fevereiro 02, 2011

O PEQUENO ENGRAXATE (Texto de Teatro)

O PEQUENO ENGRAXATE
De: Marcondys França

Personagens: Elenco:
Silvia ..................................................................Neide Lins
Paulão.........................................................Marcondys França
Marimba..............................................................Ivan Dellon
Gustavo........................................................Marcondys França

Primeiro ato
Cenário: Barraco num morro carioca, Silvia entra com uma trouxa de roupas na cabeça.

Silvia: -Marimba!... Marimba?!...Vem cá moleque.
Marimba:( Entra com uma pipa ) -Tá chamando mãe?!
Silvia: -Tá surdo moleque? Mais que isso? Olha que imundísse! Já pro banho.
Anda logo menino, se aveche, viu?
Marimba: -Por que?!
Silvia: -Você vai levar esta lavagem na casa da dona conceição.
Marimba: -Ah, mãe! Tô cansado.
Silvia: -E eu Não?!
Marimba: -Cheguei qualse agora da Central.
Silvia: -Eu sei meu filho. Mas faz isso pra tua mãe... Você sabe que não podemos contar com o traste do teu pai pra nada. Filho, só posso contar com você!
Marimba: -Tá bom mãe! Tá bom, vai...
Silvia: -Eu seio filho, mamãe entende. Seio que você leva uma vida muito sacrificada, queria que fosse diferente, que você tivesse uma vida melhor, mas nossa realidade é bem diferente da que desejamos, e é por isso que temos de lutar, por nossa sobrevivência e por uma vida melhor, por um futuro mais decente pra você.
Marimba: -Se depender de mim... Eu posso até sair mais cedo e voltar mais tarde...
Silvia: -Você já faz demais filho... Me corta o coração vê você descer este morro com essa caixa nas costa... Me sinto triste por não poder te dar uma vida melhor, uma casa bonita, confortável... comida boa, roupas novas e bacanas, uma escola onde você pudesse ser importante, igual aos filhos dessas gente rica de nariz empinado...
Marimba: -Deus me livre, isso é coisa de boiola!
Silvia: -Que nada! Diz que você não queria ter assim um monte de brinquedos...
Marimba: -Um vídeo game!...
Silvia: -É... Eu gostaria de ter condições de te dá tudo isso, mas não posso!
Marimba: -Mãe eu posso não Ter tudo isso que a senhora falou, mas eu tenho você e ter você já é ter tudo!
Silvia: - Ah filho! ( abraça )
Marimba: -Prepara a roupa que eu levo.
Silvia: -Vá filho toma teu banho! ( Ele sai )
( Entra Paulão com uma garrafa de pinga )
Paulão: -Olhaqui miguinha, você fica aqui bem quetinha viu?! Ô mais não faz barulho se não ela te vê e aí o bicho pega, ouviu? Ó... eu volto já, fica aí! Não sai daí. Escuta, Cá entre nois dois, ela morre de ciúme de você, é... Você rir?! É sério. Verdade, verdadeira... Eu juro! Ciúmes de você, onde já se viu, é mole ou quer mais? Fica aí. ( entra ) - Onde está minha neguinha ?!
Silvia: Te afasta de mim Paulão...
Paulão: -Ô neguinha o que é?! Eu, eu tô crente que vou chegar em casa e te encontrar preparada par um cut-cut maneiro,... o que encontro? Umas geladeira!
Silvia: -Antes tivesse naiscido uma geladeira, quem sabe sofreria menos.
Paulão: -Num começa com a ladainha...
Silvia: -Pensei que ia morar no botequim do gordo!
Paulão: -Ô meu São Jorge guerreiro, Lá vem...
Silvia: -Lá vem o quê? Enquanto você vem com essa porcaria dessas micharias de biscaites e enche o rabo do gordo lá no boteco dele, enchendo a cara de cachaça falta tudo aqui.
Paulão: -Paciência mulher, paciência!
Silvia: -Paciência tem limite e a minha está chegando ao fim.
Paulão: O que você tá querendo dizer?
Silvia: -Que estou farta! É isso que quero dizer.
Paulão: -Vai par zona é?
Silvia: -É quem sabe se no Bola Branca ou até mesmo na praça quinze eu sou mais valorizada do aqui!
Paulão: -Vai, vai mas não volte nunca mais. Por que se voltar eu te mato, ouviu? ( segura com violência )
Silvia: -Por que será que todo cu de cana é macho, é valente, mas só em casa. Bando de covardes só batem em mulheres...
Paulão: -Por que as mulheres são atrevidas! Enchem o saco, nossa paciência. Tô com fome, bota comida...
Silvia: -Tá com fome é?
Paulão: -Que pergunta mais idiota! Claro que tô.
Silvia: -Come o prato Paulão!
Paulão: -Num provoca mulhê , tô com a peste no coro.
Silvia: -Tá é com cachaça no quengo...
Paulão: -Num tô legal!
Silvia: -Quem Não está nada legal sou eu...
Paulão: -Dias melhor vem aí mulhê, esquenta a cabeça não. Amanha um novo dia!
Silvia: -Só se for pra você. Par mim vai ser mais um dia como os outros. Vou acordar cedo lavar e passar roupas dos outros, depois vou descer o morro pra fazer fachina nas casa das madames, enquanto meu marido enche a cara...
Paulão: -Pode parar... ( Entra Marimba ) Já disse dias melhor virão...
Silvia: -Ah, é?! Por que vai ganhar no bicho é?
Paulão: -Taí, uma boa idéia! Quem sabe?!
Silvia: -Se ao invés de beber jogasse, quem sabe?!
Paulão: -Pode parar...
Marimba: -Mãe o que é a mistura?
Silvia: -A de sempre. Disco voador, zoião...
Marimba: -Ovo de novo?!
Silvia: -E dê graças á Deus, pelo menos temos ovo, do jeito que as coisas estão indo se melhorá estraga... ( liga o radinho fla x flu ) pra muitos ovo frito é banquete...
Paulão: -Cala boca moleque, não tá vendo que eu tô ouvindo o rádio?!
Marimba: -Eu nem abrí a boca, num disse nada!
Paulão: -Nem é pra falar, tua voz me irrita.
Silvia: -É um cavalo mesmo, ignorante, estúpido, trata o filho feito cachorro! ( resmunga) Pobre do meu filho, sai de madrugada morro a baixo, com aquela caixa de engraxar nas costas, par arrumar uns trocados, me ajudar, se hoje tem ovo e arroz, foi graças a ele viu...
Paulão: -Você acha que eu tenho culpa não é? Acha que sou culpado pra essa merda de vida ( a segura com violência ).
Silvia: -Me solta... Você está me machucano paulão!
Paulão: -É você acha que eu tenho culpa por essa porcaria de vida.
Marimba: -Por favor não briguem...
Paulão: -Cala boca seu mariquinha!
Silvia: -Ele é mais homem que você, pelo menos tem respossabilidade!
Paulão: -Sua vaca vadia...
Silvia: -Vem me bater, tu não é macho... ( pega a frigideira ) me bate eu dou parte de você na polícia seu porco maldito....
Marimba: -Não pai...
Paulão: ( Tira o cinto ) vai dá parte de mim sua vagabunda?!
Silvia: -Encosta em mim seu bebado infeliz...
Marimba: -Para mãe...
Paulão: -Sua piranha... ( torce o braço dela )
Marimba: -Solta minha mãe.
Paulão: -Seu filho da puta... ( Empurra o menino e parte para bater nele )
Silvia: -No meu filho não...
Paulão: -Ah é assim?!
Marimba: -Solta minha mãe!
Paulão: -Sai daqui moleque.
Marimba: -Socorro! Socorro!
Silvia: -Me solta seu monstro, vagabundo, você está me machucando!
Paulão : -( mobilizando ) Você que pediu!
Marimba: - (Parte para cima dele ) Nããããããão!!!!!
Paulão: -Sai da frente moleque! ( Empurra )
( Marimba caído ao chão ouve os gritos da mãe )

Segundo ato

( Central do Brasil )
Marimba: -Graxa aí moço?! Aí tio, graxa?! Toco sambinha maneiro, com a flanela!
Gustavo: -Não filho, obrigado! ( Lendo jornal )
Marimba: -Aí tio, engraxa aí vai, só pra me ajudar.
Gustavo: -Não filho obrigado!
Marimba: -Então escova aí vai. Só pra descolar meu café.
Gustavo: -Será possível?! Estou tentando lê... Será que nem ao menos podemos, ou temos o direito de ler nosso jornal em paz? Você me dá licença ou preciso chamar á polícia?
Marimba: -Chamar a polícia? As pessoas nos trata como: pivete, moleque, marginal... É como que se torcessem pra que chegamos a este ponto. Estou aqui com essa caixa de engraxar tentando ganhar a vida honestamente para ajudar minha mãe a sustentar a casa. E me vem o senhor me dizer que vai chamar a polícia como se eu fosse um bandido?! Olha tio se um dia o senhor me encontrar batendo carteira, fique sabendo que o senhor também contribuiu com isto. Agora me diga que culpa tenho eu de ter nascido pobre, tenho culpa se meus pais não são ricos? Olha tio, a única escola que eu conheço é a escola da vida... Está que começa as quatro da matina e termina as dez da noite.
Gustavo: -Menino... Espere. Acho que mudei de idéia... Meus sapatos estão meio empuerados...
Marimba: ( agacha )
Gustavo: -Capricha!
Marimba: -Sim senhor.
Gustavo: -O que seu pais fazem?
Marimba: -Por que quer saber?
Gustavo: -Você me parece transtornado...
Marimba: ( Guarda o material )
Gustavo: -Ei?! Que foi?
Marimba: -Pensa que sou bobo? Já saquei, o senhor pensa que não tenho pais e quer me levar para FUNABEM.
Gustavo: Não. Acredite! Só quero conversar.
Marimba: -Preciso trabalhar...
Gustavo: -Eu quero ajudar...
Marimba: -Não pode me ajudar.
Gustavo: -Como sabe?
Marimba: -Por que me ajudaria?
Gustavo: -Por que fiz um julgamento precipitado, quem sabe? Você disse que estava com fome.
Marimba: -Não menti.
Gustavo: -Me dá uma chance... Quem sabe posso ajudá-lo?!
Marimba: -Preciso trabalhar, minha mãe precisa de mim.
Gustavo: -E seu pai?
Marimba: -Não tenho.
Gustavo: -E sua mãe, o que faz?
Marimba: -Lava roupas pra fora e faz diárias em casa de família.
Gustavo: -Me desculpe por minha incompreensão. As vezes a vida nos impede de enchergar a realidade que está bem na frente do nosso nariz, nos fazendo assim agir de maneira grotesca e egoísta. Mas você me parece um bom menino. Um garoto de fibra e de muita coragem. Admiro esta qualidade nas pessoas. Como se chama?
Marimba: -Marimba, quero dizer Paulo, só que todos me conhecem como Marimba!
Gustavo: -Marimba( Rir ) é um apelidio curioso.
Marimba: -Os moleques me colocaram esse apelídio por que eu gostava de soltar pipa e cruzar marimba...
Gustavo: -Interessante. Você gostaria de deixar de engraxar sapatos?
Marimba: -Não posso, minha mãe precisa de mim.
Gustavo: -Se você estudasse...
Marimba: -Passaríamos fome. Ainda mais com o bebado...
Gustavo: -Bebado...
Marimba: -... do meu pai que só faz maltratar agente...
Gustavo: -Poderia ajudar...
Marimba: -Não vejo como.
Gustavo: -Sou advogado...
Marimba: -E daí?
Gustavo: -Também tenho um supermercado e poderia dar emprego a sua mãe e quem sabe seu pai...
Marimba: -Não, ele só estragaria tudo.
Gustavo: -As vezes as pessoas só precisam de uma chance. Quem sabe esse não é o caso do seu pai?
Marimba: -Não sei, não.
Gustavo: -Você me apresenta a seus pais e veremos o que podemos fazer. Certo?
Marimba: - (pensativo) Certo!
Gustavo: -Estou lhe dando uma chance, agora só depende de você...
Marimba: -Não vou lhe decepcionar.
Gustavo: -Amigos? (estende a mão)
Marimba: -Amigos! (aperta firme)

F I M

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O PEQUENO ENGRAXATE (Texto de Teatro)

O PEQUENO ENGRAXATE
De: Marcondys França

Personagens: Elenco:
Silvia ..................................................................Neide Lins
Paulão.........................................................Marcondys França
Marimba..............................................................Ivan Dellon
Gustavo........................................................Marcondys França

Primeiro ato
Cenário: Barraco num morro carioca, Silvia entra com uma trouxa de roupas na cabeça.

Silvia: -Marimba!... Marimba?!...Vem cá moleque.
Marimba:( Entra com uma pipa ) -Tá chamando mãe?!
Silvia: -Tá surdo moleque? Mais que isso? Olha que imundísse! Já pro banho.
Anda logo menino, se aveche, viu?
Marimba: -Por que?!
Silvia: -Você vai levar esta lavagem na casa da dona conceição.
Marimba: -Ah, mãe! Tô cansado.
Silvia: -E eu Não?!
Marimba: -Cheguei qualse agora da Central.
Silvia: -Eu sei meu filho. Mas faz isso pra tua mãe... Você sabe que não podemos contar com o traste do teu pai pra nada. Filho, só posso contar com você!
Marimba: -Tá bom mãe! Tá bom, vai...
Silvia: -Eu seio filho, mamãe entende. Seio que você leva uma vida muito sacrificada, queria que fosse diferente, que você tivesse uma vida melhor, mas nossa realidade é bem diferente da que desejamos, e é por isso que temos de lutar, por nossa sobrevivência e por uma vida melhor, por um futuro mais decente pra você.
Marimba: -Se depender de mim... Eu posso até sair mais cedo e voltar mais tarde...
Silvia: -Você já faz demais filho... Me corta o coração vê você descer este morro com essa caixa nas costa... Me sinto triste por não poder te dar uma vida melhor, uma casa bonita, confortável... comida boa, roupas novas e bacanas, uma escola onde você pudesse ser importante, igual aos filhos dessas gente rica de nariz empinado...
Marimba: -Deus me livre, isso é coisa de boiola!
Silvia: -Que nada! Diz que você não queria ter assim um monte de brinquedos...
Marimba: -Um vídeo game!...
Silvia: -É... Eu gostaria de ter condições de te dá tudo isso, mas não posso!
Marimba: -Mãe eu posso não Ter tudo isso que a senhora falou, mas eu tenho você e ter você já é ter tudo!
Silvia: - Ah filho! ( abraça )
Marimba: -Prepara a roupa que eu levo.
Silvia: -Vá filho toma teu banho! ( Ele sai )
( Entra Paulão com uma garrafa de pinga )
Paulão: -Olhaqui miguinha, você fica aqui bem quetinha viu?! Ô mais não faz barulho se não ela te vê e aí o bicho pega, ouviu? Ó... eu volto já, fica aí! Não sai daí. Escuta, Cá entre nois dois, ela morre de ciúme de você, é... Você rir?! É sério. Verdade, verdadeira... Eu juro! Ciúmes de você, onde já se viu, é mole ou quer mais? Fica aí. ( entra ) - Onde está minha neguinha ?!
Silvia: Te afasta de mim Paulão...
Paulão: -Ô neguinha o que é?! Eu, eu tô crente que vou chegar em casa e te encontrar preparada par um cut-cut maneiro,... o que encontro? Umas geladeira!
Silvia: -Antes tivesse naiscido uma geladeira, quem sabe sofreria menos.
Paulão: -Num começa com a ladainha...
Silvia: -Pensei que ia morar no botequim do gordo!
Paulão: -Ô meu São Jorge guerreiro, Lá vem...
Silvia: -Lá vem o quê? Enquanto você vem com essa porcaria dessas micharias de biscaites e enche o rabo do gordo lá no boteco dele, enchendo a cara de cachaça falta tudo aqui.
Paulão: -Paciência mulher, paciência!
Silvia: -Paciência tem limite e a minha está chegando ao fim.
Paulão: O que você tá querendo dizer?
Silvia: -Que estou farta! É isso que quero dizer.
Paulão: -Vai par zona é?
Silvia: -É quem sabe se no Bola Branca ou até mesmo na praça quinze eu sou mais valorizada do aqui!
Paulão: -Vai, vai mas não volte nunca mais. Por que se voltar eu te mato, ouviu? ( segura com violência )
Silvia: -Por que será que todo cu de cana é macho, é valente, mas só em casa. Bando de covardes só batem em mulheres...
Paulão: -Por que as mulheres são atrevidas! Enchem o saco, nossa paciência. Tô com fome, bota comida...
Silvia: -Tá com fome é?
Paulão: -Que pergunta mais idiota! Claro que tô.
Silvia: -Come o prato Paulão!
Paulão: -Num provoca mulhê , tô com a peste no coro.
Silvia: -Tá é com cachaça no quengo...
Paulão: -Num tô legal!
Silvia: -Quem Não está nada legal sou eu...
Paulão: -Dias melhor vem aí mulhê, esquenta a cabeça não. Amanha um novo dia!
Silvia: -Só se for pra você. Par mim vai ser mais um dia como os outros. Vou acordar cedo lavar e passar roupas dos outros, depois vou descer o morro pra fazer fachina nas casa das madames, enquanto meu marido enche a cara...
Paulão: -Pode parar... ( Entra Marimba ) Já disse dias melhor virão...
Silvia: -Ah, é?! Por que vai ganhar no bicho é?
Paulão: -Taí, uma boa idéia! Quem sabe?!
Silvia: -Se ao invés de beber jogasse, quem sabe?!
Paulão: -Pode parar...
Marimba: -Mãe o que é a mistura?
Silvia: -A de sempre. Disco voador, zoião...
Marimba: -Ovo de novo?!
Silvia: -E dê graças á Deus, pelo menos temos ovo, do jeito que as coisas estão indo se melhorá estraga... ( liga o radinho fla x flu ) pra muitos ovo frito é banquete...
Paulão: -Cala boca moleque, não tá vendo que eu tô ouvindo o rádio?!
Marimba: -Eu nem abrí a boca, num disse nada!
Paulão: -Nem é pra falar, tua voz me irrita.
Silvia: -É um cavalo mesmo, ignorante, estúpido, trata o filho feito cachorro! ( resmunga) Pobre do meu filho, sai de madrugada morro a baixo, com aquela caixa de engraxar nas costas, par arrumar uns trocados, me ajudar, se hoje tem ovo e arroz, foi graças a ele viu...
Paulão: -Você acha que eu tenho culpa não é? Acha que sou culpado pra essa merda de vida ( a segura com violência ).
Silvia: -Me solta... Você está me machucano paulão!
Paulão: -É você acha que eu tenho culpa por essa porcaria de vida.
Marimba: -Por favor não briguem...
Paulão: -Cala boca seu mariquinha!
Silvia: -Ele é mais homem que você, pelo menos tem respossabilidade!
Paulão: -Sua vaca vadia...
Silvia: -Vem me bater, tu não é macho... ( pega a frigideira ) me bate eu dou parte de você na polícia seu porco maldito....
Marimba: -Não pai...
Paulão: ( Tira o cinto ) vai dá parte de mim sua vagabunda?!
Silvia: -Encosta em mim seu bebado infeliz...
Marimba: -Para mãe...
Paulão: -Sua piranha... ( torce o braço dela )
Marimba: -Solta minha mãe.
Paulão: -Seu filho da puta... ( Empurra o menino e parte para bater nele )
Silvia: -No meu filho não...
Paulão: -Ah é assim?!
Marimba: -Solta minha mãe!
Paulão: -Sai daqui moleque.
Marimba: -Socorro! Socorro!
Silvia: -Me solta seu monstro, vagabundo, você está me machucando!
Paulão : -( mobilizando ) Você que pediu!
Marimba: - (Parte para cima dele ) Nããããããão!!!!!
Paulão: -Sai da frente moleque! ( Empurra )
( Marimba caído ao chão ouve os gritos da mãe )

Segundo ato

( Central do Brasil )
Marimba: -Graxa aí moço?! Aí tio, graxa?! Toco sambinha maneiro, com a flanela!
Gustavo: -Não filho, obrigado! ( Lendo jornal )
Marimba: -Aí tio, engraxa aí vai, só pra me ajudar.
Gustavo: -Não filho obrigado!
Marimba: -Então escova aí vai. Só pra descolar meu café.
Gustavo: -Será possível?! Estou tentando lê... Será que nem ao menos podemos, ou temos o direito de ler nosso jornal em paz? Você me dá licença ou preciso chamar á polícia?
Marimba: -Chamar a polícia? As pessoas nos trata como: pivete, moleque, marginal... É como que se torcessem pra que chegamos a este ponto. Estou aqui com essa caixa de engraxar tentando ganhar a vida honestamente para ajudar minha mãe a sustentar a casa. E me vem o senhor me dizer que vai chamar a polícia como se eu fosse um bandido?! Olha tio se um dia o senhor me encontrar batendo carteira, fique sabendo que o senhor também contribuiu com isto. Agora me diga que culpa tenho eu de ter nascido pobre, tenho culpa se meus pais não são ricos? Olha tio, a única escola que eu conheço é a escola da vida... Está que começa as quatro da matina e termina as dez da noite.
Gustavo: -Menino... Espere. Acho que mudei de idéia... Meus sapatos estão meio empuerados...
Marimba: ( agacha )
Gustavo: -Capricha!
Marimba: -Sim senhor.
Gustavo: -O que seu pais fazem?
Marimba: -Por que quer saber?
Gustavo: -Você me parece transtornado...
Marimba: ( Guarda o material )
Gustavo: -Ei?! Que foi?
Marimba: -Pensa que sou bobo? Já saquei, o senhor pensa que não tenho pais e quer me levar para FUNABEM.
Gustavo: Não. Acredite! Só quero conversar.
Marimba: -Preciso trabalhar...
Gustavo: -Eu quero ajudar...
Marimba: -Não pode me ajudar.
Gustavo: -Como sabe?
Marimba: -Por que me ajudaria?
Gustavo: -Por que fiz um julgamento precipitado, quem sabe? Você disse que estava com fome.
Marimba: -Não menti.
Gustavo: -Me dá uma chance... Quem sabe posso ajudá-lo?!
Marimba: -Preciso trabalhar, minha mãe precisa de mim.
Gustavo: -E seu pai?
Marimba: -Não tenho.
Gustavo: -E sua mãe, o que faz?
Marimba: -Lava roupas pra fora e faz diárias em casa de família.
Gustavo: -Me desculpe por minha incompreensão. As vezes a vida nos impede de enchergar a realidade que está bem na frente do nosso nariz, nos fazendo assim agir de maneira grotesca e egoísta. Mas você me parece um bom menino. Um garoto de fibra e de muita coragem. Admiro esta qualidade nas pessoas. Como se chama?
Marimba: -Marimba, quero dizer Paulo, só que todos me conhecem como Marimba!
Gustavo: -Marimba( Rir ) é um apelidio curioso.
Marimba: -Os moleques me colocaram esse apelídio por que eu gostava de soltar pipa e cruzar marimba...
Gustavo: -Interessante. Você gostaria de deixar de engraxar sapatos?
Marimba: -Não posso, minha mãe precisa de mim.
Gustavo: -Se você estudasse...
Marimba: -Passaríamos fome. Ainda mais com o bebado...
Gustavo: -Bebado...
Marimba: -... do meu pai que só faz maltratar agente...
Gustavo: -Poderia ajudar...
Marimba: -Não vejo como.
Gustavo: -Sou advogado...
Marimba: -E daí?
Gustavo: -Também tenho um supermercado e poderia dar emprego a sua mãe e quem sabe seu pai...
Marimba: -Não, ele só estragaria tudo.
Gustavo: -As vezes as pessoas só precisam de uma chance. Quem sabe esse não é o caso do seu pai?
Marimba: -Não sei, não.
Gustavo: -Você me apresenta a seus pais e veremos o que podemos fazer. Certo?
Marimba: - (pensativo) Certo!
Gustavo: -Estou lhe dando uma chance, agora só depende de você...
Marimba: -Não vou lhe decepcionar.
Gustavo: -Amigos? (estende a mão)
Marimba: -Amigos! (aperta firme)

F I M

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