
LIZA: -Ora, dona Nora! Hoje me sinto como se estivesse nas nuvens!
NORA: -Ah, é?! E posso eu saber o que a deixou nas nuvens?
LIZA: -Ainda é cedo! No momento certo a senhora saberá.
NORA: -Como sempre! Nós, mães sempre somos as últimas, a saber, o que os filhos andam aprontando...
LIZA: -Ora mãezinha! Que modo de falar! (agacha-se a seu lado) Não sou, mas nenhuma adolescente para aprontar!
NORA: -Age como se fosse!
LIZA: -Ora mamãe! Estou feliz! Apenas estou feliz. Feliz como há muito tempo não me sentia...
NORA: -Só espero que não esqueça sua condição...
LIZA: -Que condição?
NORA: -De mulher separada.
LIZA: -E daí, qual o problema? O fato de ser separada não me impede de ser feliz!
NORA: - (levanta-se) Ora Liza, você não é, mas uma menina e nem tão pouco uma donzela. Ou você ainda acredita que os homens que se aproximam de uma mulher que já foi casada, que já se entregou a outro homem, com intenção de casar-se? Ora esta, francamente! Acorda!
LIZA: -Claro que acredito! Acredito sim. Não vejo nada de impossível! O amor é sim possível. As pessoas amam mãe. Nem todos têem tendência para viver uma vida inteira cheia de preconceitos e amarguras!
NORA: -Não seja ridícula! As pessoas falam. E na hora h, este príncipe tão perfeito torna-se seu próprio carrasco.
LIZA: -Que se dane as pessoas! Pouco me importa o que falam! Que cada um desses desocupados cuide de suas vidas e deixem a minha em paz! Quero ser feliz! E não vou deixar de viver para ouvir o que dizem. Eu sou responsável por minha felicidade, sendo assim da minha vida cuido eu.
NORA: -Eu ligo para o que dizem as pessoas, me importa sim. As mulheres desta família sempre foram respeitadas!
LIZA: -Respeitadas e infelizes.
NORA: - Por acaso você é feliz?
LIZA: -Estou em busca da minha felicidade...
NORA: - E por isto pretende transformar minha casa num bordel?
LIZA: - (indignada) Não acredito que esteja me comparando a uma...
NORA: -Se as coisas continuarem neste rumo, é assim que todos vão a comparar.
LIZA: -Que o mundo inteiro me julgue, tudo bem!
NORA: -Tudo bem coisa nenhuma!
LIZA: -Mas a senhora, mãe?
NORA: - Vou ser franca com você Liza. Nunca fui a favor do seu divórcio. Mas aceitei, mesmo contra minha vontade, por você ser minha filha... Mas vê-la, entrar por esta porta, altas horas da noite... Sabe-se Deus fazendo o que?! Isto não vou permiti. Se esta é a vidinha que você quer viver é um direito seu. Mas digo-lhe, não aqui, não debaixo do meu teto. E este é um direito meu. Está é minha casa e exijo respeito! Pense bem nisso e decida o que achar melhor.
LIZA: -Sempre achei que encontraria seu apóio...
NORA: - Não posso apoiar que aos meus olhos não é melhor para você. Não posso compartilhar com seus erros!
LIZA: -É errado está feliz?
NORA: -Quando a felicidade nos torna cega a ponto de perder o respeito por si próprio, sim é errado!
LIZA: -Às vezes me pergunto se um dia a senhora já sentiu o que é felicidade...
NORA: - Uma breve ilusão de prazer que passa!
LIZA: -Feliz o ser humano que ainda pode viver um breve momento de ilusão! Se a senhora se iludisse um pouco, se sentisse, mas amor pelas pessoas, se sorrisse um pouco mais, se encontrasse prazer em pequenas coisas, talvez fosse menos amarga!
NORA: -Não sou de falar duas vezes. Pense bem no que lhe disse... Agora vai lavar este rosto que, mas está parecendo uma máscara.
(continua tricotando, Liza sai, as luzes vão diminuindo aos poucos)
CENA II
(Denis está sentado na poltrona, com a camisa aberta, shoot de seda com as pernas na mesa de centro, lê jornal, Lúcia entra, sua fisionomia é acanhada, apesar da aparência jovial é retraída e se veste de forma deselegante)
LÚCIA: -Ah, paizinho! Já lhe disse para não vir para sala desse jeito...
DENIS: -Ah, mãezinha! Relaxa! Hoje é domingo. E o que seria de um homem como eu se em pleno domingão em sua própria casa tivesse que usar terno e gravata?!
LÚCIA: -Você já sabe mamãe não gosta!
DENIS: -Será que dona Nora gostava de fazer sexo?
LÚCIA: -Denis! Olha o respeito!
DENIS: -Só fiz um comentário curioso! Às vezes me pergunto como é que sua mãe consegue respirar o mesmo ar que tosos nós. Por que ela é sempre tão imponente, tão diferente de todas as mulheres... Quase que uma santa! É difícil imaginar que um dia já gostou da coisa...
LÚCIA: -Guarde seus comentários grotescos para você. Afinal, mamãe sempre foi tão generosa conosco, nos deixando ficar aqui...
DENIS: -Generosa?
LÚCIA: -sim, generosa. Ela poderia se recusar. Lembro-me bem que sempre dizia antes de nosso casamento: "Quem casa quer casa!" Cada um em seu cantinho.
DENIS: -Isso parece até uma pressão!
LÚCIA: -Não meu amor, não é!
DENIS: -Ela lhe disse algo?
LÚCIA: -Claro que não. Mamãe sempre nos deu todo apóio. Podemos ficar o tempo que for preciso, até as coisas melhorarem...
DENIS: -Aposto que me acha um inútil!
LÚCIA: -Não crie problemas, Denis...
DENIS: -Aposto que todas as vezes que saiu para o escritório me apunhala pelas costas enchendo sua cabeça...
LÚCIA: -Pare com isso! Está sendo injusto. (entra Nora)
NORA: -Qual o problema, que está acontecendo aqui?
LÚCIA: -Problema? Nenhum mamãe.
NORA: -Se não tem problema, por que teu marido está nu na minha sala?
DENIS: -Nu? Não estou nu.
NORA: -Da forma que fui educada, andar deste jeito pela casa é está nu. Sou uma mulher viúva, e por esta ser a minha casa, exijo respeito.
DENIS: -Por que? A senhora viúva não pode se recordar dos bons tempos da mocidade?
NORA: -Me respeite seu atrevido!
DENIS: -Agora sei porque seu outro genro resolveu cair fora.
NORA: -Era um inútil como você.
LÚCIA: -Mamãe!
DENIS: -Tem razão. Não deveria está aqui em sua casa lhe aturando.
NORA: -Quem tem o direito de aturar ou não, sou eu! Está é minha casa. E se não está satisfeito, a porta é serventia da casa!
DENIS: -Quer saber?!
LÚCIA: -Denis...
NORA: -Deixe Lúcia.
DENIS: -A senhora não passa de uma velha ranzinza, amargurada que vai acabar sozinha...
NORA: -Uma velha senhora de respeito que na sua juventude se casou com um homem que além das obrigações afetivas, soube me dar conforto e segurança.
DENIS: -Fique com sua casa, já que é seu maior orgulho. Quem sabe dona Nora ela lhe servirá de túmulo! (sai)
LÚCIA: -Denis... Amor! (fica em dúvida entre ir ou ficar)
NORA: -Vá atrás do seu marido. Mesmo sendo ele um traste imprestável a mulher deve segui-lo. (Lúcia sai. Nora senta-se em uma cadeira)
CENA III
(Lúcia esta descansada, põe a cabeça no colo de Liza, que lhe acaricia os cabelos)
LIZA: -Oh, maninha, não fique assim! Tudo vai se resolver, você verá.
LÚCIA: -Mamãe foi muito rude com ele.
LIZA: -Imagino que sim! Mas esse é o jeito dela.
LÚCIA: -Disse coisas horríveis.
LIZA: -Nossa mãe muitas vezes tentando nos proteger acaba nos magoando. Quer saber, às vezes acredito que não percebe. E se percebe depois, é orgulhosa demais para se desculpar.
LÚCIA: -Sinto um aperto em meu coração.
LIZA: -Nervoso! Vai passar.
LÚCIA: -Tenho medo!
LIZA: -Todos temos; principalmente quando as coisas fogem do nosso controle.
LÚCIA: -Que saber qual é o meu maior medo?
LIZA: -Lúcia está situação logo se resolverá.
LÚCIA: -Tenho medo de que Denis não volte.
LIZA: -Não seja tola!
LÚCIA: - (senta, de frente para irmã) Não é tolice. Às vezes eu sinto que vou perdê-lo.
LIZA: -Não há motivos para essa insegurança, Denis te ama.
LÚCIA: -Não sei. Às vezes sinto que ele...
LIZA: -É só impressão.
LÚCIA: -Muitas vezes... Não sei se devo... É nossa intimidade.
LIZA: -Lúcia. Se não quiser...
LÚCIA: -Pior que quero. Você sabe, sempre fui tão inexperiente. E Denis foi o meu primeiro namorado, o meu primeiro beijo, meu primeiro e único homem. E se ele não estiver satisfeito, feliz?
LIZA: -Ora minha irmã... (pega-lhe as mãos) Essas coisas aprendemos com o tempo. E é por isso que nossos maridos nos escolheram. Não vou negar que gostem de mulheres experientes, mas é com as virgens que preferem construir uma família.
LÚCIA: -Mamãe nunca conversou conosco sobre...
LIZA: -Sexo? Ela jamais falaria sobre isso. É proibido, pecado! Lúcia, o que a perturba?
LÚCIA: -Eu sei que devo confiar em você, mas...
LIZA: -Tem vergonha! Talvez seja por ser sua irmã, ou por não querer parecer inexperiente. Mas pode crer minha irmã incertezas todos temos.
LÚCIA: -Você teve medo?
LIZA: -Muitos.
LÚCIA: -Você sempre me pareceu tão forte, tão determinada.
LIZA: -Só fachada! E se eu fosse tão perfeita como todos imaginam, meu casamento não teria naufragado.
LÚCIA: -Promete que, se eu lhe contar fica entre nós, como um segredo só nosso?
LIZA: -Claro.
LÚCIA: -Quase não fazemos amor.
LIZA: -Não entendo. São tão jovens!
LÚCIA: - (chora) Por minha culpa... Ele tenta, mas eu...
LIZA: -Você...?
LÚCIA:-Nunca consigo ir até o fim.
LIZA: -E por que?
LÚCIA: -Acho que não sinto prazer. Por mais que eu queira , deseje, não consigo!
LIZA: -Calma me explica direito.
LÚCIA: -Que explicação? Fico apavorada toda as vezes que ele... E agora está lá livre e solto morando na casa de um amigo.
LIZA: -Por que se sente apavorada? O que lhe causa esse pavor?
LÚCIA: -Sinto muita dor. Li um artigo numa revista que falava de mulheres frígidas. Será que sou uma dessas?
LIZA: -Bobagem! Tire isso da cabeça... Isso não tem nada a ver com frigidez! Você ama teu marido e sente-se bem ao lado dele. Apenas sente um desconforto quando pratica sexo com ele. Minha irmã isso é, mas comum que imagina. Se sente desconforto ao praticar sexo, pode ser que algo esteja errado organicamente, precisamos consultar um ginecologista. Pode ser que esteja com uma inflamação vaginal.
LÚCIA: -Ginecologista?
LIZA: -É.
LÚCIA: -Não sei o se teria coragem! Dizem que temos que nos despir diante dele...
LIZA: -Lhe garanto que isso não dói nada.
LÚCIA: -É imoral.
LIZA: -Imoral é conviver com isso calada. Vou marcar uma hora com pra você com o meu ginecologista...
LÚCIA: -Não sei se terei coragem!
LIZA: -Estarei com você. Lúcia faça isso pelo seu casamento, por você.
LÚCIA: -Se vai comigo... Eu aceito. Mas com uma condição... Mamãe não pode saber.
LIZA: -Se depender de mim... Não saberá.
LÚCIA: -Acha que é isso mesmo?
LIZA: -Tenho quase certeza. Tudo vai ficar bem! Agora vem cá, me dar um abraço bem apertado... (se abraçam)
CENA IV
(Nora está na sala, sentada em sua poltrona, faz tricô. Em vez enquanto olha para o infinito, parece tensa. A companhia toca. Vai atender. É Denis)
DENIS: -Boa noite!
NORA: -Entre. (firma) Sente-se...
DENIS: -Estou bem assim.
NORA: -Você quem sabe!
DENIS: -Deseja falar comigo?
NORA: -Me sinto obrigada a conversar contigo uma vez que você ainda é marido de minha filha...
DENIS: -É dona Nora! Acho que foi um erro ter vindo...
NORA: -Erro maior será deixar esta sala sem antes ouvir que tenho a lhe dizer. Saiba rapaz que não sou obrigada a me sujeitar a seu caprichos. Infelizmente você é casado com minha filha e mesmo sendo eu contra esse casamento desde o início, a burrada está feita. Aceite eu ou não, devo respeitar a decisão, a escolha da minha filha...
DENIS: -Dona Nora, vamos deixar de rodeios e vamos direto ao assunto. Que me detesta, já sei. Então me poupe de sermões! O que a senhora quer?
NORA: -Quero que assuma suas responsabilidades quanto marido, dando a minha filha a vida digna que merece...
DENIS: -As coisas não estão fáceis como à senhora imagina...
NORA: -Nunca foram! Por isso exige de nós um esforço maior...
DENIS: -Acha que não me esforço? Pois saiba, conheço minhas responsabilidades e estou fazendo o que posso para arrumar um cantinho e logo vir tirar Lúcia desta casa...
NORA: -Um cantinho? Não criei minha filha pra ser jogada num cantinho qualquer!
DENIS: -Pois fique sabendo que ela é minha mulher e vai comigo para onde eu for. E se quer saber, qualquer cantinho por mas modesto que seja, é melhor que viver nesta casa. Sabe por que dona Nora? Por que aqui a frieza e amargura encontrou habitação. Nesta casa ninguém consegue sentir o calor humano... A senhora nunca permitiu isto nesta casa. É tudo muito fria e formal!
NORA: -Você até pode tentar me ofender... Mas sabe que sou diferente de sua mulher, não sou tola e não me contento com qualquer coisa!
DENIS: -Vou levar minha mulher desta casa...
NORA: -Não seja inconseqüente!
DENIS: -Essa é minha decisão! Cantinho ou não Lúcia não irá se opor ir comigo.
NORA: -Não desejo que minha filha more em um cortiço qualquer. Por isso peço-lhe que considere voltar a ficar aqui enquanto arranja um lugar decente para colocar minha filha.
DENIS: -Qualquer lugar é mais decente para se viver que nesta casa.
NORA: -Bom! Minha parte eu fiz! Depois não diga que não tentei.Deixo-os viver aqui em minha casa provisoriamente até que arrumem um lugar decente para morar. E não faço isso por você, mas por minha filha!
DENIS: -Lhe agradeço. Mas minha resposta continua sendo, não! Agora desejo falar com minha mulher. (Nora levanta-se e sai)
LÚCIA: -Paizinho! (abraça)
DENIS: -Como está? (a beija)
LÚCIA: -Bem! E você? Amor está tão magro...
DENIS: -Impressão sua.
LÚCIA: -Quando voltará? Sinto sua falta. Quero meu maridinho aqui, ao meu lado...
DENIS: -Breve estaremos juntos.
LÚCIA: -Breve, quando?
DENIS: -Estou arranjando um lugar e logo virei lhe buscar.
LÚCIA: -Por favor amor, volte para casa!
DENIS: -Não. Não posso! A única coisa que sua mãe não conseguiu ferir, foi meu orgulho!
LÚCIA: -Por mim, volte!
DENIS: -Lúcia, não posso recuar agora... É para nosso bem!
LÚCIA: -Que bem? Me sinto sozinha... Não me deixe aqui amor!
DENIS: -Não estou lhe abandonando meu bem. Confie em mim!
LÚCIA: -Sim, confio. Mas...
DENIS: - (ele a beija) Ótimo!
LÚCIA: -Me abrace forte meu amor! (ele abraça)
DENIS: -Te ligo à noite.
LÚCIA: -Vou ficar aqui, de plantão, ao lado do telefone. Só esperando você me ligar! Te amo!
DENIS: -Também te amo! Boa noite! (a beija)
LÚCIA: -Me liga!
DENIS: -Claro! Boa noite!
LÚCIA: -Boa! (sai) Boa noite amor!
(Liza está sentada lendo uma revista de moda. Nora entra e examina a revista com censura)
NORA: -Boa porcaria!
LIZA: -Que bom que as coisas mudam, evoluem...
NORA: -Em outros tempos as mulheres de bem não se deixavam influenciar por essas bobagens...
LIZA: -Em outros tempos as mulheres não tinham direito ao voto, não podiam trabalhar fora, não usavam anticoncepcional, eram tão submissas mamãe, que não podiam nem mesmo ter o direito de sentir prazer.
NORA: -Ao menos não viviam por aí... Como um bando de perdidas!
LIZA: -Existem várias formas de se sentir perdida. Uma dessas formas é a infelicidade com o simples pretexto de manter a família!
NORA: -Ora esta Liza! Quando é que você vai acordar pra realidade. Acha mesmo que suas escolhas de mulher moderna, independente está lhe trazendo benefícios? Até quando vai viver assim? Se iludindo...
LIZA: -Posso lhe garantir que minha vida não é uma ilusão! Estou em buscada minha felicidade, daquilo que acredito!
NORA: -No que acredita?
LIZA: -Ser feliz é ser livre!
NORA: -Toda liberdade tem seu preço! É espantoso! Sua geração tem tanta liberdade e no entanto não sabe o que fazer com ela.
LIZA: -Pelo menos temos a possibilidade de tentar!
NORA: -Até quando?
LIZA: -Até dar certo.
NORA: -Fico olhando pra vocês e acho penoso vê-las dando murro em ponta de faca. E ainda ouvir repetir: Estou tentando!
LIZA: -Quer saber? Vou tentar sempre até acertar um dia...
NORA: -Ah, é? Não diga!
LIZA: -Pra não terminar meus dias assim...
NORA: -Assim como?
LIZA: -Como à senhora mãe! Com tanta amargura...
NORA: -Escute bem o que vou lhe dizer... Pode demorar o tempo que for, mas um dia vai me dar razão.
LIZA: -Ou vice-versa!
NORA: -Não. Tenho experiência, sei o que estou falando!
LIZA: -Deveria torcer por minha felicidade.
NORA: -e torço! Não só por sua felicidade mas como também pela felicidade de Lúcia.
LIZA: -De que forma? Assim? Sempre do contra?! Pelo amor de Deus mãe! Olha para Denis e Lúcia o quanto estão afastado por sua intolerância.
NORA: -Intolerante eu? Ora esta, sua ingrata! Há três longos anos mantenho aquele imprestável aqui, debaixo do meu teto. Comendo e bebendo as minhas custas! Acha o que? Que não deveria pressionar este vagabundo a assumir sua responsabilidade diante a seu papel de marido? A tomar uma atitude de um homem responsável...
LIZA: -Até concordo com a senhora em alguns aspectos. Só discordo da forma que escolhe para pressionar as pessoas a se posicionar diante seus problemas. Acho que deveria ser mas amável!
NORA: -É impossível ser amável quando se aponta erros!
LIZA: -Não por ele, mas por sua filha. Mãe, Lúcia está sofrendo!
NORA: -O sofrimento de sua irmã é resultado da escolha dela. Falta de conselho não foi!
LIZA: -Que tipo de mãe é você? Deixa sua filha sofrer apenas pelo fato de ter se casado com um homem no qual a senhora não aprova? Não seja cruel. É sua filha!
NORA: -Chega Liza! Se me acha tão má, se acredita que sou o motivo de suas infelicidades então por que não procuram seus caminhos...
LIZA: - (tenta falar)
NORA: -Não diga mais nada! Um dia irão me dar razão! Já disse e torno a dizer, enquanto estiverem debaixo do meu teto, vão dançar conforme minha música. (sai)
CENA V
(Lúcia entra)
LÚCIA: -Discutiram?
LIZA: -É! É impossível conversar com nossa mãe sem que se sinta mau.
LÚCIA: -Eu sei. E ai? Que foi dessa vez?
LIZA: -Aquelas coisas de sempre.
LÚCIA: -Denis esteve aqui...
LIZA: -E aí?
LÚCIA: -Decidiu que não voltará mas para esta casa.
LIZA: -Quem sabe não é melhor assim!
LÚCIA: -Tenho medo.! Medo que... Ele se engrace por outra mulher e me esqueça. Que não volte. Insegurança!
LIZA: -Denis te ama minha irmã! Isto não vai acontecer.
LÚCIA: -E se acontecer? O que farei?
LIZA: -Não pense tolices! Quem sabe o que estão vivendo não seja melhor...
LÚCIA: -Melhor? Como!? Eu aqui e meu marido longe de mim exposto às tentações?
LIZA: -Lucia existem fatos na vida que por mais que lutamos contra é impossível que aconteçam. Quem sabe isto vai fortalecer mas ainda sua relação. Minha irmã, o que tem que ser será. (Lúcia sente-se mau) Que foi?
LÚCIA: -Um pouco de tontura! Acho que não estou me alimentando bem, e está situação tem me deixado com os nervos à flor da pele.
LIZA: -Lú você precisa se cuidar.
LÚCIA: -Sei que sim. Mas ultimamente não tenho tido apetite e quando como sinto meu estômago embrulhar...
LIZA: -Será...?
LÚCIA: -Que?
LIZA: -Nada. Vamos fazer assim, não quero chegar a uma conclusão precipitada. Amanhã vamos ao Dr. Onofre. Há quanto tempo não desce?
LÚCIA: -O que?
LIZA: -Sua menstruação.
LÚCIA: -Acho que há um mês...
LIZA: -Então... Isso que dizer que...
LÚCIA: -Que o que?
LIZA: -Você pode... Meu Deus!
LÚCIA: -Posso o quer?
LIZA: -Não acredito que não esteja entendendo... Você pode está esperando um bebê!
LÚCIA: -Bebê?!
LIZA: -É. Que maravilha!
LÚCIA: -Um bebê! Vou ser mãe?
LIZA: -É possível. E eu, titia!
LÚCIA: -Pode ser um alarme falso. E mamãe que vai dizer se for confirmado?
LIZA: -Não importa! Podemos ir agora mesmo a farmácia comprar um daqueles teste que são feitos em casa...
LÚCIA: -Não sei. Será que é seguro?
LIZA: -Larga de bobagem, vem comigo! Hoje faremos o teste da farmácia e depois confirmaremos com dr Onofre.
LÚCIA: -Mas liza...
LIZA: -Mas nada!Vem... (Liza a puxa pela mão como se fosse criança. Saem)
ATO II
(Ouve-se a campanhia. Kleber cruza a sala, abre a porta. Liza entra o beija calorosamente é carregada em seu braços até o sofá)
CENA I
LIZA: -Amor! Quanta falta senti de você...
KLEBER: -Eu também minha branquinha!
LIZA: -Jura que se comportou como um bom menino!?
KLEBER: -Claro! Só tenho olhos para você.
LIZA: -Ó! Não seja um menino mau!
KLEBER: -Jamais serei!
LIZA: -Posso lhe castigar.
KLEBER: -E que castigo receberia?
LIZA: -Greve total!
KLEBER: -Isso não. Pose até me acorrentar na cama e fazer de mim o que bem quiser. Mas se negar? Isso eu não suportaria. Sabes que sou louco por você, e não vejo a hora de...
LIZA: - (se levanta) É exatamente sobre isso que vim falar contigo.
KLEBER: -Não suporto mas agir assim, como se nós estivéssemos escondendo algo terrível. Somos adultos e estamos apaixonados. A vontade que sinto é de poder demonstrar todo esse amor que por você...
LIZA: -E você acha que eu não? Ainda mas agora que me sinto mas segura com nossa relação...
KLEBER: -Não sei de onde surgiu esta insegurança. Desde a primeira vez que lhe vi, foi amor à primeira vista! Te amei desde o primeiro momento. E olha que antes de te conhecer nem acreditava em amor à primeira vista.!
LIZA: -Ah, fala sério! Você me olhou várias vezes.
KLEBER: -Não pude evitar! Parecia que estava diante de uma Vênus. Quando percebi que correspondeu meus olhares, quase nem acreditei. Pensei que estivesse sonhando!
LIZA: -Também não foi assim tão fácil!
KLEBER: -Claro que não!
LIZA: -não que eu não quisesse corresponder, mas a cada olhar teu, sentia um frio, um tremor no corpo, uma sequidão na garganta. Tinha a impressão que se não me sentasse naquele banco cairia, ali mesmo!
KLEBER: -Se não tivesse falado contigo, acho que jamais falaria comigo...
LIZA: -Acho que não teria coragem, embora queixe! Que bom que você foi mas corajoso que eu e veio puxar conversa...
KLEBER: -Te juro que não sabia ao certo o que falar!
LIZA: -Seus olhos falavam por si.
KLEBER: -Minha branquinha, te quero muito!
LIZA: -Também te quero muito! Desejo muito ser a senhora Martins.
KLEBER: -é um pedido de casamento?
LIZA: -Vamos fazer um jantar lá em casa. Minha irmã descobriu que está grávida. Não é maravilhoso? Lúcia, minha irmã caçula vai se mãe! Então resolvemos organizar este jantar para dar a notícia de sua gravidez e aproveitando a oportunidade gostaria de lhe apresentar a minha família...
KLEBER: -Acha o momento propicio?
LIZA: -Já perdemos tempo demais! É uma oportunidade maravilhosa onde toda família estará reunida...
KLEBER: -Enfim vou poder lhe pedir em casamento e oficializar nossa relação! Só me preocupo com sua mãe. Pelo jeito que fala dela...
LIZA: -Medo da sogra?
KLEBER: -Não por mim, mas Por você.
LIZA: -Minha mãe não é nenhum monstro, apenas uma senhora conservadora e cheia de preceitos!
KLEBER: -Poderá ficar surpresa com...
LIZA: -O fato de sua filha separada está completamente apaixonada e vivendo um ardente caso de amor?
KLEBER: -Apaixonada por um homem negro.
LIZA: -Eu te amo! Você é meu deus do Ébano. E pra mim você é apenas o homem que amo! Não importa a opinião dela ou de qualquer outra pessoa. Te amo, quero ser feliz ao teu lado e pronto!
KLEBER: -Você é muito especial.
LIZA: -O amor me faz... Então topa?
KLEBER: -Aceito.
LIZA: -Que bom amor!
KLEBER: -Sabe que estou pensando?
LIZA: -Não... Mas pela tua cara, posso imaginar!
KLEBER: -É?
LIZA: -É.
KLEBER: -Que tal nosso ninho de amor?
LIZA: -Ótima idéia. (a pega no colo e a leva para dentro)
CENA II
(Lúcia fala ao telefone. Nora entra senta na poltrona, escuta a conversa)
Lúcia: -Paizinho... Amor! Que saudade. Eu também... Não, claro que não. O que acha? Estou vivendo por viver... É tudo tão solitário, tão vazio sem você amor. Escuta... Estou te ligando pra lhe convidar, convidar não! Estou te intimando... Escuta, neste domingo quero que venha almoçar conosco. Não amor... Tenho certeza que você vai adorar... Ah, amor! Faz isso por mim. Escuta, estou lhe pedindo. É muito importante para mim. Então ta amor. Um beijo. Te amo, muito, muito, muito... Também! Beijos! (desliga e fica com o fone próximo ao ombro quase imóvel)
NORA: -Olha o pulso! Dá pra colocar o fone no gancho?
Lúcia: -Claro!
NORA: -Só faltou implorar.
Lúcia: -Denis ainda está muito magoado...
NORA: -Quem sabe um dia esse ingrato do teu marido irá me agradecer!
Lúcia: -Agradecer?
NORA: -É, agradecer! Pelo o empurrão.
Lúcia: -Mas que empurrão?
NORA: -Se teu marido realmente tem o mínimo de dignidade tomará uma atitude e enfim dará um rumo à vida.
Lúcia: -Mamãe, não vamos voltar a este assunto. Estou muito feliz para me chatear com isso agora!
NORA: -E de onde vem tanta felicidade? Meu Deus! É incrível, minhas filhas estão agora radiando felicidade!
Lúcia: -Amor mamãe! Deste amor que sinto por meu marido, pela vida!
NORA: -Cuidado minha filha! Se fosse você teria muito cuidado... O amor também enlouquece, cega, nos faz viver pesadelos.
Lúcia: -Deus permita que não esteja falando sério! Não me deixarei levar por esse seu rancor. Não desta vez mamãe!
NORA: -O que a estranbelhada de sua irmã anda aprontando?
Lúcia: -Seria mas sensato perguntar a ela. (sai)
NORA: -Não sei por que ainda me espanto!
LIZA: -E Lúcinha?
NORA: -O que você está pretendendo?
LIZA: -Ora mãe! Do que a senhora está falando?
NORA: -Que está de cabeça virada já sei... (se levanta) Mas fazer a cabeça da sua irmã! Francamente...
LIZA: -Não compreendo.
NORA: -Serei mas clara. Não irei admitir que fique enchendo a cabeça de sua irmã! Bem sabe que Lúcia não é como você. É ingênua.
LIZA: -Suportar tudo que Lúcia tem suportado todos esses anos não é um sinal de fraqueza. Talvez ela seja a mais forte de todos nós!
NORA: -Fique sabendo você mocinha. Se tua irmã quiser seguir o mesmo caminho que você, que siga. Pouco me importo desde que seja bem longe daqui. Já basta uma perdida! Você só me traz vergonha!
LIZA: -Vergonha?
NORA: -Vergonha sim. Se quisesse seguir o caminho correto, estava com seu marido. Não por aí feito uma qualquer...
LIZA: -Então é esta a imagem que faz de mim?
NORA: -É triste para uma mãe ter que admitir... É a imagem que você passa! De uma mulher à toa.
LIZA: -Tenho muita pena da senhora. É tão ignorante que faz julgo sem conhecer os fotos.
NORA: -Guarde sua piedade pra você! Quando passar seus anos de juventude, vai perceber a burrada que está fazendo, ai minha filha será tarde demais... Neste momento lembrará tudo que tenho lhe dito. Só espero não viver o suficiente para ver este dia chegar...
LIZA: -É incrível! Às vezes chego a pensar que a senhora torce pela minha infelicidade. Se pensa que vou passar minha vida inteira como à senhora, sentada nesta poltrona amaldiçoando a todos e torcendo sua própria infelicidade por não ter coragem de erguer a cabeça e ir enfrente, engana-se! Deixei meu marido e não me arrependo. Se não tivesse seguido seus conselhos, não teria subido aquela altar, com a ilusão que estaria fazendo a coisa certa.
NORA: -Subiu ao altar por que se entregou a ele antes de saber...
LIZA: -Me entreguei por que tive desejos e se que saber não me arrependo de ter me entregue a ele antes do casamento...
NORA: -Foi digno de ter lhe aceitado mesmo desonrada!
LIZA: -Esse é meu arrependimento. Ter me casado pra satisfazer sua vontade!
NORA: -Nunca me enganou, sempre soube que não ia prestar! Ele foi muito digno em aceitar...
LIZA: -Um falso, fingido, hipócrita! Como toda nossa sociedade.
NORA: -E esses homens com quem tem andado? Onde são melhores que ele?
LIZA: -Por quem me tomas?
NORA: -Por sua conduta imoral.
LIZA: -Imoral é essa sua mente doentia e suja!
NORA: -Ora sua... (bofetada) me respeite! Sou sua mãe. Esta é minha casa e quem grita aqui sou eu! Se quer levar esta vidinha, viva! Mas bem longe daqui.
LIZA: -é isso mesmo que vou fazer. Um dia vai engolir cada palavra...
NORA: -Chega, Liza! Me embrulha o estômago olhar para esta tua cara deslavada. Vou para meu quarto antes que eu faça um bobagem... (sai)
(Liza senta-se na poltrona desconsolada. Pouco a pouco as luzes vão se apagando)
CENA III
(Lúcia está com uma bacia na mão. Mexe a massa de um bolo. Liza entra e senta-se ao seu lado)
LIZA: -Estive pensando...
LÚCIA: -Em que?
LIZA: -Quanto mas perto fica esse almoço, mas temo.
LÚCIA: -É por causa de mamãe, não é?
LIZA: -É. Não por mim! De certa forma já estou acostumada com as hostilidades dela. Mas quanto a Denis...
LÚCIA: -Nem me fale!
LIZA: -E meu amorzinho que vem a esta casa pela primeira vez?!
LÚCIA: -Só de pensar me dá um frio no estômago! Às claras já estão em neves bem consistentes.
LIZA: -Então já pode despejar as gemas.
LÚCIA: -Pronto. E então nervosa?
LIZA: -E não era pra está? Mas vou sobreviver!
LÚCIA: -Como foi a conversa com ela?
LIZA: -Como sempre...
LÚCIA: -Acho que nunca mudará. Temos que nos conformar, afinal é nossa mãe!
LIZA: -Conformar!
LÚCIA: -E esse seu pretendente, como é?
LIZA: -Maravilhoso! Embora eu seja suspeita para falar...
LÚCIA: -Hum! Então é paixão!
LIZA: -Sabe que às vezes me pergunto: porque não o encontrei antes?
LÚCIA: -Como ele é? Quero dizer, assim, fisicamente?
LIZA: -Um pedaço! (Lúcia abaixa o olhar tímida) Um touro! Daqueles que te come com os olhos... Você está envergonhada. Boba!Ficou vermelha.
LÚCIA: -Não foi isso que perguntei...
LIZA: -Sei que não. Quis deixá-la embaraçada!
LÚCIA: -Conseguiu.
LIZA: -Ele é alto, forte, tem um sorriso maroto, dentes perfeitos, é gentil e cá entre nós, sabe deixar uma mulher maluca! E o melhor de tudo é que estamos apaixonados.
LÚCIA: -Nossa! Se é assim, qual o seu medo?
LIZA: -E que o Kleber é negro!
LÚCIA: - (solta a bacia) Negro?
LIZA: -Negão, dos pés a cabeça.
LÚCIA: -Deus!
LIZA: -E isso me atrai muito.
LÚCIA: -Mamãe vai enfartar! Sabemos que tem aversão a gente de cor.
LIZA: -Terá que conviver com isso. Se é racista o problema é dela. Quanto à solução é minha. Estou apaixonada e nada nem ninguém me fará desistir deste amor. Eu o amo! Vou lutar com unhas e dentes para ficar ao lado dele. Também sei que me ama e que deseja se casar comigo, isto já é o suficiente.
LÚCIA: -Nossa! Sabe que te admiro. Gostaria de ter essa força, esta certeza que você tem. São poucas mulheres que têem essa garra , esta fibra de ir contra tudo e todos pelo que quer...
LIZA: -O importante é começar! O primeiro passo você já deu. Cada pessoa tem seu ritmo...
LÚCIA: -Como acha que mamãe vai reagir quando você apresentá-lo?
LIZA: -Embora prefira não pensar sobre isso... Mas sei que é inevitável não ter um só pensamento a este respeito. Conhecendo bem Dona Nora como conheço, enfartar não vai. Usará todos os artifícios possíveis para agredi-lo moralmente e assim nos deixar constrangidas!
LÚCIA: -Posso comentar uma coisa?
LIZA: -Claro!
LÚCIA: -Não sei se devo.
LIZA: -Deixa de bobagem! Está vermelha!
LÚCIA: -É curioso, mas ao mesmo tempo vergonhoso lhe perguntar sobre isso...
LIZA: -Não gostaria que houvesse segredos entre nós. Já que não podemos confiar em nossa mãe para certos tipos de assuntos, nada mau se tivéssemos um diálogo mas aberto.
LÚCIA: -Não sei como lhe perguntar isso!
LIZA: -Deixa de rodeios! Vá direto ao assunto!
LÚCIA: -É que dizem que homens negros são... Como posso dizer?
LIZA: -Bem dotados!
LÚCIA: -Liza?!
LIZA: -Muitas mulheres teen fantasias, por acharem que os homens negros por terem um físico na maioria da vezes privilegiado, que são uma máquina de fazer sexo! E que têem um...
LÚCIA: -Liza! E tem fundamento ou é só uma fantasia?
LIZA: -Os negros são homens como qualquer outro! Claro que independente de cor há uma variedade. Mas devemos contar também as qualidades. Para um relacionamento perfeito é preciso antes de mas nada uma afinação entre o casal. Ah, minha irmã! Quando os sentimentos são verdadeiros e mútuo independente da cor da pele, este homem é o melhor do mundo!
LÚCIA: -Vocês já...?
LIZA: -Claro! Ora minha querida, não sou de ferro!
LÚCIA: -Não acha que pega mau se entregar assim... Antes do casamento?
LIZA: -Bobagem! Me entreguei por amor. Nada neste mundo me faria sentir arrependimento de está nos braços do meu deus do ébano. Nesta vida Lúcinha, levamos apenas o que vivemos!
LÚCIA: -Não teve medo de engravidar?
LIZA: -Tomei todos os cuidados possíveis. Prazer hoje, tranqüilidade amanhã!
LÚCIA: -E se engravidar?
LIZA: -E meus filhos nascerem mulatinhos? Seriam os mulatinhos mas lindos do mundo! E eu a mãe mais orgulhosa da face da terra! Agora vamos deixar de conversa fiada que temos um bolo e um jantar para preparar. Mas, depois continuaremos esta prosa!
LÚCIA: -É mesmo já estamos atrasadas!
LIZA: -Então?! Mãos á obra! (saem de cena em direção a cozinha)
CENA IV
(Nora está sentada em sua poltrona. Esfolia um álbum de fotografia. Sua expressão é de nostalgia)
NORA: -Durante toda nossa vida somos ensinados por nossos pais para construir a família perfeita... No auge de nossa rebeldia o que menos queremos é ser iguais ao nossos pais, repudiamos sua submissão, seu conformismo e a forma que encaram o futuro. Desejamos ser diferentes, reagimos. Ferimos. Somos feridos! A juventude nos permite momentos insanos por nos permitir o perdão da nossa ignorância. Mas o tempo passa, e com ele a juventude. A vida é uma seqüência de repetições... Temos até a impressão que somos espelhos de nossos pais! Repetindo os mesmos erros, as mesmas atitudes... Tudo isso em busca da felicidade que deixamos para trás e desejamos agora para nossos filhos que insanos refletem o que um dia fomos! (fecha o álbum. Sai)

ATO II
CENA I
(Luz geral. No centro do palco há uma mesa bem decorada. Lúcia arruma um jarro com flores. Liza entra trazendo os talheres. Ambas estão nervosa, porém felizes)
NORA: -Vão ficar assim? Rodando de um lado pra outro feito pião?!Não vejo razão pra tanta hesitação?! Agem como se algo de muito especial fosse acontecer. Jantares assim, só dávamos em ocasiões muito importantes!
LÚCIA: -Mamãe...
LIZA: -Deixa! Quanto mais retruca, mais assunto dá...
NORA: -Será que as senhoritas poderiam me dizer porque isso agora? Por que esse capricho todo? Algo me diz que isto não vai prestar!
LIZA: -No dia que sua intuição lhe disser algo de positivo, será para nós o fim.
LÚCIA: -Liza! Não provoque. Desculpe mamãe ela não quis dizer isto.
NORA: -A especialidade de sua irmã é me ofender. Um dia mocinha (para Liza) escuta que estou lhe dizendo. Você vai me dar razão.
LIZA: -Praga mãe?
NORA: -Escuta que sua filha desnaturada, ou me respeita, ou eu acabo já com essa brincadeira de casinha...
LÚCIA: -Gente, por favor!
NORA: -Exijo respeito! Esta é minha casa.
LIZA: -(tira o avental) Então fique com ela! Pra mim basta.
NORA: -Ah, é?! E vai pra onde?
LIZA: -Rodar bolsinha! Concretizar sua profecia.
LÚCIA: -(pega o avental) Chega. Liza, não seja infantil! Temos um compromisso e vamos agora até o final. Mamãe, por favor! Só por hoje. Amanhã resolveremos todas nossas diferenças. Mas, hoje não. Lhe peço.
NORA: -Sabe que mas me dói? É olhar pra vocês e não conseguir enxergar um futuro. É está aqui ao lado de vocês e me sentir completamente só. É incrível! Parece que têem a necessidade de me envergonharem. (sai)
LÚCIA: -Calma Liza!
LIZA: -Este jantar promete! Isto é só a entrada.
LÚCIA: -temos que ser fortes. Esta é uma grande oportunidade. Me sinto como se tivesse quebrado as algemas. Devo confessar, graças a você. Liza, você minha irmã, é para mim um exemplo, de força e dignidade. É uma dessas mulheres que merecem ficar na história. Agora deixa de bobagem e pare de chorar, estas lágrimas não combinam contigo! (se abraçam)
LIZA: -Você é demais!
LÚCIA: -Não sei o que seria de mim sem você.
LIZA: -Conto contigo hoje.
LÚCIA: -Sempre! (campanhia)
LIZA: -Será o meu o homem o teu?
LÚCIA: -Que jeito de falar! Tomara que seja os dois. Atende.
LIZA: -Claro! (respira fundo)
DENIS: -Boa noite!
LIZA: -Boa! Como vai Denis? Entre.
DENIS: -Bem...
LÚCIA: -Paizinho!
DENIS: -Atrasado?
LÚCIA: -Não meu amor!
DENIS: -Trouxe isto.
LÚCIA: -Hum! Champanhe! Que chique!
DENIS: -Disse que seria uma noite especial!
LIZA: -E será.
DENIS: -Não me digam que dona Nora foi viajar...
NORA: -Para sua infelicidade, não.
DENIS: -Boa noite pra senhora também.
NORA: -Pelo jeito só está começando!
DENIS: -É, tenho que concordar!
LÚCIA: -Amor vem comigo quero lhe mostrar uma coisa...
DENIS: -Com sua licença... (Lúcia Denis saem)
LIZA: -Mãe...
NORA: -Me poupe Liza. O estorvo do marido de sua irmã já está aqui, agora só falta o seu namorado para completar o circo.
LIZA: -A felicidade Lúcia é que Denis a ama muito se não por sua causa já teria a deixado.
NORA: -Não foi por minha causa que o seu lhe deixou. Ora esta Liza! Desde de quando amor enche barriga? Ah, claro. Claro que enche, em outro sentido!
LIZA: -Que ironia barata!
NORA: -Não tenho visto outra coisa dentro desta casa, há não ser vulgaridades. Então, resolvi modernizar meu vocabulário
LIZA: -Espero que faça bom uso!
NORA: -Tenho uma noite inteira para exercitar! (vai até a mesa. Olha o champanhe) Que palhaçada é essa? Daqui a pouco vão transformar minha casa num cabaré! (ouve a campanhia) Pode deixar. Eu atendo. (abre a porta. Expressão de perplexidade) Pois não? Em que posso ajudá-lo?
KLEBER: -Boa noite! (estende a mão)
NORA: - (imóvel) Boa.
KLEBER: - (confuso) Liza?
NORA: -O que o senhor deseja com minha filha?
LIZA: -Kleber!
KLEBER: -Boa noite liza?! (a beija no rosto) Desculpe-me o atraso...
LIZA: -Não precisa se desculpar! Estamos ansiosos. Bom, esta é minha mãe. Nora... Mãe, este é...
NORA: -Já nos conhecemos.
LIZA: -Entre! Sinta-se à vontade.
KLEBER: -Obrigado!
LIZA: -Sente-se. (Kleber senta no sofá à direita, nora senta em sua poltrona. Ambos estão em silêncio)
LIZA: -Vinho?
KLEBER: -Pode ser.
LIZA: -Mamãe?
NORA: -É cedo.
LIZA: -Já volto. (Nora e Kleber se entra olham constrangidos. Entra Lúcia e Denis)
LÚCIA: -Chegou.
DENIS: -Este que...
LÚCIA: -É.
DENIS: -Meu Deus! Não que eu seja racista. Mas é hoje que sua mãe vai ter um infarto.
LÚCIA: -Gostaria que você que já conhece bem o gênio de minha mãe, tente fazer com que este rapaz se sinta no mínimo à vontade.
DENIS: -Fala sério! Ficar à vontade na presença de sua mãe, é um ato de heroísmo. Mas, vou ver que posso fazer.
LIZA: -Ah, que bom que vocês chegaram...
DENIS: -Uma bebidinha bem gelada agora caíra bem!
LÚCIA: -Eu preparo pra você.
DENIS: -Ótimo!
LÚCIA: - (dá o braço a Denis que a conduz) Kleber, querido! Este é meu cunhado, Denis!
KLEBER: -Como vai?
DENIS: -Bem! Embora a casa não seja minha, mas seja bem vindo! (Entra Lúcia) Esta é minha esposa Lúcia.
LÚCIA: -Como vai?
KLEBER: -Encantado! (para Nora) É uma bela família.
NORA: -Espero que continue assim. (todos ficam sem graça)
LÚCIA: -Espero que não repare... Mamãe é muito brincalhona.
LIZA: -Principalmente em momentos impróprios!
LÚCIA: -Liza!
DENIS: -é como uma rosa. Bela! Mas cuidado. Tem espinhos!
NORA: -Humor negro!
LÚCIA: -Mamãe a senhora poderia me dá uma opinião?
NORA: -Que milagre é esse? Minhas opiniões sempre foram descartadas...
DENIS: -Por favor, não precisam fazer cerimônias quanto as palavras. Sou negro e não me envergonho . Está minha natureza e não posso mudar.
NORA: -Seria ridículo. Não há como esconder suas origens.
KLEBER: -Assim como a senhora não pode esconder a sua.
NORA: -Ariana.
KLEBER: -No Brasil há uma grande mistura de raças. Não creio que haja arianos.
DENIS: -Não vejo diferença entre arianos ou não arianos, somos todos...
NORA: -Quer vê a diferença apaga a luz!
LIZA: -Chega mamãe, chega!
NORA: -Chega digo eu. Esta é minha casa e falo o que quero, quando quero, na hora que bem desejar... Quem não estiver satisfeito que saia.
LÚCIA: -Gente calma! Sejamos civilizados.
NORA: -Civilizados?! Não me faça rir!
LÚCIA: -Acho melhor servir o jantar.
NORA: -Mas já? É tão cedo...
DENIS: -Estou com uma fome danada!
NORA: -No dia que você não estiver com fome...
LÚCIA: -Mamãe, por favor!
NORA: - (levanta-se) Ora essa, não sei que pra que fazem tanta questão, que eu permaneça neste jantar, já que querem eu fique calada e imóvel feito uma estátua.
DENIS: -Lúcia, pra mim chega! (se levanta)
LÚCIA: -Não Denis! por favor...
DENIS: -Estou cansado dos insultos de sua mãe e não vou ficar aqui para aturar suas ofensas.
NORA: -Ainda está aqui! Pensei que depois daquele dia no qual saiu por aquela porta, só voltaria aqui para buscar sua mulher.
DENIS: -Cheguei ao meu limite! Pra mim, chega.
LÚCIA: - (grita) Estou grávida! (silêncio)
DENIS: -Como é que é?
LÚCIA: -Grávida! vamos ter um filho...
DENIS: -Deus! Que felicidade! Por que você...?
LIZA: -Queria lhe fazer uma surpresa.
LÚCIA: -Por isso o jantar.
DENIS: -Isso é maravilhoso! Que ótima notícia...
NORA: -Espero que consiga em nove meses o que não conseguiu em três anos de casamento.
(Denis olha para Nora como se fosse avançar, Lúcia segura seu pulso)
KLEBER: -Parabéns! A vinda de uma criança é sempre uma festa!
NORA: - E o senhor, que faz da vida?
KLEBER: -Sou assessor...
NORA: - Deve ser cansativo ficar subindo e descendo o dia todo dentro de um desses elevadores. Mas também tem que se dar graças à Deus, emprego está difícil, ainda mais para pessoas...
LIZA: -Mãe!
KLEBER: -Negras.
NORA: -É. Negras! Não sei se ainda há certas restrições. houve um tempo que pessoas de cor, tinham que subir em edifícios em elevadores de serviços.
KLEBER: -Outros tempos.
NORA: - Analisando o fato de pessoas de cor, estarem em elevadores sociais mesmo que seja como ascensoristas...
KLEBER: -Kleber não é ascensorista de elevador!
NORA: - Não?
LIZA: -Não. É assessor do governador.
NORA: -Não diga!
KLEBER: -Pois é.
NORA: - Não sabia que essa história de cotas para negros havia chegado ao palácio do governo.
KLEBER: -Fui nomeado ao cargo por mérito. Concorri igualmente a todos os candidatos. Talvez meu currículo tenha ajudado. Sou graduado em jornalismo e comunicações sociais. Apesar de não aparecer, sou poliglota e fiz MBA no exterior. Resumindo, a cor da minha pele não me impede a ser tão capaz quanto qualquer outro homem!
NORA: -É, tenho que tirar o chapéu.! Pra um...
KLEBER: -Negro.
NORA: -Você é bem qualificado.
KLEBER: -O estudo é importante na vida de qualquer um ser humano, independe de sua origem étnica ou social.
LIZA: -Acho melhor servimos o jantar!
NORA: -Só uma coisa me intriga sendo o senhor tão superior...
KLEBER: -Não disse isso.
NORA: -Mas com tanta formação...
KLEBER: -Sou apenas um homem apaixonado por meu trabalho; pela vida...
NORA: -Como conheceu Liza? são de mundos tão diferentes.
KLEBER: -Engano da senhora. Só uma quadra nos separa.
NORA: -são amigos de muito tempo?
KLEBER: -O suficiente para perceber a mulher maravilhosa que é sua filha.
NORA: -Liza, o rapaz com quem você esta... deixa eu ver como posso falar... Namorado? Não vem?
LIZA: -Já está aqui mãe!
NORA: -Que brincadeira é está? Não vai me dizer que enfiou este tal no seu quarto!
LIZA: -Não mãe. Está aqui! (Vai até Kleber)
NORA: -Você está brincando!
KLEBER: -Não é brincadeira. Estou apaixonado por sua filha e acredito que este momento seja oportuno para pedir a mão...
NORA: -O senhor quer mesmo minha filha? Quer? (brusca) Então leva-a com o senhor e faça o favor de a levar para bem longe de mim... O senhor ganha uma mulher e eu perco uma filha.
LIZA: -Queira a senhora ou não, me casarei com Kleber. Eu o amo!
NORA: -Se depende de meu consentimento, jamais permitiria que meu sangue se misture com de um negro.
LÚCIA: -Mamãe, que coisa horrível!
NORA: -Se quiser casa. Mas esqueça que tem uma mãe.
LÚCIA: -Pelo amor de Deus! Pare com isso!
DENIS: -Calma, amor, calma!
NORA: -Acho que vai levar uma vida normal? A única coisa que terás como fruto dessa insanidade na qual chama de amor, será um bando de mulatinhos rejeitados pela sociedade.
KLEBER: -Pra mim chega. Em respeito aos demais, prefiro sair desta sala antes que cometa um transtorno para toda família...
NORA: -Transtorno é sua presença em minha casa!
KLEBER: -Racismo é crime! Posso acionar a polícia...
LIZA: -Espera Kleber. Perdoe-a! Não sabe o que diz. Vou contigo! (para Nora) Que sejam mulatinhos, rejeitados por pessoas pequenas e mesquinhas como a senhora. Por mim serão amados, saberão que tem uma mãe que os amarão como ninguém. Amor esse que a senhora nunca soube dar nem receber. (abraça Lúcia)
LÚCIA: -Vá com Deus minha irmã!
DENIS: -Desculpe! Sinto muito!
KLEBER: -Não se preocupe. Boa noite!
DENIS: -É, vou precisar... (Liza e Kleber saem) Acho melhor ir.
LÚCIA: -Me liga amanhã amor?
DENIS: -Claro. Fique tranqüila. vamos resolver nossa situação.
LÚCIA: -Sei que sim. confio em você. (ele a beija e sai)
NORA: -Este jantar sai ou não sai?
LÚCIA: -Perdi a fome. (sai)
NORA: -Pois eu estou faminta! (senta-se a mesa como com prazer. a luz vai baixando até sumir)
CENA V
NORA: -Não vai dizer nada?
LÚCIA: -Não há o que dizer!
NORA: -É... não há. Mesmo por que é lamentável saber que minhas duas filhas, se empenham em me dar desgostos.
LÚCIA: -A senhora não tinha o direito de agir daquela forma...
NORA: -Você que não tem o direito de me dizer como agir dentro de minha própria casa.
LÚCIA: -A senhora se orgulha tanto desta casa. É a única coisa que a senhora parece amar nesta vida...
NORA: -E é a única coisa que não me decepciona.
LÚCIA: -Será que não percebe que pouco-a-pouco está nos afastando da senhora mamãe!
NORA: -Se afastaram de mim a partir do momento que decidiram me desobedecer.
LÚCIA: -Somos adultos e temos o direito de escolher os nossos próprios caminhos...
NORA: -Também tem o dever de arcar com as conseqüências de suas escolhas.
LÚCIA: -Estou indo embora.
NORA: -Faça-me rir!
LÚCIA: -Fique à vontade.
NORA: -E pra onde vai?
LÚCIA: -Não sei ainda...
NORA: -Pra debaixo da ponte?
LÚCIA: -Se preciso for, irei.
NORA: -É tudo muito lindo! Mas e essa criança, por acaso pensou nela?
LÚCIA: -É meu dever. Não se preocupe mamãe...
NORA: -Não seja imatura.
LÚCIA: -Não serei.
NORA: -O irresponsável do teu marido...
LÚCIA: -Chega mamãe! Não precisa mais se preocupar. É hora de seguir meu caminho.
NORA: -Quando estiver longe, vai lembrar de mim!
LÚCIA: -Lamentarei muito sua solidão!
NORA: -Melhor a solidão que a má Campânia.
LÚCIA: -Será que não percebe que é sozinha que ficará sozinha se continuar agindo assim?
NORA: -Ficarei bem.
LÚCIA: -Por que tanto ódio? de onde vem tanto rancor?
NORA: -Dos desgostos que você me dão...
LÚCIA: -Apesar de tudo você é minha mãe e eu sempre irei lhe amar. (fixa a mãe pega a mala) Adeus! (sai.Nora a observa silenciosamente)
CENA VI
LIZA: -Oi?
NORA: -A que veio?
LIZA: -Posso entrar? (Nora não responde) Sinto muito que as coisas tenham chegado a este ponto...
NORA: -Se sentisse realmente, teria evitado.
LIZA: -Eu o amo.
NORA: -Você o ama? Hora, não seja tola! É ridículo. Filha, é um negro.
LIZA: -Um homem! Homem como todos os outros. A única diferença é que este é o homem a qual amo.
NORA: -Um negro em nossa família! Só que me faltava a esta altura da vida... Em nossa família pessoas de cor só serviram pra serviçais!
LIZA: -Agora mudou.
NORA: -Nunca mudará. Negro sempre negro!
LIZA: -É hora de mudar a história desta família! Não me importa seu pré-conceito. Vou me casar com Kleber.
NORA: -Casa-se com ele e esqueça que tem uma mãe.
LIZA: -Vim até aqui pra lhe convidar...
NORA: -Não seja ridícula. Não vou participar deste circo de horrores! Prefiro a morte ao ver uma filha minha casada com um crioulo.
LIZA: -Espero que não morra! Sei que um dia, por mais distante que esteja, vai se arrepender do que está dizendo. Desejo bastante saúde para que de pé mãe possa compartilhar de minha felicidade.
NORA: -Deus não seria tão cruel!
LIZA: -Kleber fará parte desta família, queira a senhora ou não!
NORA: -Jamais este homem fará parte da minha família. Nunca permitirei que o sangre de um negro se misture com a da minha família!
LIZA: -Sinto muito! não tem esse poder. Me casarei com este homem, negro, lindo, gentil, inteligente e digno de qualquer família. Vou dar a ele quantos filhos Deus nos permitir.
NORA: -Se casar com ele esqueça esta casa. Esqueça que tem uma mãe, pra mim você morrerá!
LIZA: -Não posso crer que...
NORA: -E não derramarei uma só lágrima.
LIZA: -É... não tenho mais o que fazer aqui. Tentativa em vão! Adeus mãe! Se mudar de idéia... (vira-se para sair)
NORA: -Espere. (Liza para) Preferia que você fosse uma prostituta. Pra mim seria menos vergonhoso! (Liza não responde. sai)
CENA VII
LÚCIA: -Vamos paizinho! Vem logo, vamos nos atrasar!
DENIS: -Isto nem pensar!
LÚCIA: -Pelo jeito você está mais vaidoso que os noivos!
DENIS: -Somos padrinhos. Temos que está bem apresentável!
LÚCIA: -Já não sei o que fazer, por mais que aperte aqui, folgue ali, estou cada dia mais redonda!
DENIS: -É a redonda mais linda que já vi em toda minha vida.
LÚCIA: -Diz isto pra me agradar! Pensa que não sei? Estou um botijão.
DENIS: -Impressão sua! Está linda e eu a amo.
LÚCIA: -Deixa eu te ajudar.
DENIS: -Odeio dar nó em gravata!
LÚCIA: -Já te expliquei tantas vezes! É tão simples.
DENIS: -Que mãozinhas mais hábeis!
LÚCIA: -Bobo!
DENIS: -Ficou vermelha, é isto que gosto em você. Apesar do tempo em que estamos juntos, você ainda continua corando com minhas brincadeiras!
LÚCIA: -Só isso amor?
DENIS: -E outras coisinhas a mais.
LÚCIA: -Para Denis!
DENIS: -sempre soube que você é a mulher da minha vida.
LÚCIA: -E você o homem da minha vida. (Se beijam) Vamos nos amassar!
DENIS: -Qual o problema?
LÚCIA: -O problema é que os padrinhos têem que está implacável!
DENIS: -Será que sua mãe aparecerá na cerimônia?
LÚCIA: -Acho difícil!
DENIS: -Seria esperar demais! Talvez melhor assim...
LÚCIA: -Melhor que um escândalo.
DENIS: -Concordo!
LÚCIA: -Chega de falar de minha mãe.
DENIS: -Aposto que espera até hoje que você volte correndo para a casa dela...
LÚCIA: -Talvez! Mas, estamos ótimos e assim vamos continuar para decepção dela.
DENIS: -O importante é que estamos juntos.
LÚCIA: -É! E logo seremos três.
DENIS: -Eu você o garotão.
LÚCIA: -Garotinha!
DENIS: -Garotão!
LÚCIA: -Veremos!
DENIS: -É, veremos!
LÚCIA: -Agora vamos...
DENIS: -Mais um beijo. (O beija) Hum! Gostoso!
LÚCIA: -Agora chega! Vamos nos atrasar. (Saem)
CENA VIII
MARGARIDA: -Você esta linda!
LIZA: -Gentileza sua.
MARGARIDA: -Você é a nova mais linda que já vi...
LIZA: -E a mais nervosa!
MARGARIDA: -E qual não se sente nervosa num dia tão especial?
LIZA: -É meu segundo casamento, mas acho que estou mais nervosa que no primeiro. Mesmo tendo consciência que será uma cerimônia simples, no civil, para mim é como se fosse um mega evento. Estou uma pilha!
MARGARIDA: -Pois trate de se acalmar! Está linda.
LIZA: -Será que ele vai esta lá?
MARGARIDA: -E por que não estaria?
LIZA: -Não sei. É medo. Insegurança minha!
MARGARIDA: -Meu filho te ama muito minha querida! E jamais deixaria de está lá a tua espera.
LIZA: -Obrigada dona Margarida! Muito obrigada por me receber em sua família...
MARGARIDA: -Não é preciso agradecer. A escolha não foi minha, nem sua. O amor nos escolheu!
LIZA: -Desejo tanto que um dia minha mãe demonstrasse esta ternura que consigo identificar em seu olhar.
MARGARIDA: -Ela tem. Só não sabe. O que temos que fazer é rezar, pedir a Deus por ela. Tenho certeza que a vida não deve ter sido fácil pra sua mãe.
LIZA: -Não é fácil pra muita gente e nem por isso as pessoas saem ferindo os sentimentos dos outros.
MARGARIDA: -Não olhe por esse angulo! Que sua mãe reflete tem muito a ver com a educação que ela deve ter recebido, o meio no qual vivemos tem muito a ver com a formação de nossa personalidade. Não quero dizer que não se pode mudar. Mas acredite querida, é um trabalho longo e doloroso deixar de acreditar no que aprendemos como correto, derrubando cresças e mitos, não é fácil. Se conseguimos, não devemos julgar, apenas rezar e pedir a Deus esclarecimentos!
LIZA: -Tem razão! Hoje é um dia muito especial...
MARGARIDA: -É, isso aí!
LIZA: -Não vamos mais pensar nisso. Vamos correndo para o cartório antes que eu tenha um piripaque!
LÚCIA: - (entra abatida)
LIZA: -Que foi Lúcia?
LÚCIA: -Mamãe!
LIZA: -O que há com nossa mãe?
LÚCIA: -Foi hospitalizada...
MARGARIDA: -Oh, deus!
LIZA: -Que aconteceu?
LÚCIA: -Me ligaram. Pensei até que fosse você. Já estava saindo, quando...
LIZA: -Calma! Onde ela está?
LÚCIA: -Teve uma parada...
LIZA: -Meu Deus! Como ela está?
LÚCIA: -Não sei bem. Só sei que tem que passar por uma cirurgia...
LIZA: -Deus!
MARGARIDA: -Filha vai ao hospital com sua irmã. Eu aviso ao Kleber.
LIZA: -Mas...
MARGARIDA: -Vai ficar tudo bem. Vá com ela...
LIZA: -Peça para o Kleber ir...
MARGARIDA: -Claro! Eu irei com ele.
LÚCIA: -E tu casamento?
LIZA: -É minha mãe. Kleber entenderá.
MARGARIDA: -Claro que entenderá. Agora vá filha, vá vê como está sua mãe.
LIZA: -Tem razão. Vamos Lúcia!
MARGARIDA: -Vão com Deus!
CENA IX
(Em outro plano, Denis está sentado de cabeça baixa).
LÚCIA: -Paizinho, como ela está?
LIZA: -O caso é grave.
DENIS: -Já foi operada?
LÚCIA: -Ainda não.
LIZA: -O que estão esperando?
DENIS: -O banco de sangue do hospital esta sem reservas...
LÚCIA: -Podemos doar sangue.
LIZA: -É claro!
DENIS: -O tipo de sangue dela é muito raro. Meu sangue não é compatível.
LÚCIA: -Meu Deus!
LIZA: -O nosso! Somos filhas.
DENIS: -Podemos falar com o médico. (Denis sai acompanhado com Liza. Entra Kleber e Margarida).
KLEBER: -Lúcia?! Como está?
LÚCIA: -Estão correndo contra o tempo.
KLEBER: -E liza?
LÚCIA: -Foi conversar com o médico. Mamãe precisa de doação de sangue. Mas pelo que me parece seu tipo sanguíneo não é muito comum.
KLEBER: -Qual é o tipo de sanguíneo dela?
LÚCIA: -Não sei.
MARGARIDA: -Calma filho! Vamos espera. (Entra Liza)
LIZA: -Amor! (Chorando) Meu tipo não é compatível
DENIS: -É preciso que a cirurgia seja feita com urgência. O hospital não tem disponível o tipo de sangue que precisa. Agora vamos fazer teste em Lúcia e torcer...
KLEBER: -Também posso doar.
MARGARIDA: -Se o meu for...
LÚCIA: -Nem sei como lhes agradecer.
KLEBER: -Então vamos...
LÚCIA: -Vamos.
KLEBER: -Onde está o médico?
LIZA: -Ali dentro. Obrigada!
KLEBER: -Tudo vai ficar bem! Fique aqui com minha mãe e tua irmã. Já volto. (Sai Kleber e Denis)
MARGARIDA: -Fiquem calmas! Confiem em Deus! (Luzes apagam-se)
CENA X
(Pouco-a-pouco a luz vai surgindo. Nora esta deitada numa cama de hospital ao seu lado Margarida, sentada em uma cadeira)
NORA: -Quem é a senhora?
MARGARIDA: -Uma amiga.
NORA: -Não a conheço.
MARGARIDA: -Mas já ouvi tanto falar da senhora que a conheço. Dona Nora!
NORA: -Como sabe meu nome? Onde estou?
MARGARIDA: -Num hospital.
NORA: -Que houve?
MARGARIDA: -Muito ódio acumulado neste coração...
NORA: -Infarto?
MARGARIDA: -Já passou. Todos ficamos preocupados!
NORA: -Minhas filhas?
MARGARIDA: -Lhe amam mais que a senhora possa imaginar.
NORA: -Onde estão?
MARGARIDA: -Aí fora. Quer que a chamem?
NORA: -Por favor...
MARGARIDA: -Ah, sou Margarida! Mãe de Kleber. Noivo de sua filha. (sai)
LÚCIA: -Mãezinha!
NORA: -Quase se livraram de mim!
LIZA: -Ou seria o contrário?
LÚCIA: -Que susto!
LIZA: -É... Um baita susto!
NORA: -Ah! (Sente-se mau)
LÚCIA: -Mãe?
NORA: -Estou bem. Só com um pouco de dor!
LÚCIA: -Lúcia, você poderia sair um pouco?
LIZA: -Liza, não acho que este seja o momento...
NORA: -Por favor!
LÚCIA: -Mamãe, estou ai fora. Te amo mãe.
NORA: -Eu sei filha.
LÚCIA: -Então diz que me ama...
NORA: -Você sabe que sim.
LÚCIA: -Mas gostaria de ouvir!
NORA: -Sinto que falhei como mãe... Mas nunca, mesmo me sentindo decepcionada por vocês, nunca deixei de amar vocês. (Lúcia a abraça.Saí)
LIZA: -Todos estão ai fora...
NORA: -Todos quem?
LIZA: -Todos que torceram por sua recuperação.
NORA: -Quem são?
LIZA: -Denis, seu genro. Kleber, seu futuro genro...
NORA: -Futuro?
LIZA: -É. Devido ao que aconteceu, tivemos que adiar...
NORA: -Sinto muito.
LIZA: -Ironia do destino.
NORA: -Como é o destino, não? É mesmo incrível! Se tivesse planejado, não teria dado tão certo!
LIZA: -Preciso lhe contar algo mãe.
NORA: -Por sua cara, é algo muito ruim...
LIZA: -Depende do ponto de vista.
NORA: -Então diga. Posso esta nessa cama, mas não tão indefesa que não possa suportar ha mais um golpe!
LIZA: -A senhora teve uma parada...
NORA: -Disso já sei.
LIZA: -Para que fosse operada, foi preciso um transplante de sangue. Seu sangue não tão comum...
NORA: -Sangue ruim!
LIZA: -O hospital não se dispunha de sangue em seu estoque, todos nós fizemos teste: Lúcia, Denis, eu, Margarida e Kleber. E o único compatível foi o do Kleber.
NORA: -E ele aceitou, mesmo depois de tudo?
LIZA: -Kleber não guarda rancor mãe. De certa forma já se acostumou com o pré-conceito.
NORA: -Eu o abominava tanto e agora tenho o sangre de um negro correndo em minhas veias!
LIZA: -É.
NORA: -Que peça a vida me pegou!
LIZA: -Não acha que é hora de deixar as mágoas, os pré-conceitos no passado? Tem uma nova chance! A pessoa que Deus colocou em seu caminho, responsável por esta viva, esta aí fora. Não acha que deve-lhe agradecimento? Está pode ser uma chance única.
NORA: -Peça pra ele que entre. (Liza vai chamar)
KLEBER: -Com licença!
NORA: -Entre.
KLEBER: -Como esta?
NORA: -Acho que bem. (Silêncio) Foi você que salvou a minha vida.
KLEBER: -Não senhora. Foi Deus!
NORA: -Fui tão injusta com você, e você tão generoso.
KLEBER: -Faria isso por qualquer pessoa que precisasse.
NORA: -Você é um anjo.
KLEBER: -Um anjo negro!
NORA: -Me sinto envergonhada.
KLEBER: -Não se envergonhe. Deus lhe deu outra chance. Aproveite! Esqueça o que passou, suas filhas lhe amam. Que resta agora é construir uma nova história. (Ele se levanta)
NORA: -Kleber... (Ele se vira) Seja bem vindo à família!
KLEBER: -Obrigado!

F I M

CASAMENTO NO ARRAIÁ (Texto de Teatro)

CASAMENTO NO ARRAIÁ
De: MARCONDYS FRANÇA


SOCORRO (MÃE)
IDELFONSO (PAI)
MARIA BADALO (FILHA)
BOCA DE BURRO (JAGUNÇO)
ZÉ PINGA (NOIVO)
VIGÁRIO

ATO ÚNICO
SOCORRO: - Desgraçada... Desgraçada! Minha filha, mais falada que tudo nessa vida! Ai de mim!
IDELFONSO: - Se eu pego esse condenado... Eu capo esse cabra safado!
MARIA BADALO: - Mainha...
SOCORRO: - Calada!
MARIA BADALO: - Painho...
IDELFONSO: - Calada!
MARIA BADALO: - Eu...
OS DOIS: - Calada estrupício!
IDELFONSO: - Vamos realizar logo este casamento antes que eu cometa uma loucura.
SOCORRO: - O vigário já vem se chegano...
IDELFONSO: - Que chegue logo. Que já tô sem paciência.
MARIA BADALO: - Mais...
SOCORRO: - E ocê se assussegue!
MARIA BADALO: - Eu...
OS DOIS: - Calada estrupício!
MARIA BADALO: - Oxé! Num posso nem dizê nadica de nada...
OS DOIS: - Não!
VIGÁRIO: - Meus filhos... Deus os abençoe!
TODOS: - Amém!
VIGÁRIO: - Vamos então dá início ao casório... É esta a noiva?
SOCORRO: - É... É essa sonsa!
MARIA BADALO: - Mainha!
SOCORRO: - Num diga nada! Calada estrupício!
VIGÁRIO: - E onde ta o noivo?
IDELFONSO: - Vou mandá buscá o cabra. Boca de Burro!
BOCA DE BURRO: - Sim sinhô!
IDELFONSO: - Traga cá aquele cabra safado... Que minha peixeira tá se cosandi... Tá doidinha pra sangrar um pescoço de um filho de uma égua!
VIGÁRIO: - Fique calmo homem de Deus! Sem violência.
IDELFONSO: - Boca de Burro, se avexe... Tá ispeno o que? (Boca de Burro sai)
MARIA BADALO: - Painho deixa eu falá...
IDELFONSO: - Ocê num me abra essa boca Maria Badalo.
MARIA BADALO: - Mai painho...
SOCORRO: - Tá moca? Num ouviu teu pai? Oxé!
BOCA DE BURRO: - Aqui está o cabra!
ZÉ PINGA: - Se é festa to drentro! (Música: Bebe, cair e levantar)
IDELFONSO: - Me segura antes que eu faça uma bestera e desgrace minha vida.
VIGÁRIO: - Calma homem! Não esqueça que tua filha precisa do noivo...
MARIA BADALO: - Vigário...
TODOS: - Calada!
ZÉ PINGA: - Etá festa animada! Num tem uma branquinha?
SOCORRO: - O sinhô se oriente!
ZÉ PINGA: - Só um dedo... Em pé.
VIGÁRIO: - Vamos logo a cerimônia.
IDELFONSO: - É isso mermo seu vigário... Case logo essa sem vergonha.
MARIA BADALO: - Mainha...
SOCORRO: - Cale essa boca estrupício.
VIGÁRIO: - Então vamo dá início a esta união... Aqui temos de um lado Zé Pinga e do outro Maria Badalo...
SOCORRO: - Pule logo essa babozeira toda! O pio já acunteceu... Então vamo logo ao que interessa.
IDELFONSO: - Isso mermo!
VIGÁRIO: - Sendo assim... Proseguiremos...
MARIA BADALO: - Eu...
VIGÁRIO: - Isso é pressa de se vê casada filha?
MARIA BADALO: - Eu...
SOCORRO: - Aceita!
MARIA BADALO: - Mas...
SOCORRO: - Você cala a boca. Sabeno que vai perguntá... A resposta é sim.
ZÉ PINGA: - Não...
IDELFONSO: - Como é que é seu cabra? (Mostra a peixeira)
ZÉ PINGA: - Digo sim. É que ocês num deixa a pobre moça falá.
IDELFONSO: - Vigário temine logo com essa agonia.
VIGÁRIO: - Então... Maria Badalo, aceita...
SOCORRO: - Já disse que sim. E se num disse eu como mãe e resposave digo sim.
IDELFONSO: - E eu assino em baixo!
VIGÁRIO: - Mais não é assim que funciona.
IDELFONSO: - Com todo repeito vigário... Não cumprica! (Para Zé Pinga) E você seu cabra safado diga logo sim.
ZÉ PINGA: - Se num tem como escapuli...É sim, né?
MÃE E PAI: - É.
VIGÁRIO: - Então... Se não há ninguém que possa impedir essa união...
BOCA DE BURRO: - Eu!
TODOS: - Oh!
MARIA BADALO: - Boca de Burro!
BOCA DE BURRO: - Eu amo Maria Badalo e foi eu que bulí com ela...
MARIA BADALO: - Meu mocinho, meu cawboy!
BOCA DE BURRO: - Vambora...
MARIA BADALO: - É Pra já! (Pula nas costa de Boca de Burro e foge do casamento. Socorro desmaia, Idelfonso a segura)
VIGÁRIO: - Nome do pai, do filho e do Espírito Santo...
ZÉ PINGA: - Etâ casamento bão! Que festança animada! (Música)

F I M

É TUDO MENTIRA! (Texto de Teatro)

É TUDO MENTIRA!
DE: MARCONDYS FRANÇA

PERSONAGENS:
AÍDA
HIAGO (MARIDO DE AÍDA)
BLANSH (IRMÃ DE AÍDA)
RIAN (MARIDO DE BLANSH)
CONSTANZA (EMPREGADA DE AÍDA)
HELLEN (EX-AMIGA DE BLANSH)
PHILIPE (SÓCIO DE AÍDA)

PRIMEIRO ATO
CENA I
AÍDA: -Entre, meu bem! Sinta-se em casa...
BLASH: -Obrigada! Sinto-me constrangida.
AÍDA: -Tolice! Somos uma família.
BLASH: -Tem sido sempre tão generosa comigo!
AÍDA: -Não faço por obrigação, mas por amor! Tenho certeza que faria o mesmo por mim.
BLASH: -Não tenha dúvidas!
AÍDA: -Claro que não! Esta bolsa deve está pesando...
BLASH: -Ah!
AÍDA: -Pode colocar ai neste cantinho... quando Hiago chegar pedirei para levar ao quando onde lhe hospaderei! Aceita um drinque?
BLASH: -Uma soda. (cai uma lágrima)
AÍDA: -Meu anjo! Não chore. sei que é difícil, mas, logo tudo isso passará, é só uma tempestade!
BLASH: -Não entendo...
AÍDA: -Escute, ainda é cedo. Com o tempotudo isso irá se exclarecer!
BLASH: -Por que as pessoas deixam de amar?
AÍDA: -Existem várias formas de amor. O fato de estarem se separando, não quer dizer que não se amem... muitas vezes as pessoas se amam verdadeiramente, se amam tanto, que não conseguem ficarem juntas...
BLASH: -Então não é amor.
AÍDA: -É possível amar e não sentir paixão. Você pode viver com uma pessoa cem anos e sentir amor, amor de verdade, mas... já paixão? Querida muitas vezes um dia de paixão equivale a uma eternidade.
BLASH: -Você acha que ele não sinta mais tesão por mim?
AÍDA: -Jamais poderia afirmar isto. Mas acredito no possível... Acho que estejam passando por um momento difícil! Meu bem, esta claro que teu marido ainda te ama!
BLASH: - Se realmente me ama, por que então prefere me deixar? Não entendo!
AÍDA: -Um relacionamento não é constituído só de amor... posso amar alguém e guardar este sentimento só para mim, amor pratônico, e o ser amado jamais saber. Já a paixão, querida, esta é difícil de esconder, pois é explosiva! Muitas vezes é o que move a relação, nos torna um bando de loucos capazes de atos insanos!
BLASH: -Acho que tem outra.
AÍDA: -Blansh, querida! Não se torture. Alimentar estes pensamentossó aumenta seu sofrimento!
BLASH: -O que farei da minha vida agora, sozinha?
AÍDA: -Não está sozinha! Ei, estou aqui! Além do mais tudo pode acontecer. Acho que vocês só precisam de um tempo, refletir um pouco sobre a relação fará bem para ambos. Quer saber acho que não demorará muito você e Riam vão reatar, e isto não passará de um grande susto.
BLASH: -Será?
AÍDA: -Tudo é possível! O ser humano está sempre exposto à mudança.
BLASH: -Adoraria tomar um banho...
AÍDA: -Isso, meu bem! Um banho lhe fará relaxar... Venha, vou pedir a Constanza para preparar um banho delicioso para você minha querida!
BLASH: -Ida?! Obrigada. (Se abraçam e saem)
CENA II
(houve-se barulho de cheveiro)
HIAGO: -Querida?!
AÍDA: -Amor...
HIAGO: -Nada como a sensação de chegar em casa e encontrar você minha querida, linda como sempre!
AÍDA: -Sempre galanteador! Olha que acredito.
HIAGO: -Pode acreditar. Nossa! Está linda, sempre encantadora.
AÍDA: -Amor! (beija-o)
HIAGO: -Você me inspira...
AÍDA: -Ei!
HIAGO: -Você é maravilhosa! Sabe como me deixar louco...
AÍDA: -Vai com calma garanhão...
HIAGO: -Que malas são essas?
AÍDA: -Blansh.
HIAGO: -Blansh, está...
AÍDA: -Veio passar uns dias conosco.
HIAGO: -Alguns dias?
AÍDA: -Querido, é só por um tempo.
HIAGO: -Isso já está se tornando palhaçada!
AÍDA: -Haja com naturidade. Pobrezinha! Está tão fragilizada.
HIAGO: -Que houve desta vez?
AÍDA: -Agora me parece que é pra valer... Querida, vamos dar de todo apoio possível, neste momento Blansh precisa de nós.
HIAGO: -Cloaro!
AÍDA: -Ótimo! Sabia que poderia contar com você!
HIAGO: -Sempre.
BLANSH: (vestida de ropão) -Hiago...querido! (beija-o no rosto) Estou invadindo o espaço de vocês, mas prometo que não será por muito tempo.
HIAGO: -Seja bem vinda cunhada, fique o tempo que for preciso. Somos sua família, nesta casa você é sempre bem vinda.
BLANSH: -Obrigada querido! Mas prometo que vou tentar resolver minha situação o mais breve possível.
AÍDA: -Que bobagem Blansh.
BLANSH: -Não quero lhes causar incômodo!
AÍDA: -Imcômodo algum.! Pare com isso minha querida, assim me deixa chateada. Hiago querido pode nos ajudar? Por favor, leve esta mala no quarto de hospede...
HIAGO: -Claro!
AÍDA: -Ótimo querido!
BLANSH: : -Obrigada Hiago. Sempre tão gentil!
AÍDA: -Não demore querido. Já pedi algo para o jantar.
HIAGO: -Bem pensando! Estou faminto. Espero que seja uma de suas especialidades...
AÍDA: -Zombando de mim!? Que não faço para agradar meu maridinho!
HIAGO: -Blansh fique a vontade, sinta-se em casa!
BLANSH: -Obrigada! (ele sai) É tão bonita a relação de vocês. é como se fossem um eterno casal de namorados, desses que só vemos em livros ou folhetins. Dá pra vê o amor, a tão comentada paixão nos olhos de vocês...
AÍDA: -Igredientes necessários na vida de um casal. Cumprisidade!
BLANSH: -Exatamente o que nos faltava!
AIDA: -Oh, querida!
BLANSH: -Sinto tanta falta do meu casamento.
AIDA: -Do seu casamento?
BLANSH: -Força de expressão!
AIDA: -É de ser estranhar...
BLANSH: -Você leva tudo ao pé da letra!
AIDA: -Se ama, com o parece...
BLANSH: -Duvidas de meu amor?
AIDA: -Não, claro que não! Querida, só estranhei a forma que você declarou sentir falta. É como se sentisse falta do compromisso, das conveniências sociais e não do Rian.
BLANSH: -Amo Rian. Deus sabe o quanto!
AIDA: -Também vejo isso. Sinto verdadequando diz amar.
BLANSH: -Por que a vida tem que ser assim, seguir este rumo, sempre o caminho mas difícil?
AIDA: -Os problemas existem!
BLANSH: -Tantos desencontros!
AIDA: -Quem sabe, a vida não está pondo em prova nossas convicções?!
CENA III
HIAGO: -Como vai?
RIAN: -Não tão bem quanto você, mas vou levando...
HIAGO: -Sinto muito por tudo isto!
RIAN: -Não sei como as pessoas podem mudar tanto! quando a conheci, Blansh era tão doce, delicada, de uma generisidade inclível! Era tudo tão divertido, tão...bonito! cheguei acreditar que seria para sempre! Entende?
HIAGO: -Oh, meu amigo! Sei que é duro! Vejo que está sofrendo...
RIAN: -Bastante!
HIAGO: -Então? Por que não deixa o orgulho de lado e se entende com sua mulher?
RIAN: -Se as coisas fossem tão simples assim!?
HIAGO: -Muitas vezes as complicamos demais!
RIAN: -Nunca pude pensar que...
HIAGO: -Rian, olhe pra você... cara, não esta sendo diferente para ela. Ambos estão sofrendo com esta separação!
RIAN: -É a única solução aplausível neste momento!
HIAGO: -Já brigaram tantas outras vezes...
RIAN: -Sei disso! Mas agora é pra valer.
HIAGO: -Prefere viver assim? Sofrendo? Chorando pelos cantos, bebendo se acabando aos poucos?
RIAN: -Tenho orgulho!
HIAGO: -E por isso vai se destruir?
RIAN: -Não merece meu amor, meu respeito! Tenho que zelar por minha honra cara.
HIAGO: -Desse jeito?
RIAN: -Preferiu jogar meu nome no lixo...
HIAGO: -Briguinha boba, passa! Depois vai dar várias gargalhadas disso tudo.
RIAN: -Pior que não! O que sinto por aquela mulher neste momento é ódio, desprezo, nojo.
HIAGO: -Olha! Vai se arrepender depois do que está dizendo...
RIAN: -Quero esquecer que aquela desgraçada existe. Tirar ela do meu coração!
HIAGO: -Rian, o que está acontecendo? Vamos cara, se abre comigo! O que está lhe pertubando tanto? Existe algo que eu e Aída não sabemos sobre essa separação?
RIAN: -Já nem consigo dormir direito, toda as vezes que fecho os olhos, só...
HIAGO: -Rian, sou teu amigo. Estou disposto a lhe ajudar, isto é, se quiser minha ajuda. Tudo bem que eu seja cunhado dela, mas também sou teu amigo. se quiser conversar, se abrir comigo, dividir um pouco essa dor que está te correndo, prometo que se for o caso faço segredo sobre o que aqui for dito. Se for o caso, nem Aída saberá, somos homens, adultos... Sinto que é bem mas grave que eu imaginava.
RIAN: -Nunca fui tão humilhado em toda minha vida...
HIAGO: -É tão grave assim?
RIAN: -Grave!... É a pior humilhação que um homen pode passar. Tenho até vergonha de comentar, é sujo demais!
HIAGO: -Não se sinta envergonhado! Quem sabe se dividir comigo, este fardo fique mais leve... Te considero pra caramba, divide comigo essa dor. Sou teu amigo não sou?
RIAN: -Claro!
HIAGO: -Então!
RIAN: -Não sei nem por omde começar...
HIAGO: -Que tal pelo começo.
RIAN: -Frui traído cara! aquela vadia me corneou...
HIAGO: -Ei, isto é uma acusação muito séria! Tudo bem que esteja com ódio, até mesmo decepcionado! Mas, acusar sua mulher de infidelidade?
RIAN: -Na minha cara, debaixo do meu nariz! E eu não percebia... Cego!
HIAGO: -Não esta dizendo coisa com coisa!
RIAN: -Levava os caras pra transar na minha própria casa, em nossa cama...
HIAGO: -Que absurdo é esse que que está me dizendo Rian?
RIAN: -Hiago, eu vi. Ninguém me contou! Eu vi. Com meus próprios olhos. se me contasem eu também não acreditaria. Blansh, não presta! É uma vadia da pior espécie.
HIAGO: -Que conversa é essa?
RIAN: -Parece loucura, não é? Mas é verdade! Flagrei ela na nossa cama com dois homens trepando. Cachorra!
HIAGO: -Estou besta!
RIAN: -Ainda teva a pachorra de dizer que eu merecia. Cara, até meus amigos pra quem abrí as portas da minha casa, transaram com ela. alí ô, bem aqui, debaixo do meu nariz. E eu? Inocênte. Batiam nas minhas costas e riam deste corno!
HIAGO: -Não está dando uma dimensão maior ao fato?
RIAN: -A própria confessou, e sem nenhum remoço!
HIAGO: -Deus!
RIAN: -Cuidado Hiago! Está abrigando uma cobra em sua casa.
HIAGO: -Não, não... Espera aí! Algo não faz sentido.
RIAN: -É! É difícil de crêr. Mas essa é a verdade. se me contassem, eu também não acreditaria! Espero que aquela cadela nunca mais apareça na minha frente, sou capaz de estrangular essa piranha!
HIAGO: -Violência não o levará a nada.
RIAN: -Irei parar na cadeia, mas antes verei aquela vaca debaixo de sete palmos, direto para o inferno, onde é seu lugar!
HIAGO: -Tira isso da cabeça...
RIAN: -A morte dela é minha libertação!
HIAGO: -Você não é um assassino...
RIAN: -Ningém nasce assissino, se torna!
HIAGO: -Você está transtornado! Isso vai passar, e quando tudo isso passar irá perceber que um único ato de violência contra ela não valerá apena. Mulher nenhuma merece que disgrace sua vida por ela...
RIAN: -Minha vida já está disgraçada! Merda! Por que, por que, por que fez isso comigo?
HIAGO: (abraça) -Fraquesa meu amigo! Fraquesa!
RIAN: -Servergonhisse!
CENA IV
BLANSH: -Me acompanha? (com uma taça com champanhe)
HIAGO: -Obrigado!
BLANSH: -A, cunhadinho! Vai fazer disfeita!
HIAGO: -Blansh, estou exausto!
BLANSH: -Um bom motivo para relaxar!
HIAGO: -Aída?
BLANSH: -Minha irmã! Apaixonada por trabalho. Foi sempre assim!
HIAGO: -Sente-se melhor?
BLANSH: -Vou sobreviver! Champanhe? Perdão. Homens como você preferem um bom wisk!
HIAGO: -Aho melhor não!
BLANSH: -Que isso! Medo? Não faça disfeita. É feio! Sou hospede. Não é educado deixar uma dama beber sozinha! Com gelo ou sem gelo?
HIAGO: -(afasta)
BLANSH: -Ei, calma! Não mordo não. Só quando a situação pede... Sou inofensiva. Uma delicada borboleta!
HIAGO: -Conversei com Rian...
BLANSH: (tensa) -Deve ter lhe dito um monte de mentiras a meu respeito!
HIAGO: -E qual é a verdade?
BLANSH: -Em que se quer acreditar! É muito difícil amar... amor sem paixão é como festa sem música, agente perde o rítimo!
HIAGO: -Não quero me intrometer nas vidas de vocês...
BLANSH: -Mesmo não querendo, já o fez!.... Tenho certeza que deva ter ouvido muitas inverdades, que neste momento está se perguntando se deve acreditar ou não....
HIAGO: -Como sabe sobre o que conversamos/
BLANSH: -Intuição femenina. Um homen com orgulho ferido é capaz de qualquer coisa, até mesmo das mais vil mentiras.
HIAGO: -Por que o orgulho dele estaria ferido?
BLANSH: -Rian não é como você meu caro, não é dono da sua própria vontade, não é um homem de auta estima! dido isso por que sei, ninguém o conhece melhor que eu. Confuso? Eu também estaria. Ih! Já vi que se passa milhoes de coisas nessa cabecinha... Pergunte. é só perguntar! Posso tirar suas dúvidas... Estou aqui meu querido, desarmada, pronta para o seu julgo. Só lhe peço uma coisa, uma única coisa, não me julgue sem antes me dar a chance de me defender.
HIAGO: -Quem sou eu para julgar alguém?
BLANSH: -Taí, gostei? Quem? Quem é você? Cá entre nós, um pecadinho você já cometeu, não já?!
HIAGO: -Acho que já bebeu demais...
BLANSH: -Admiro você. E respeito muito! Interpreta tão bem o papel de marido perfeito...
HIAGO: -Blansh, quando se ama não precisa interpretar!
BLANSH: -Bravo! Bravo! Que bela fala! Digno de shaskeapeare! Não tocou em sua bebida... não está a seu gosto?
HIAGO: (bebe) -Rian comentou sobre traição...
BLANSH: -E o motivo da traição? Ah, isso jamais será capaz de comentar! seria vergonhoso pra Rian! Já pra mim posso lhe dizer que é, apenas triste! que mesmo saber se traí meu marido?
HIAGO: -É melhor paramos por aqui...
BLANSH: -Sim, traí.
HIAGO: -Blansh, você não precisa....
BLANSH: -Rian, meu marido, meu homem, é um ipotênte sexual!
HIAGO: -Que?
BLANSH: -Satisfeito? É isso aí! Sofre de impotência sexual. Em nossa noite de núpcias pensei que fosse nevorsismo, mas...
HIAGO: -Que está me dizendo?
BLANSH: -Nosso casamento nunca foi consumado. Tive que me virar como pudi, me satisfazendo nos braços de estranhos...
HIAGO: -Se isso a deixava infeliz, por que não pediu o divórcio?
BLANSH: -Jurou que se eu o largasse, se mataria. Tive pena!
HIAGO: -Pena?
BLANSH: -É, pena!
HIAGO: -Sinto muito!
BLANSH: -Só eu sei o que passei. Agora, pode me julgar como achar melhor. (sai)
CENA V
(HIAGO ESTA NA COZINHA BEBENDO UM COPO COM ÁGUA, BLANSH ENTRAESTÁ SAÍDO DO BANHO, VESTE APENAS UM ROPÃO)
BLANSH: BOA TARDE!
HIAGO: BOA TARDE BLANSH.
BLANSH: CANSADO?
HIAGO: UM POUCO.
BLANSH: ME ACOMPANHA NUM DINQUE?
HIAGO: NÃO. OBRIGADO!
BLANSH: TEM MEDO?
HIAGO: NÃO ENTENDÍ...
BLANSH: PARECE ESTA O TEMPO TODO SE DEFENDENDO.
HIAGO: IMPRESSÃO SUA.
BLANSH: SERÁ?
HIAGO: DE CERTO QUE SIM!
BLANSH: DE QUE TEM MEDO?
HIAGO: MEDO EU? DE ONDE TIROU ESTA IDÉIA?
BLANSH: AS VEZES TENHO DÚVIDA...
HIAGO: DÚVIDA DE QUE?
BLANSH: SE ESTE MEDO É DE MIM OU, DE VOCÊ...
HIAGO: POR QUE TERIA DE MEDO DE VOCÊ?
BLANSH: SEI LÁ! SOU INCAPAZ DE FAZER MAU A UMA MOSCA.
HIAGO: ENTÃO ISTO NOS LEVA A CRER...
BLANSH: QUE TENS MEDO DE SI.
HIAGO: QUE LOUCURA É ESSA?
BLANSH: ACHO QUE NÃO SE CONHECE O TANTO QUANTO SE IMAGINA!
HIAGO: E VOCÊ É EXCPERT NO ASSUNTO?
BLANSH: BEM MAIS QUE IMAGINA MEU BEM.
HIAGO: ONDE QUER CHEGAR?
BLANSH: ONDE PODE CHEGAR?
HIAGO: BOM É MELHOR PARAR POR AQUI.
BLANSH: DARLIN, NÃO TENHA MEDO! NÃO SOU SUA INIMIGA. ME CONCIDERO BEM MAIS QUE UMA AMIGA, AFINAL, SOU SUA CUNHADINHA!
HIAGO: COM LICENÇA!
BLANSH: ESPERE!
HIAGO: BASTA! ACHO MELHOR SE VESTIR. AÍDA PODE CHEGAR E NÃO GOSTAR DE VÊ-LA ASSIM.
BLANSH: E VOCÊ O QUE ACHA? NÃO RESPONDES? ENTÃO GOSTA. E SE EU TIRASSE ESTE ROUPÃO, ASSIM, O QUE ACHA? (ELE SAI) NÃO DOU UMA SEMANA E VOU TÊ-LO AQUI Ó, EM MINHAS MÃOS.
CENA VI
AÍDA: -Bom dia Contanza!?
CONTANZA: -Bom dia, senhora!
AÍDA: -Estava só esperando você chegar...
CONTANZA: -Estou atrasada, senhora?
AÍDA: -Não Contanza, Eu é que estou adiantada! Tenho que chegar mais cedo ao escritório. Tenho um novo projeto para apresentar hoje e, estou naquela correria...
CONSTANZA: -Alguma recomendação?
AÍDA: -Já ia me esquecendo. Tenho visita! Minha irmã mais nova veio passar uns dias conosco, a está hora deve está dormindo, esá meia cansada, chegou de viajem. então lhe peço que a deixe dormir o quanto for preciso, caso não dê para arrumar o quarto de hospede hoje, fica para outro dia. Meu Deus1 onde enfiei a chave do carro?
CONSTANZA: -É esta senora?
AÍDA: -Obrigada! Vou indo... Qualquer emergência liga no meu celular! Ah! Hiago já saiu e acredito que vai almoçar fora, eu também não volto antes do almoço. Se Blansh quiser algo passa a ela o telefone do restaurante... (sai)
CONSTANZA: -Sim ssenhora, pode deixar! Bom dia senhora!?
BLANSH: -Bom dia! Isso é hora de incomodar as pessoas?
CONSTANZA: -Perdão senhora.
BLANSH: -O que faz aqui?
CONSTANZA: -Meu trabalho, senhora.
BLANSH: -Ai, para! Que coisa mais irritante. Parece um robô. Senhora!
CONSTANZA: -Sou empregada de dona aída
BLANSH: -Empregada?
CONSTANZA: -se quiser pode confirmar. o celular de dona Aída é...
BLANSH: -Conheço o número. (pega o telefone) Inferno! Ida?! Tem uma mulher aqui dizendo que é sua empregada... Ah, então tá! É que levei um susto! Acordo e dou de cara com uma assombração. Que nominho ein?! De onde tiraram esse? Tá bom querida, até mas tarde e um bom trabalho!
CONSTANZA: -A senhora me desculpe, não queria lhe incomodar...
BLANSH: -O inferno está cheio de bos intensões! Constância, não é?
CONSTANZA: -Constanza.
BLANSH: -Constancia, contanza, tanto faz! Peço que não faça muito barulho que estou com uma terrível dor de cabeça!
CONSTANZA: -Sim senhora! Deseja um remédio?
BLANSH: -Não meu bem. Só um pouco de sossego!
CONSTANZA: -Se quiser posso lhe fazer um café..
BLANSH: -Quando eu quiser, eu peço. Meu cunhado?
CONSTANZA: -Seu Hiago...
BLANSH: -Meu não. E não se fala seu. Senhor! Tenho outro?
CONSTANZA: - Saiu senhora. Assim disse dona Aída!
BLANSH: -Que dona?! Isso me irrita. senhora! dona fica pra quem tem boteco!
CONSTANZA: -Perdão!
BLANSH: -Perdoada! Mas, acho melhor ficar de boca fechada. (pega wisky) Nada como um bom wisky para acordar. (bebe) Este é dom bom! (sai)
CONSTANZA: -Que estranho, não tem que diga que irmã de dona Aída! Como pode, ter a mesma criação e ser tão diferente? É Constanza, pelo jeito você vai ter muito trabalho! (Sai)
BLANSH: -Quem sabe meu querido cunhado precisa de ajuda! A toalha !claro!A toalha...
CENA VII
CONSTANZA: -Dona Aida...
AÍDA: -Sim,Constanza?!
CONSTANZA: -Poderia da uma palavrinha com a senhora?
AÍDA: -Claro ,querida!
CONSTANZA: -Me perdoa se vou lhe parecer atrevida!
AÍDA: -Algum problema Constanza?
CONSTANZA: -Não.È só uma curiosidade!
AÍDA: -Então...
CONSTANZA: -A senhora deve confiar muito em sua irmã,dona Blansh.
AÍDA: -Claro que sim!Afinal Blansh é minha irmã!
CONSTANZA: -Imagino que acedite conhecer bem sua irmã?
AÍDA:-Praticamente,como irmã mas velha ,eu a criei.
CONSTANZA: -È por isso sinta responsavel por ela?
AÍDA: -Acho que é comum , nos sentimos responsaveis por quem amamos.
CONSTANZA: -Claro !Mais talves por amar demasis ñ conseguimos enxergar certas coisas.
AÍDA: -O que esta querendo me dizer?...
CONSTANZA: -Não quero me parece enxerida,mas acredito que deve observa melhor o comportamento de sua irmã.
AÍDA: -Como assim?
CONSTANZA: -Não e adequado!
AÍDA: -Continuo sem compreender.
CONSTANZA: -Talves eu seha velha demais e tenha uma outra visão de convivencia em família.
AÍDA: -São tantasas voltas que continuosem entender.Constanza ,oque esta tentando me dizer.
CONSTANZA: -Nada Senhora!Acho que estou variando.Devo esta ficando caduca!
AÍDA: -Não.Por favor,continue.
CONSTANZA: - Já terminei. Não e nada.
AÍDA: -Acha o comportamneto de minha irmã inadequado?
CONSTANZA: -Um pouco.Só acho que a senhora deveria presta mas atenção nas atitude de dona Blansh. Só assim acredito que intendera o que estou dizendo...
AÍDA: -Constanza...
CONSTANZA: -Perdão senhora, não costumo me entrometer na vida de meus padrões! Boa noite dona Aida...
AÍDA: -Boa. (Constanza sai)
CENA VIII
BLANSH: -Ida!... Será que poderia me emprestar um colar dos seus?
AÍDA: -Claro querida! Vai sair?
BLANSH: -É, vou!
AÍDA: -Hum! Nossa! Você está linda!
BLANSH: -Gosta?
AÍDA: -Sempre foi assim! Tudo lhe cai bem. Um anjo!
BLANSH: -Sempre generosa! E você minha irmã, o que vai fazer?
AÍDA: -Ler!
BLANSH: -Ler?
AÍDA: -Ler.
BLANSH: -Que programa!
AÍDA: -Deveria ler mais...
BLANSH: -Pode deixar quando chegar na terceira idade, se chegar! Terei muito tempo para ler.
AÍDA: -E onde vai, assim tão linda?
BLANSH: -Parecendo mamãe!
AÍDA: -Talves me sinta assim! Sou um pouco sua mãe.
BLANSH: -Tem coração muito maternal.
AÍDA: -Você acha?
BLANSH: -Acho. Poderia aproveitar mais o tempo livre para fazer um programa com o maridão! Um cinema, um teatro, um jantar e... depois...
AÍDA: -Ando tão indisposta. mas não seria uma má idéia. Quem sabe outro dia!? Vou me programar.
BLANSH: -Talves este seja seu problema. Se programa demais! As vezes é bom deixar as coisas acontecerem naturalmente, ou fazer acontecer.
AÍDA: -Bom, vê você assim, tão animada!
BLANSH: -CCansei de chorar. Não quero morrer desidratada!
AÍDA: -Posso saber onde vai?
BLANSH: -Por aí...
AÍDA: -Por aí?
BLANSH: -E em boas mãos!
AÍDA: -Então vamos até meu quarto, acho que tenho um colar perfeito para combinar com sua roupa.
BLANSH: -Vamos nessa! (saem)
CENA IX
HIAGO: -Bom dia, Contanza!
CONSTANZA: -Bom dia senhor! (T) Senhor?...
HIAGO: -Sim contanza?
CONSTANZA: -Não, nada...
HIAGO: -Fale. Por favor, fale!
CONSTANZA: -O senhor poderá me achar abusada...
HIAGO: -E porque acharia isto?
CONSTANZA: -Pelo que gostaria de lhe dizer...
HIAGO: -Pois diga...
CONSTANZA: -Não sei se devo. Só só uma estranha, sua empregada...
HIAGO: -Isso não é verdade. Constanza, você é uma pessoa de confiança!
CONSTANZA: -Gosto muito de dona Aída e também do senhor.
HIAGO: -Blansh! O que Blansh fez? Disse-lhe algo que lhe desagradou?
CONSTANZA: -As atitudes de sua cunhada me desagrada uma vez que sua irmã lhe abre a porta da casa e lhe recebe como quem acolhe uma filha. Nunca ví alguém tão dedicada a uma irmã como dona Aída!
HIAGO: -O que está querendo dizer?
CONSTANZA: -Perdão...
HIAGO: -Continue...
CONSTANZA: -O que estão fazendo não está certo. Sei que não devia, mas saiu. Foi mais forte que eu!
HIAGO: -Não sei que lhe dizer. Estou confuso!
CONSTANZA: -Quem está de fora, como eu percebe. é nítido!
HIAGO: -Percebe o que?
CONSTANZA: -O inevitável. Dona blansh não faz nenhuma questão de esconder... Senhor, não sei bem o que está acontecendo, nem quero saber. afinal não é da minha conta! mas lhe peço encarecidamente, não magoe dona Aída, ela não merece isto.
HIAGO: -Jmais seria capaz de magoar aída. Amo minha mulher!
CONSTANZA: -Então fuja da tentação. Ainda há tempo! Não se deixe seduzir pelas as investidas desta mulher. Senhor Hiago, só o senhor terá a perder. Se não tiver cuidado dona Blansh vai destruir sua vida. Vejo isso nos olhos dela, ela não se importa com ninguém além dela, é egoísta demais. Pense nisso... livre-se desta mulher o quanto antes! E me perdoe, só estou lhe dizendo tudo isto, por que gosto demais do senhor e de dona Aída.
HIAGO: -Constanza, por favor...
CONSTANZA: -Pode deixar senhor, por mim dona Aída não saberá...
HIAGO: -Obrigado!
CONSTANZA: -Pense no que lhe disse. Conlicença... (sai)
CENA X
BLANSH: -Bom dia querido!
HIAGO: -Não gosto que metrate assim.
BLANSH: -Assim como?
HIAGO: -Com essa intimidade!
BLANSH: -Quer que eu seja formal contigo?!
HIAGO: -Prefiro.
BLANSH: -Derling?! Depois de tudo que houve ente nós?!
HIAGO: -Não houve nada!
BLANSH: -Somos mas que íntimos. Nos conhecemos muito bem, até melhor para cunhados...
HIAGO: -Quero que saia.
BLANSH: -Como é?
HIAGO: -Isso mesmo que ouviu.
BLANSH: -Não ouví! Não poderia ouvir este disparate.
HIAGO: -Arrume suas coisas e saia imediatamente da minha casa.
BLANSH: -Pirou? Você acha que vai me descartar, assim tão fácil? Pensa que sou o que?
HIAGO: -O que se mostra ser.
BLANSH: -Ora meu querido... que imagem será que minha querida irmã faz de mim? É sempre tão generosa, "qualse mãe!" Não acha que vai ficar contra mim, acha?
HIAGO: -Não vou permitir que destrua meu casamento.
BLANSH: -Quem disse que quero destruir seu casamento, de onde tirou essa idéia? Nunca me importei ser a outra na tua vida.
HIAGO: -Do que está falando?
BLANSH: -Da forma que sempre me olhou. Olhar de desajo! Sempre me comeu com os olhos. Me despia inteira, chegava ficar exitado. Minto? Negue que sempre me desejou...
HIAGO: -Você é muito vilgar mesmo!
BLANSH: -Não é atoa que invado seus sonhos e tiço seus desejos mais ocultos...
HIAGO: (pega pelo braço) -Você vao sair desta casa agora nem que eu tenha que lhe colocar pra fora à força.
BLANSH: -Está me machucando!
HIAGO: -Isso é pouco pra que desejo fazer.
BLANSH: -Está me machucando! Seu brutamonte!
HIAGO: -Odeio você!
BLANSH: -Não voi isso que disse a meu ouvido ontem...
HIAGO: -Prostituta!
BLANSH: (esbofetea)
AÍDA: -O que está acontecendo aqui? Que significa isto Hiago?
BLANSH: -Esta louco minha irmã! Tentou me agredir.
HIAGO: - Aída...
AÍDA: -Estou esperando! Acredito que tenha uma boa explicação...
HIAGO: -Desculpe-me, mas perdi a cabeça!
AÍDA: -Perdeu a cabeça? E por que perdeu a cabeça?
HIAGO: -é que sua irmã fez uma piada de mau gosto...
AÍDA: -Que tipo de piada? Blansh?
BLANSH: -É que lhe chamei de gorda!
HIAGO: -E eu naturalmente não gostei.
AÍDA: (ri) -Estão se esbofeteando, só por isso? Tolos. Ora hiago! Blansh! Estão agindo como crianças.
BLANSH: -Vou para meu quarto. (sai)
AÍDA: -Que atituda mas infantil, querido! Se não os conhecesse, diria que você estava agredindo Blansh.
HIAGO: -Acho que já é hora de sua irmã seguir o caminho dela.
AÍDA: -Que quer dizer com isso?
HIAGO: -Precisamos de privacidade...
AÍDA: -Entendí direito? Quer que eu vire as costas para minha irmã no momento em que mas precisa de mim? Isso eu jamais faria. A menos que haja um motivo incontestável!
HIAGO: -Motivo?
AÍDA: -É. Um motivo!
HIAGO: -Sei que é sua irmã e, que se sinta responsável... e também tudo que possa lhe dizer pareça uma ofensa, ou coisa assim...
AÍDA: -Estou confusa! Não diz coisa com coisa... O que está acontecendo aqui? Hiago por acaso está escondendo algo de mim? Por que se sente tão ameaçado com a prsença de Blansh? (Blansh entra)
BLANSH: -Ciúmes!
AÍDA: -O que?
BLANSH: -Ciúmes! Ciúmes de cunhado. Me viu com Fernades e veio tomar satisfações com a alegação que eu ainda sou uma mulher casada e coisa e tal... na verdade prefere me vê sofrendo, que feliz ao lado de outro homem, aí entra o amigo, preocupado com Rian. Acredito que fiquei tão furiosa que perdí a cabeça. é difícil explicar pro seu marido que estou livre, sou uma mulher separada e posso viver minha vida como desejar.
HIAGO: -Não nesta casa.
AÍDA: -Esperem. Que isso Hiago?
BLANSH: -Foi por isso que começou nossa discussão.
AÍDA: -Blansh, é adulta. E agora está separada! É natural que queira viver sua vida, sendo assim poderá sair com quem desejar.
HIAGO: -É um direito que tem! Mas, não aqui debaixo do nosso teto.
BLANSH: -Acha que lhes faltei com respeito?
AÍDA: -Não. Claro que não!
BLANSH: -Então não compreendo a atitude do meu cunhado! Bom, vou sair.
AÍDA: -Onde vai?
BLANSH: -Liguei para o Fernades e pedí para ele me pegar aqui. O clima está muito pesado! Vou dormir fora. Volto amanhã! Será melhor! assim vocês poderam conversar com maior privacidade...
AÍDA: -Blansh...
BLANSH: -Ida... não quero lhe causar problemas! Numa boa acho que você e Hiago tem muito para conversar. Até amanhã! (sai)
AÍDA: -Até!
HIAGO: -Quero esta mulher fora de nossa casa, de nossas vidas! (sai)
CENA XI
(Constanza procura Rian)
RIAN: -Pois não?!
CONSTANZA: -Boa noite, senhor?
RIAN: -Boa. Que deseja senhora?
CONSTANZA: -Perdão! Mas, gostaria de conversar com o senhor.
RIAN: -Lhe conheço?
CONSTANZA: -Acredito que não.
RIAN: -Que a senhora teria para conversar comigo?
CONSTANZA: -Posso entrar?
RIAN: -Por favor!
CONSTANZA: -Conlicença! Posso explicar...
RIAN: -O que deseja senhora?
CONSTANZA: -Deixamos a formalidades! É meu rapaz, sua casa está precisando de uma boa faxina.
RIAN: -Não tnho tido tempo!
CONSTANZA: -Ou vontade?
RIAN: -Como?
CONSTANZA: -Meu rapaz, não desista da vida! É tão moço, bonito. Tem tanto para viver! Ela não merece sua ruína.
RIAN: -Quem é a senhora? Quem lhe mandou aqui? Por favor vá embora.
CONSTANZA: -Não antes de cumprir minha missão!
RIAN: -Missão? Que missão?
CONSTANZA: -Essa moça veio pra destruir muitas vidas. e cabe a nós, freiá-la.
RIAN: -Está falando de Blansh? Quem é a senhora?
CONSTANZA: -Constanza. Temos que desmascará ees demônio em forma de anjo!
RIAN: -A senhora a conhece?
CONSTANZA: -Infelismante!
RIAN: -De onde?
CONSTANZA: -Trabalho para dona Aída e senhor Hiago!
RIAN: -Blansh está lá?
CONSTANZA: -Está. E já começou infernizar a vidam deles! Está preste acabar com o casamento...
RIAN: -Ela e...
CONSTANZA: -Sim senhor. E sem nenhum escúpulo seduziu o próprio cunhado aproveitando que a irmã viajava!
RIAN: -Deus!
CONSTANZA: -Agora fica infernizando a vida dele.
RIAN: -Aída sabe?
CONSTANZA: -Dona aída nem desconfia. Mas o desejo da irmã é separar os dois.
RIAN: -Amor?
CONSTANZA: -Inveja!
RIAN: -Deus! Que vadia!
CONSTANZA: -Por isso estou aqui. Peço-lhe que me ajude...
RIAN: -Como? Não sei se posso ajudar! Blansh, é cheia de artimanhas.
CONSTANZA: -Tem que ter algo que possamos fazer! Peço que pense em algo, depois lhe procuro.
RIAN: -Não sei. Quero distância daquela pensonhenta!
CONSTANZA: -Peço-lhe por meus patrões... (retira um papel) Aqui está meu telefone, se achar que pode ajudar, me ligue.
RIAN: -Tudo bem...
CONSTANZA: -Bom, agora preciso ir! Tenha uma boa noite.
RIAN: -A senhora também.
CONSTANZA: -Até logo! (sai)
RIAN: -Até!
SEGUNDO ATO
CENA I
BLANSH: -Precisamos conversar.
HIAGO: -Acredito que estejo errada, não temos nada pra conversar.
BLANSH: -Não pense que vai me descartar. não vou deixar que faça den mim um objto inultil depois de ser usado.
HIAGO: -É exatamente isso que você é Blansh.
BLANSH: -vou tornar sua vida um verdadeiro inferno!
HIAGO: -se pensa que me fazendo ameaças vai conseguir me ter ao seu lado. Engano seu.
BLANSH: -Acabo com o seu casamento em dois tempos aponto de não levar a futuro.
HIAGO: -Você vai enxergar a mulherzinha vulgar que você é.
BLANSH: -Vugar mais me quiz na cama.
HIAGO: -Fui reduzido por suas artemanhias.
BLANSH: -Foi porque quiz, não lhe obriguei a nada! Desejou tanto quanto eu.
HIAGO: -Fiz com você o que faria com uma qualquer, uma prostituta. Acha mesmo que entre nós ouve afetividade? Foi apenas sexo! Só isso.
BLANSH: -Mentira!
HIAGO: -Não queria chegar a esse ponto, mas você me obrigou. Você nunca simplificou nada pra mim.
BLANSH: -Prometo, te dou minha palavra que nunca irá me esquecer. Vou fazer parte dos seus mais terríveis pesadelos.
HIAGO: -É apenas isso que você é na mnha da vida, uma assombrassão!
BLANSH: -Não fui nada! Vou tornar sua vida um verdadeiro inferno. Se ama tanto minha irmã por que fazê-la sofrer? Pense nisso meu querido!Pense com carinho... (saí).
CONSTANZA: -A pressão esta forte não é.
HIAGO: -Blansh esta pegando pesado.
CONSTANCIA:-É melhor o senhor abrir o jogo antes...
HIAGO: -Nunca me perdoará.
CONTANCIA:-Se for o senhor a contar, de todos os estragos, o menor.
HIAGO: -Não sei. Meu Deus! Que merda fui fazer? Desculpe-me Constanzia.
CONTANZA:-Esquenta não. É, realmente uma grande merda. Mas, senhor conte a sua esposa. Mostre seu arrependimento, acabe com esta agonia. Quanto mais tempo essa história levar maior será as consequências.
HIAGO: -Tenho medo de perder minha mulher.
CONSTANZA:-Irá perder se continuar a esconder dela a verdade. Conte-a verdade, desmascare esta vádia. Se o senhor não fizer sabe Deus que este monstro vai fazer para destruir seu casamento.
CANA II
BLANSH:-Ida...
AÍDA:-Que foi Blansh?! Por que essa euforia?
BLANSH:-Preciso te contar algo, sei que a principio você vai estranhar e até dúvidar do que vou lhe dizer.
AÍDA:-Assim você me assusta. O que lhe pertuba minha querida?
BLANSH:-Tenho notado que algumas coisas tem sumido de dentro de minhas gavetas.
AÍDA:-Que tipo de coisas?
BLANSH:-Objetos de uso pessoal
AÍDA:-Talves, na hora da limpesa, de arrumar suas coisas, Contanza tenha colocado em outro lugar sendo assim, não estando no local de habito, você esteja com esta difícudade de encontrar. É natural! Por acaso já perguntou a Constanza?
BLANSH:-Porque tenta justificar a tudo? Será que não é óbvio? Estou praticamente lhe dizendo com todas as letras e você faz questão de não entender.
AÍDA:-Isto é grave Blash!
BLANSH:-Mas é real. Sua empregada é uma ladra.
AÍDA: -(Fecha a porta) Fale baixo!
BLANSH:- É bom que escute.
AÍDA:-Você perderá ser processada.
BLANSH:- E se ouver prova?
AÍDA:- Você presenciou alguma coisa?
BLANSH:-Eu ví. Com estes olhos, eu ví! ninguém me contou, eu ví. Ele pegou meu anel, colocou no bolso e saiu cantalorando, como se nada tivesse acontecendo.
AÍDA:-Meu Deus! É difícil de crêr.
BLANSH:-Prefere acredidar que eu, sua irmã, estou criando esta história que lhe parece absurda? Com que intuito? Não tenho motivos para tal. Tudo bem que eu não vou com a cara dessa mulher, sei que nosso santo não se cruzam. Mas incriminar esta mulher de algo que nãofez? Sereia muita maldade! Deixaria de ser quem sou. Você bem me conhece, posso ser crí-crí! Mais inventar? não.
AÍDA:-Deus, estou pasma!
BLANSH:-Quem faz uma, faz mais! E é nessa facilitada que podemos pega-lá no fragla.
AÍDA:-Não sei... Agora me sinto sem ação, sempre confiri tanto na Constanza.
BLANSH:-No seu caso minha irmã, é ver pra crer. Se não for assim jamais você irá acreditar.
AÍDA:-Me sinto tão...
BLANSH:-Tola! Contanza lhe fez de idiota. Mas minha querida, mexeu com a pessoa errada. Mexeu com a minha irmã e mexeu contigo, mexeu comigo! Afinal somos do mesmo sangue. E ninguém tem o direito de lhe fazer de besta.
AÍDA:-E agora? Que farei?
BLANSH:-Deixe comigo. Constanza que me aguarde.
AÍDA:-Que vaí fazer? Não quero à polícia metida nisso.
BLANSH:-Não. Pode deixar! Só vou te mostrar o tamanho da cara de pau dessa mulher. Ah! Não diz nada pro Hiago não. Pelo menos por enquanto.
AÍDA:-Mais Hiago precisa ficar sabendo.
BLANSH: -Não Ida! Homens são muito transparentes. Se contar a Hiago meu plano de flagrar vai por álgua abaixo.
AÍDA: -Tudo bem, por enquantonão direi nada.
BLANSH: -Ótimo!
AÍDA: -Agora tenho que ir... Tenho uma reunião muito importante, a noite conversaremos!
BLANSH: -Tudo bem. Fique tranquila!
AÍDA: -Até mais tarde querida!
BLANSH: -Até!
AÍDA: -Deus!
BLANSH: -Que foi?
AÍDA: -Meus projetos?
BLANSH: -Estão aqui.
AÍDA: -Obrigada.
BLANSH: -Fique tranquila.(abraça) Boa sorte!
AÍDA: -Obrigada.
BLANSH: -Estarei torcendo por você.
AÍDA: -Estes são os primeiros projetos que apresento a está compania, que é de grande porete e, se for aceito será muito bom para mim profissionalmente.
BLANSH: -Já deu certo! Confie. Você é muito talentosa minha querida! (Aída sai) É constanza, seus dias nesta casa estão contados. Pensou que podia comigo? Se ferrou!
CENA IV
(Constanza está saíndo Blansh a interrompe)
CONTANZA: -Boa noite!
BLANSH: -Espere...
AíDA: -Que isso Blansh?
BLANSH: - Que pressa é essa?
AÍDA: -Blansh!
CONSTANZA: -Pois não senhora...
BLANSH: -Mostre a bolsa.
HIAGO: -Que ridículo!
BLANSH: -Sei que estou fazendo.
CONSTANZA: -Não tenho o que esconder!
BLANSH: -Ótimo! (pega a bolsa e despeja) Ora, mas o que é isso? Será uma pulseira?
CONSTANZA: -Mas como...
BLANSH: -É você que tem que nos explicar.
CONSTANZA: -Eu juro...
BLANSH: -Ah, pare! Não me venha com estórinhas... Ida, conhece essa pulseira?
AÍDA: -É minha.
BLANSH: -Não preciso dizer nada. Que faremos? Chamamos a polícia?
CONSTANZA: -Polícia?
AÍDA: -Não.
BLANSH: -Está tudo muito claro!
CONSTANZA: -Senhora eu juro que...
BLANSH: -Lágrimas de crocódilo... Minha irmã não se deixe iludir. Hiago tome uma providência...
HIAGO: -Dona Constanza, vá para casa. Conversarei com Aída e depois lhe chamarei para exclarecer esta situação.
CONSTANZA: -Senhor, sabe que não fiz isso.
HIAGO: -Vá para casa. (Constanza sai)
BLANSH: -É óbvio que está acontecendo aqui!
AÍDA: -Meu Deus! Como é possível?
HIAGO: -Não acredito que...
BLANSH: -Sejamos realista a situação em sí já diz tudo. Minha irmã, mesmo que não queira acionar à policia, esta mulher não pode continuar aqui.
AÍDA: -Devido as evidências, Blansh tem razão!
BLANSH: -Não há como negar. É fato. Não mas uma suspeita! Essa mulher deve ser demitida imediatamente.
AÍDA: -Hiago, Blansh tem razão. Apartir de amanhã Constanza não deve mas prestar serviço nesta casa. Conlicença! (sai)
HIAGO: -Que pretende com isso?
BLANSH: -Eu? Não fiz nada! (sai)
HIAGO: -Peste!
CENAS IV
AÍDA:-Constanza?!
CONSTANZA:-Posso entrar?
AÍDA:-Claro! Por favor.
CONSTANZA:-Obrigada!
AÍDA:-Sinto muito.
CONSTANZA:-Não sinta. Você não é culpada pelo o que aconteceu.
AÍDA:-Me sinto uma ídiota.
CONSTANZA:-Não minha querida, você não é ídiota. Não deve se sentir culpada.Se existe algum culpado nesta história toda, eu sou a verdadeira culpada. Menti. O tempo todo menti.
AÍDA:-A verdade já apareceu e você não precisa mais se sentir assim.
CONSTANZA:-Fui culpada. Omissa!
AÍDA:-Não tem culpa da falta de carater de minha irmã.
CONSTANZA:-A história e bem mais complicada do que imagina minha querida.
AÍDA:-Do que a senhora esta falando?
CONSTANZA:-Posso sentar?
AÍDA:-Claro!
CONSTANZA:-Peço que não me odeie.
AÍDA:-E por que lhe odiaria?
CONSTANZA:-Por minha fraquesa. Fui fraca...
AÍDA:-Como assim fraca?
CONSTANZA:-No passado me envolvi com um homem, bonito, educado, rico. Tudo que me parecia impossível. Vinha de uma família modesta, meu pai um bebado, inútil. Minha mãe uma lavadeira, mãe de sete filhos, eu era mas velha, a que cuidava da casa, das crianças e a que tinha a plena conciência do sofrimento da família. Mas derrepente, o impussível aconteceu! Aquele moço uns quinze anos mais velho que eu, bonito, cobiçado, inteligente e rico, olhou para mim. E foi uma paixão arrebatante! Depositei nas mãos daquele homem toda minha inocência de menina, ele me fez conhecer o amor, o prazer e reacendeu em mim a esperança, a esperança por uma vida melhor, digna e feliz. Existia muitas coisas que aquela nova mulher desconhecia, mais eu estava tão apaixonada que não queria saber, nada mais me interessava, não me importava com o que diziam ao meu respeito e aos sinais. Pouco a pouco o conto de fadas foi chegando ao fim e aquele belo príncipe foi se afastando, enfim sumiu. Foí nesta época que descobri que que já não estava mais sozinha, dentro de mim, em meu ventre havia outra vida, eu gerava uma criança fruto daquele amor tão lindo, e não queria acreditar que aquele homem propositalmente havia sumido e sim que algo havia acontecido de grave para que o fizesse sumir.Fui tola, burra! Acreditei nas juras de amor por ele feitas a mim. Minha mãe desconfiada do meu estado resolveu investigar, ír em busca dele. Então descobrimos toda verdade.
AÍDA:-Casado?
CONSTANZA:-É. Casado aparentimente feliz e pai de uma menina de seis anos.
AÍDA:-Meu Deus! Então você foi aquela mulher que infernzou a vida da minha mãe...
CONSTANZA:-Não! Eu quis abortar a criança mas seu pai não deixou, me pediu para gerar o bebê até o fim da gestação e depois lhe entregar que ele cuidaria da criança junto com sua esposa.
AÍDA:-Fez tudo planejado por dinheiro.
CONSTANZA:-Juro que não. Amava seu pai mais que tudo.
AÍDA:-Mentira. Que amor é esse, que abre mão do seu próprio filho?
CONSTANZA:-Abri mão sim, e Deus sabe o quanto isto me custou! Fiz isso por amor.
AÍDA:-Abandona uma criança e diz que fez por amor?
CONTANZA:-Sim por amor. Que vida esta criança teria ao meu lado, junto com um avô bebado, uma avó lavadeira e doente com mais sete filhos privados de tudo até mesmo das coisas mais básicas? Você não sabe o que é passar fome dia após dia.
AÍDA:-O mínimo que uma criança necessita é de amor.
CONSTANZA:-Amor não enche barriga , na hora da fome é impossível se lembrar o que é amor. Sei que fiz o melhor que pude. Foi pensando no bem desta criança que entreguei a seu pai.
AÍDA:-Foí apartir daí que minha mãe começou a sentir aquelas coisas.
CONSTANZA:-Não. Sua mãe ja era doente.
AÍDA:-Não! Morreu de desgosto. E por que você veio pra minha casa?
CONSTANZA:-Pra fica mais próximo da minha filha. Queria está mais perto. Vê-la nem que fosse de longe.
AÍDA:-Sua presença trouxe má sorte à minha família. Só nos trouxe desgraças.
CONSTANZA:-Não fale assim Aída, por favor.
AÍDA:-Saia da minha casa. Sua vingança a minha família já foi concluída.
CONSTANZA:-Nunca quis me vingar tudo isso foi uma fatalidade.
AÍDA:-Fatalidades podem ser evitadas. Por favor saia.
CONSTANZA:-Sinto muito! Acredite se pudesse escolher você seria minha filha e não Blansh.(SAI)
CENA V
HIAGO:-O que faz aquí?
BLANSH:-Precisamos conversar.
HIAGO:-Não temos mais nada a conversar.
BLANSH:-Por que me trata dessa forma? Meu amor, será que não percebe que eu sou a mulher da tua vida?
HIAGO:-Você acabou com a minha vida.
BLANSH:-Não! Isso não é verdade. Mostrei pra você que sou a única que te ama.
HIAGO:-Chama isso de amor?
BLANSH:-Amor sim, amor! É issoque sinto por você, e sou capaz de tudo por você.
HIAGO:-Isso não é amor é doença.
BLANSH:-Doença?
HIAGO:-Você esta doente. Precisa se tratar.
BLANSH:-Eu sou doente! E ela sã. Se ela te amasse como dizia amar não te viraria as costas, estaria ao seu lado, acreditaria em você.
HIAGO:-Blansh, não te amo, não quero nada com você, tudo não passou de uma aventura. Você foi pra mim só uma transa e nada mais.
BLANSH:-Não! Isso não é verdade. Você gastou dos momentos que passamos juntos.
HIAGO:-Sexo! Só sexo.
BLANSH:-Isso não vai ficar assim ouviu? Você vai assumir nosso caso. Esculta o que eu vou lhe dizer, se não for meu, não será de mais ninguém.
HIAGO:-Fora daqui! Fora! Sua louca.
BLANSH:-De mais ninguém!
(BLANSH ENTRA CONSTANZA ESTA NA SALA DE COSTAS P/ PORTA, SEGURA UM TERÇO)
BLANSH:-O que faz aqui sua velha como conseguiu entrar?
CONSTANZA:-O porteiro me emprestou uma cópia da chave.
BLANSH:-Que atrevimento. Saia daquí.
CONSTANZA:-Não antes de lhe dizer tudo que vim falar.
BLANSH:-Pirou? Enlouqueceu? Mas essa agora? Acha mesmo que tenho algo para ouvir, ainda mais de você?
CONSTANZA:-Ah tem! Tem sim. Dona Silvia não era tua mãe.
BLANSH: -Que isso agora? Pirou de vez, sua velha maluca?
CONSTANZA:-Quizera está louca Blansh.
BLANSH:-Que história louca é essa?
CONSTANZA:-É isso mesmo que você ouviu.
BLANSH:-Eu fui ao enterro da minha mãe, sei que era muito pequena, mas lembro dela morta, eu vi papai enterrar minha mãe, estavamos todos lá. E agora vem você sua louca dizer que aquela mulher não era minha mãe.
CONTANZA:-Não, não era. você é só meia irmã da Aída. Você é fruto da infidelidade do Alberto.
BLANSH:-Não!
CONSTANZA:-Aída sempre soube disso.
BLANSH:-Meu Deus! Sempre acreditei que eramos irmãs biológicas de pai e mãe. Mais por que me esconderam isto?
CONTANZA:-Porque de certa forma lhe tinham como se fosse filha de ambos.
BLANSH:-E minha mãe? Como sabe disso tudo?
CONSTANZA:-Eu sou sua mãe.
BLANSH:-Não. Não pode ser! Seria um castigo enorme, Deus não seria tão injusto.
CONSTANZA:-Injusto ou não, sou sua mãe.
BLANSH:-Nunca.
CONSTANZA:-Queira você ou não sou sua mãe.
BLANSH:-Dane-se! Quero que desaparessa e não me interessa nada sobre você. Esculta aqui sua velha rabugenta, pra mim você vai sempre ser uma empregadinha, pobre e fedida. Minha mãe está morta. Morta! Ouviu.
CONSTANZA:-Você já perdeu a irmã, o homem que diz amar...
BLANSH:-Eu o amo, disso não tenha dúvidas e por ele sou capaz de fazer qualquer coisa.
CONSTANZA:-Sei que sim. Mais nessa história só você será prejudicada. Hiago nunca será seu.
BLANSH:-Cale-se!
CONSTANZA:-Você terminara sem sua irmã, sem o homem que ama...
BLANSH:-Cale-se! O que você quer de mim?
CONSTANZA:-Seu afeto.
BLANSH:-Nunca.
CONTANZA:-Que me reconheça como mãe.
BLANSH:-Pirou? Isso nunca será possível.
CONSTANZA:-Então você perderá tudo, até a herança que seu pai deixou.
BLANSH:-(RIR) Isso não é possível. Sou filha legitima dele e ele me registrou ou seja me reconheceu como filha.
CONSTANZA:-Menti pro seu pai.
BLANSH:-Mentira você quer me enlouquecer.
CONTANZA:-Se eu abri a boca o testamento será anulado e você ficará na desgraça.
BLANSH:-Sua vaca inúltil.
CONTANZA:-Só quero o seu carinho.
BLANSH:-Vaí pro inferno te odeio! Te odeio.
CONSTANZA:-Pense minha querida. Minha felicidade será a sua.
BLANSH:-Aposto que inventou tudo isso.
CONSTANZA:-Posso sugerir a Dona Aída a pedir judicialmente o teste de DNA. Vou lhe dar uma semana para pensar. Adeus minha filha.
BLANSH:-Mais essa! Essa velha fedida não perde por esperar.
(AÍDA ABRE A PORTA HIAGO ESTA A SUA FRENTE)
CENA VI
AÍDA:-O que você quer?
HIAGO:-Conversar.
AÍDA:-Não temos mais nada para conversar.
HIAGO:-Claro que temos afinal temos uma vida juntos.
AÍDA:-Tivemos. É passado. E não temos mais. Você fez a sua escolha
HIAGO:-Não. Se pudesse escolher teria escolhido você.
AÍDA:-Apartir do momento que você resolveu deitar com a vagabunda daquela que se diz minha irmã, você fez sua escolha!
HIAGO:-Fui seduzido.
AÍDA:-Não! Se deixou seduzir. Você não fez nada a força, ninguém lhe forçou a nada. Foi porque quiz, por ser tão cínico e sem caráter quanto ela.
HIAGO:-Fuí fraco!
AÍDA:-Sinto muito por você. Vai ter que conviver com sua fraqueza.
HIAGO:-Me perdoa.
AÍDA:-Infelismente esse é um dom que eu não tenho.
HIAGO:-Vamos recomeçar.
AÍDA:- Nunca. É impussível recomeçar! A vida continua e o passado nos persegue. Nem se eu fosse louca me esqueceria dessa sujeira toda.
HIAGO:-Blansh foí só uma aventura. Só isso!
AÍDA:-Você não presta mesmo. Não tem dignidade. O que sinto por você é nojo! Como você é pequeno, insignificante.
HIAGO:-Se você disser que não mais me ama, eu, saio por essa porta e nunca mais lhe procuro.
AÍDA:-Não use a palavra amor. Você não sabe o significado da palavra amor. É indigno de ser amado. Tenho nojo, ódio de você. Hiago, você é sórdido, pequeno. A única coisa que espero de você é que tenha um mínimo de respeito e amor próprio, que pegue seus pertences, coloque os rabos entre as pernas e saia da minha frente. Há! Quanto a nossos bens não se preocupe meu querido, meu advogado está cuidando da partilha, você terá tudo aquilo que de direito é seu.
HIAGO:-Não faço questão de nada. A única coisa que me interessa é você.
AÍDA:-Acabou Hiago, acabou!
HIAGO:-Não diz isso meu bem.
AÍDA:-Acabou.
HIAGO:-Você não quer pensar mais.
AÍDA:-Já está tudo pensado. Acabou!
HIAGO:-Estraguei tudo, né?
AÍDA:-É, estragou! E não tem mais volta.
HIAGO:-Você pede para entregarem minhas coisas.
AÍDA:-Claro. Vou pegar uma folha pra você anotar o endereço.
HIAGO:-Pronto!
AÍDA:-Amanhã mesmo você estará recebendo suas coisas.
HIAGO:-Aída...
AÍDA:-Chega Hiago! Não precisa dizer mais nada, Acabou! Segue tua vida que eu vou seguir a minha, de cabeça erguida. (ele saí e ela chora).
CENA VII
(ACENDE AS LUZES HIAGO ENTRA BLANSH ESTA NA SALA)
HIAGO:-O que faz aqui? Quer me enlouquecer, é?
BLNSH:-Não. Vim conversar.
HIAGO:-Chega. saí daqui. Sua vádia, já conseguiu o que queria.
BLNSH:-Não. Sabe bem o que quero. Quero você. Meu amor.
HIAGO:-Cala essa boca ou eu esgano você.
BLNSH:-Não Hiago não faz isso.(poe a mão protegendo a barriga). Estou esperando um filho teu.
HIAGO:-O quê?
BLNSH:-Você vaí ser papai.
HIAGO:-Nunca.
BLANSH:-Ela nunca poderá te dar um filho, eu posso! O que tenho aquí é fruto do nosso amor.
HIAGO:-Nunca. Você terá um filho meu sua vagabunda. Planejou tudo vou acabar com você.(parti para cima dela).
BLNSH:-Não! Você não vaí machucar meu filho.(puxa uma arma de dentro da bolsa). Fique longe de mim.
HIAGO:-Blansh, você está louca. Para com isso, abaixa essa arma.
BLNSH:-O que foí? Se acorvardou meu bem? Sinto muito meu amor, mas se não pode ser meu, não será de mais ninguém.
HIAGO:-Não puxe esse gatilho. Será que não percebe que vaí destruir sua vida.
BLNSH:-Minha vida já foí destruida, ninguém me ama. Minha mãe me abandonou, me entregou pra uma estranha, minha única irmã me odeia e o homem a quem amo prefere me ver morta do que está a meu lado, então o que me resta se a solidão.
HIAGO:-Abaixe essa arma.
BLNSH:-Posso declarar insanidade. Mas você, vai ficar a sete palmos a baixo da terra.(ele parte para cima dela. Blansh atira).
HIAGO:-Não! (grita)
BLNSH:-Não! Hiago?! Meu amor! Meu único amor! Não! Não!Não!(ele agoniza e morre nos braços de Blansh, ela o beija). Te vejo na eternidade.
(entra dois policiais)
POLÍCIAL I:-Mão ao alto.
POLÍCIAL II:-Não se mova (Pega a arma no no chão)
POLÍCIAL I:-Levante-se devagar.
BLANSH:-Ele tentou matar meu filho.(mão na barriga)
POLÍCIAL II:-Terá muito tempo para se explicar.
POLÍCIAL I:-A senhora está presa.
BLANSH:-Só defendí meu filho.
POLÍCIAL II:-(Algema) Tem o direito de permanecer calada ou tudo que disser será usado contra a senhora em seu julgamento, também tem direito a um advogado ( A luz vaí se abaixando aos poucos)
BLANSH: -Juro que não queria! Eu o amava...

FIM

peça escrita em 2005

MEL LISBOA AGITA SÃO PAULO COM O MUSICAL "RITA LEE, UMA BIOGRAFIA MUSICAL".

O espetáculo "Rita Lee, uma autobiografia musical" (estrelado por Mel Lisboa), i nspirado no livro autobiográfico de R...